A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques - Arroz

Produtor com arroz no DNA

Henrique Osório Dornelles, que também preside a Federarroz, orienta que o produtor busque a liquidez do seu negócio


Parceria Agrícola Passo do Angico

• Sede: Alegrete/RS
• Área do arroz safra 2015/2016: 600 ha
• Área do arroz safra 2016/2017 (previsão): 1.000 ha
• Produção safra 2015/2016: 100 mil sacas
• Produção safra 2016/2017 (previsão): 180 mil sacas
• Produtividade de arroz 2015/16: 8,4 mil kg/ha
• Produtividade de arroz 2015/17 (previsão): 9 mil quilos


A Granja do Ano — Como o senhor avalia o atual momento do segmento arrozeiro no Rio Grande do Sul e no Brasil?

Henrique Osório Dornelles — O atual momento é um tanto delicado e exige bastante cautela. Os custos de produção subiram de forma desproporcional, especialmente a energia elétrica, e mesmo com os preços em patamares históricos bastante elevados, não conseguimos observar entusiasmo dos produtores em virtude de que se esperam ainda preços menores do que o atual patamar.

Quais são as perspectivas para o mercado externo do arroz brasileiro? Neste sentido, o que a cadeia, suas entidades classistas e o Governo poderiam fazer para ampliar os mercados externos?

As perspectivas são bastante promissoras em virtude de que o Brasil vem conquistando mercados por causa da qualidade do produto. Entretanto, em função dos altos custos e do dólar menos apreciado, isso tira a competitividade. No entanto, temos um futuro garantido e promissor. O que podemos fazer são acordos bilaterais.

O Brasil ainda não consegue entrar em alguns mercados por causa de taxas cobradas enquanto outros países têm tarifa zero, o que cria essa dificuldade de competição, pagando custos mais elevados e impostos. O Governo Federal poderia estar mais disposto a buscar acordos bilaterais e o governo do Rio Grande do Sul poderia qualificar um posto de escoamento no Porto de Rio Grande.

Qual o seu planejamento para o arroz na safra 2016/17?

Meu planejamento da lavoura para a próxima safra está sendo de cautela, com investimentos necessários. Entretanto, estamos ampliando a área de forma consistente. Estamos muito focados para garantir a liquidez para o próximo ano.

E quais são os planos dos produtores de arroz do Rio Grande do Sul? O momento é positivo para quem cultiva arroz?

Há duas situações diferentes com um grande abismo. Há produtores que estão capitalizados, com endividamento compatível e parte com terras próprias que tiveram uma rentabilidade positiva. Temos na parte de baixo produtores com endividamento considerável e que tiveram perdas com o El Niño da última safra e que estão tendo problemas. O sistema financeiro, tanto privado quanto público, vem sendo extremamente seletivo e isso traz desmotivação para os produtores que estão desestimulados.

Henrique Osório Dornelles é sócio proprietário da Passo do Angico

Qual a orientação da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), a entidade que o senhor preside, aos produtores quanto à gestão do negócio de arroz?

Nós temos que pensar nos custos. É preciso preservar muito a liquidez dos negócios, mais do que qualquer outra atividade, a nossa exige liquidez. O caixa é extremamente importante, já que o mercado não possibilita fazer venda futura. Na hora da comercialização sempre temos um cenário pouco previsível. Por isso, a liquidez é algo importante para a gestão do negócio. Também é preciso cautela nos investimentos. Isto não quer dizer que o produtor não deve investir em tecnologias, mas precisa estar de olho no caixa. Os arrozeiros que estão tendo sucesso são aqueles que estão tendo uma disciplina muito grande e consistente.

E quais as suas perspectivas para o arroz, a agricultura brasileira e o Brasil?

Estamos diante de uma possível nova política agrícola para o País. Tenho uma esperança muito grande no trabalho do nosso ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e do secretário de Política Agrícola, Neri Geller. Eu acredito que temos boas perspectivas para o futuro pelo trabalho dessas duas pessoas e de toda a atenção que o presidente interino tem dado à agricultura. Sobre o arroz, a consolidação do trabalho em cadeia deverá dar novos ares para a orizicultura brasileira, especialmente a gaúcha.