A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Florestas

 

Inalcançável pela crise

As florestas plantadas espalham-se por 7,8 milhões de hectares e geraram, em 2015, 6% do PIB industrial do País, além de contribuirem com US$ 9 bilhões para a balança comercial. O montante de R$ 53 bilhões será investido no segmento até 2020

Jorge Correa

As florestas plantadas no Brasil estão espalhadas por 7,8 milhões de hectares, gerando matéria-prima para diversos segmentos, como celulose e papel, siderurgia e carvão vegetal, painéis de madeira e pisos laminados, entre outros. Considerando-se os dados de 2015 e os do primeiro semestre de 2016, não existem motivos para reclamar da crise que afeta diversos setores da economia. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), os produtos da florestal alcançaram em 2015 uma receita bruta de R$ 69,1 bilhões, montante que representa 6% do PIB industrial. As exportações totalizaram US$ 9 bilhões. Além disso, o setor é responsável por 3,8 milhões de empregos e pela geração de R$ 11,3 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais (em 2015), o que corresponde a 0,9% da arrecadação nacional.

Segundo a presidente executiva da Ibá, Elisabeth Carvalhaes, graças às suas condições edafoclimáticas (relação espécie-solo-clima para plantio), sua disponibilidade de terras e à tecnologia desenvolvida pelas empresas, o Brasil é um dos poucos países capazes de fornecer ao mundo produtos florestais mais sustentáveis, energia e uma gama de bioprodutos que estão em fase de desenvolvimento. “Nossas empresas estão realizando grandes investimentos até 2020, em torno de R$ 53 bilhões, seja para novos plantios ou para a modernização ou construção de novas unidades”, destaca a dirigente.

O segmento de celulose é responsável por 34% dos produtos que saem das florestas plantadas. É nele que são identificados os números mais importantes até maio de 2016, na comparação com o ano passado. Resultados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a produção nos cinco primeiros meses de 2016 chegou a 7,539 milhões de toneladas, com crescimento de 10,4% em relação a igual período ao ano anterior (6,826 milhões de toneladas). As exportações cresceram mais, 17,7%, de 4,447 milhões de toneladas para 5,236 milhões de toneladas.

Vantagens competitivas — Para alcançar esses resultados, o Brasil tem se revelado competitivo. De acordo com Elisabeth, o País possui o menor ciclo de plantio e colheita, entre 6 e 7 anos, assim como a melhor produtividade arbórea. Em 2015, a produtividade média dos plantios de eucalipto no Brasil, informada pelas empresas de base florestal, foi de 36 m³ por hectare/ano, enquanto que para os plantios de pinus, foi de 31 m³ por hectare/ano. Para comparação, a dirigente cita que na China esses valores são de 29 m³ por hectare/ ano para eucaliptos e de 21 m³ por hectare/ano para pinus.

O Brasil é o quarto produtor mundial de celulose de todos os tipos. E as perspectivas para o setor, baseadas em estudos sobre o aumento de consumo de papel e maior dinamismo econômico de mercados emergentes – China, Índia, Rússia e países do Leste Europeu e da América Latina –, são bastante otimistas. “Há uma maior consciência sobre a inclusão social nos países emergentes, e isso influencia diretamente no aumento de consumo de produtos como papel sanitário”, diz Elisabeth.

A demanda de celulose da China, por exemplo, só tem crescido. Já os Estados Unidos mostram recuperação de sua economia após a crise de 2008, enquanto a Europa começa a dar sinais de melhora, segundo a dirigente. Tudo isso, aliado a um câmbio mais favorável para exportações, beneficia a indústria brasileira de celulose. “Nesse contexto, o Brasil, pela qualidade das fibras de eucalipto e pinus e seus atributos de sustentabilidade, será um player global cada vez mais importante”, garante.

Benefício ambiental: estima-se que os 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas absorvem 1,69 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera por ano

Na avaliação do diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Carlos Mendes, o Brasil chegou a esse perfil porque soube adotar um perfil variado. Por exemplo, os pequenos produtores florestais, que normalmente estão próximos a consumidores de madeira – são fomentados ou produtores –, usam a tecnologia disponível por esses consumidores, de boa a média tecnologia. Já os médios produtores, que são do ramo madeireiro, têm médio nível tecnológico. E os grandes, que podem ser produtores de toras e madeira serrada ou de interligadas, têm boa tecnologia. “Existem programas de financiamento oficial, com taxas de juros atrativos e carência compatível com o prazo de formação da floresta. Assim temos o Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que contempla plantios de florestas e o sistema Integração Lavoura-Pecuária- Floresta”, explica.

Além de florestas plantadas próprias, as empresas de celulose, papel, painéis de madeira, pisos laminados, entre outras, desenvolvem importantes programas de parcerias florestais (ou de fomento florestal), que beneficiam milhares de pequenos proprietários rurais. Segundo Elisabeth, do total de 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas no Brasil, 34% pertencem a empresas de papel e celulose, enquanto os proprietários independentes têm 29%. A iniciativa envolve a grande maioria das empresas de base florestal, que transferem tecnologia, garantem a compra da madeira desses produtores e incentivam o desenvolvimento de outras atividades agrícolas rentáveis associadas ao plantio florestal.

“O produtor rural interessado deve procurar a empresa de base florestal mais próxima de sua propriedade, para conhecer os detalhes do programa de fomento. As empresas fornecem as informações e engenheiros florestais, e outros profissionais podem visitar a área e dar esclarecimentos”, diz a dirigente.

Bom para a natureza — Os benefícios ambientais são ressaltados pelos dirigentes. Atualmente, surgem no setor técnicas que utilizam conceitos de planejamento da paisagem e incorporam em suas operações a preocupação em manter ou melhorar a qualidade visual de suas áreas e a garantia de provisão de serviços ambientais, como a regulação do fluxo hídrico, a manutenção de corredores ecológicos e estoque de CO2. “Estima-se, por exemplo, que os 7,8 milhões de hectares de área de plantio florestais no Brasil são responsáveis pelo estoque de aproximadamente 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) “medida métrica utilizada para comparar as emissões dos vários gases de efeito estufa, baseada no potencial de aquecimento global de cada um”, diz a presidente executiva da Ibá.


Números robustos

? Receita bruta de R$ 69,1 bilhões

? Representa 6% do PIB Industrial

? Exportações de US$ 9 bilhões

? Responsável por 3,8 milhões de empregos

? Geração de R$ 11,3 bilhões em tributos

? Corresponde a 0,9% da arrecadação nacional

Fonte: Ibá (ano 2015)


Além das remoções e dos estoques de carbono das árvores plantadas, o setor gera e mantém reservas de carbono da ordem de 2,48 bilhões de toneladas de CO2e em 5,6 milhões de hectares na forma de Reserva Legal (RL), Áreas de Proteção Permanente (APP) e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). “Portanto, o setor tem benefícios climáticos potenciais como remover gases de efeito estufa da atmosfera e estocar carbono nas áreas de plantio e de conservação, assim como evitar emissões por meio do uso de produtos florestais bem manejados ao invés de produtos de base fóssil ou não renovável”, frisa.


Benefícios ambientais

? Os 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas absorvem 1,69 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera

? 5,4 milhões de hectares de áreas naturais na forma de APPs, de RL e de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPNs) representam um estoque médio de 2,40 bilhões de toneladas de CO2

? 63% dos plantios são certificados, garantindo a sustentabilidade e as boas práticas do setor

? São produzidos, a partir de energia limpa, 64,3 milhões de gigajoules, o que representa 67% do consumo energético do setor

Fonte: Ibá


Para o presidente da Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Walter Vieira Rezende, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são formas de uso ou manejo da terra, nos quais são combinadas espécies arbóreas (frutíferas e madeireiras) com cultivos agrícolas e criação de animais, de forma simultânea ou em sequência temporal, que promovem benefícios econômicos e ecológicos.

Para o dirigente, o solo é o principal patrimônio do produtor rural, e os SAFs surgem como uma alternativa para otimização do uso da terra ao conciliar a produção de alimentos com a produção florestal, conservando o solo e diminuindo a pressão pelo uso da terra para o cultivo agrícola. “Áreas de vegetação sem expressão econômica ou social podem ser reabilitadas e usadas racionalmente por meio de práticas agroflorestais, agregando valor à propriedade”, conclui Rezende.

Mendes, da Apre, diz que, além da renda, uma grande opção para florestas plantadas é diminuir a pressão sobre o uso de florestas nativas. A possibilidade de uso em recomposição de Reserva Legal, como uso alternativo e na composição dos Programas ABC, é o componente que gera créditos na captura de carbono. “Assim, nos programas de ILPF, o componente florestal é que faz captura de carbono”, explica.