A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Frango

 

Sufocado pelos insumos

O segmento de avicultura tem sofrido muito pelo incremento dos custos, sobretudo pelo aumento da cotação do milho, componente importante na alimentação. O alívio vem das exportações

Jorge Correa

Os produtores de aves enfrentaram problemas com os insumos no primeiro semestre. O preço do milho deu saltos e alcançou patamares superiores a R$ 60 a saca. Para o presidente da Associação Brasileira de Produção Animal (ABPA), Francisco Turra, “foi uma tempestade quase perfeita”. Empresas anunciaram suspensão de turnos e outras fecharam unidades ou suspenderam contratos de arrendamento. Apesar disso, segundo o dirigente, o setor esforçase para evitar demissões. Diante desse contexto, a ABPA – por meio de suas análises periódicas junto às agroindústrias associadas – observou uma importante redução dos níveis de alojamento de pintinhos. Mantidos esses patamares, a expectativa de Turra é que os volumes de produção de carne caiam para cerca de 13 milhões de toneladas, 4% a menos em relação à expectativa inicial do ano, que era de 13,5 milhões de toneladas.

Um alento nesse cenário é o incremento das exportações. As novas projeções da ABPA indicam que os volumes embarcados de carne de frango devam crescer 8% em 2016 em relação ao total exportado em 2015. Há grande expectativa com a manutenção das vendas para a China (consolidada como segundo maior mercado importador de carne de frango do Brasil), além do bom ritmo dos embarques para o Oriente Médio e a outros países da Ásia, como Japão e Coreia do Sul.

O primeiro semestre foi um indicativo disso. De janeiro a junho, o segmento exportou o volume de 2,228 milhões de toneladas, crescimento de 14,1% em relação a igual período do ano passado. Em termos de receita, houve recuo de 1%, com o montante caindo de US$ 3,378 bilhões para US$ 3,343 bilhões.

Os embarques de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) de junho atingiram 411,9 mil toneladas, volume 4,1% superior de 2015. A Arábia Saudita lidera as compras de aves brasileiras (17%), seguida da China (11,5%) e do Japão (9,7%). Em relação aos estados brasileiros, o Paraná cresceu 17% e tem uma participação de 36% das exportações. É seguido por Santa Catarina (11% e 22% respectivamente) e pelo Rio Grande do Sul (12% e 17%).

Fonte: ABPA

Para Turra, a falta de uma previsibilidade sobre os contratos de venda futura de milho reduz a capacidade de planejamento produtivo das empresas. “Neste ano, vimos custos de produção atingirem patamares históricos pela baixa previsibilidade sobre os estoques de insumos. Essa é uma situação que poderia ser diminuída se adotássemos a mesma estratégia dos norte-americanos, de monitorar os contratos de vendas para o mercado externo”, pondera o dirigente.

Fonte: ABPA

Ao mesmo tempo, considera primordial para o setor que o câmbio encontre um parâmetro estável. “Um dólar oscilante afeta todo o sistema, desde os preços dos insumos, estabelecimento de níveis de custos de produção, até o preço final para o exterior”, destaca.

Dólar não ajudou — De acordo com o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves Dirceu Talamini, as exportações de carnes de frango, suína e bovina não se beneficiaram da variação do câmbio, pois ocorreu uma redução dos preços internacionais em dólares das carnes, o que reduz a rentabilidade das exportações.

O segmento reclama que os custos de produção atingiram patamares históricos em razão da baixa previsibilidade sobre os estoques de insumos, iniciativa que deveria ser do Governo

Para Talamini, o custo do milho tem um forte impacto nos resultados econômicos das agroindústrias de aves e essas devem reavaliar a estratégia de aquisição e estocagem do milho para evitar que essa situação se repita novamente nesta safra. “O sonho de que as necessidades de milho de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul sejam atendidas pela produção do Mato Grosso, com transporte ferroviário, de menor custo, não deve ser concretizado nos próximos anos e talvez nem nas próximas décadas. A não ser por um milagre, o que não tem ocorrido na história recente do Brasil”, diz. A alternativa, na sua avaliação, é buscar os excedentes de milho no Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Argentina e Paraguai.