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Café

 

Cotações saborosas

Recuperação em Nova York e queda de safra do conilon no Espírito Santo, em consequência do clima, definiram o cenário recente e as perspectivas para a nova safra

Lessandro Carvalho lessandro@safras.com

O café teve um último ano comercial (2015/16, julho/ junho) de bruscas oscilações, mas positivo para o produtor. Nas bolsas, em boa parte da temporada, o mercado deu sequência ao movimento de baixa, ajustando-se ao dólar mais forte contra outras moedas no mundo. Enquanto isso, no Brasil, o mercado buscou um equacionamento entre o dólar e o referencial externo. “O dólar, sem Marcos Ribolli/Agrale dúvida, foi o que mais trouxe instabilidade às cotações. Além desses ajustes, o mercado físico de café também encontrou apoio na quebra na safra brasileira”, afirma o analista de Safras & Mercado Gil Barabach.

“O café conilon ganhou valor relativo e o arábica de peneira mais graúda foi muito foi valorizado, dado a sua escassez por conta do veranico em janeiro de 2015 e a má formação do grão de café”, descreve o analista.

O final da temporada 2015/16 foi de recuperação dos preços do café na Bolsa de Nova York e queda no dólar. A primeira posição do arábica na bolsa acumulou na temporada 2015/16 ganho de 10,08% (saindo de 130,90 centavos de dólar por libra-peso ao final de junho de 2015 para 144,10 centavos em junho de 2016).

“O susto climático, com excesso de chuvas e frio intenso no Brasil, contribuiu com o avanço dos preços no final da temporada”, comenta Barabach. O dólar nesse mesmo período subiu 3,34%, saindo de R$ 3,11 para R$ 3,2140. Só que teve momentos de forte volatilidade, com picos de alta em setembro, quando trocou de mãos a R$ 4,2490, e depois, em janeiro, ao ser negociado a R$ 4,1340. “É lógico que isso ajudou o produtor, pois ofereceu boas oportunidades de venda”.

Tomando como base o preço da bica de bebida dura com 15% de catação do café sul-mineiro, a cotação subiu 12,2% durante a temporada, saindo de R$ 450 para R$ 505 a saca. Também houve picos de negociação a R$ 525 em novembro e R$ 520 em março. A incerteza produtiva no Brasil, diante da quebra na safra de conilon do Espírito Santo e dos problemas com a qualidade do arábica no Paraná, São Paulo e Sul de Minas Gerais, ajudam a suavizar o efeito sazonal da chegada do café novo da safra 2016/ 17, diz o analista de Safras.

“Também potencializam mais um ano de preços favoráveis aos produtores nacionais, apesar das margens mais curtas, devido aos custos mais altos”, observa.

Barabach diz que o excesso de umidade em junho ajuda a valorizar o café arábica de bebida mais fina e o cereja. E a quebra no conilon levou à disparada no preço desse café, que atingiu níveis recordes já no início do ciclo comercial. “E isso fez a indústria local adotar um comportamento mais agressivo, trocando conilon por arábica mais barato. Isso tem ajudado a dar sustentação aos arábicas mais fracos, particularmente nessa entrada de safra”, pondera. Os estoques apertados devem manter o mercado vulnerável a “repiques” climáticos. Nesse sentido, Barabach recomenda atenção à definição da próxima safra brasileira, a partir das floradas de setembro.

Efeito Espírito Santo — Safras & Mercado divulgou, ao final de junho de 2016, uma revisão na estimativa da produção brasileira de café 2016/17, devido a uma reavaliação da safra de conilon. A produção que antes era indicada no total em 56,4 milhões de sacas, passou a ser prevista em 54,9 milhões. A estimativa da safra de arábica está mantida em 42,8 milhões de sacas.

A revisão foi na produção de conilon, em 1,5 milhão de sacas a menos, para 12,1 milhões de sacas. Segundo o analista Barabach, responsável pela estimativa, já havia uma expectativa de que a produção de conilon do Brasil iria ficar abaixo do potencial, como aconteceu em 2015. “A frustração era grande, uma vez que houve um aumento na área em produção no Espírito Santo, principal origem nacional de conilon.

Mas essa decepção foi se transformando em trauma à medida que a colheita ia avançando e o resultado no pósbenefício indicando que o buraco é muito maior do que o inicialmente projetado”, avaliou.

Mercado internacional: o final da temporada 2015/16 foi de recuperação dos preços do café na Bolsa de Nova York e, no câmbio, com o valor do dólar

As lavouras capixabas sentiram bastante a seca e as altas temperaturas do início do ano, conta Barabach, o que levou a um resultado pior que o esperado. A quebra no Espírito Santo deve girar em torno de 15%. E isso depois de uma já frustrada colheita do ano passado, lembra. Assim, a produção de conilon no estado deve voltar a níveis similares ao do começo da década, ou seja, antes do recente salto produtivo.

Em Rondônia, segundo produtor nacional de conilon, a safra também deve recuar, por conta da falta de chuva e da baixa produtividade. “Em pouco adiantou o crescimento na área e na produção do conilon da Bahia”, observa.

O resultado geral é que a safra de conilon brasileira foi revisada para baixo, passando de 13,60 milhões de sacas previstas antes do início da colheita, para 12,10 milhões de sacas no final dos trabalhos. Uma expressiva queda de 1,5 milhão de sacas, que fez a produção 2016/17 ficar 10% abaixo da colhida no ciclo passado. Barabach indica que os números para o arábica não foram mexidos.

“Realmente, o excesso de umidade ao longo de junho trouxe muita preocupação às regiões produtoras, com reflexos, principalmente, em relação à qualidade da bebida. Por isso, por enquanto, é mantida a produção nacional em 42,8 milhões de sacas”, avalia. “Só que a correção no conilon levou para baixo a safra brasileira, que é estimada agora por Mercado internacional: o final da temporada 2015/16 foi de recuperação dos preços do café na Bolsa de Nova York e, no câmbio, com o valor do dólar Divulgação Safras & Mercado em 54,9 milhões de sacas. Mesmo assim, corresponde a um avanço de 9% em relação à temporada passada, quando o País colheu 50,3 milhões de sacas”.