A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Produtor de Arroz

Arroz produzido com HABILIDADE

A Passo do Angico se prepara para cultivar 600 hectares de arroz de primeiríssima qualidade e produtividade

A Granja do Ano — Que expectativas o senhor e os demais orizicultores têm para a safra de arroz 2014/15?

Henrique Osório Dornelles — Estamos muito preocupados com o próximo período. Os custos de produção poderão comprometer a renda do produtor. Somente a energia elétrica subiu 30%, e isso pode representar 6% dos custos variáveis. Certamente teremos reajuste no diesel, que impacta tanto nos tratos culturais como fretes e demais rubricas. Como agravante, a notícia do El Niño poderá limitar a produtividade das lavouras, aumentando ainda mais a necessidade de melhores preços.

O que o Governo Federal deveria implementar para melhorar a atividade?

Ter a coragem de encarar o fim da guerra fiscal dos Estados e promover a verdadeira desoneração das exportações através do “reintegro”. Atualmente, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Goiás estão dificultando a entrada de produto gaúcho em benefício do importado. Não são as indústrias que estão amargando esses desequilíbrios, é o produtor! É a renda no campo dos arrozeiros brasileiros que está se esvaindo, custeando situações como essa. No aspecto internacional, temos uma das maiores produtividades mundiais e não somos competitivos pelo excesso de carga tributária. Além disso, os custos de logística, devido às carências de infraestrutura, corroboram com o custo Brasil. Não desejamos nenhum tipo de subsídio, somente competitividade! Mas há esperança! O Governo Estadual recentemente iniciou processo para a criação de terminal portuário arrozeiro. Certamente será um marco para o comércio internacional do arroz gaúcho!

E o que o segmento e/ou governos poderiam fazer para ampliar o mercado externo do arroz brasileiro?

Estamos ainda brincando de exportadores de arroz! Não temos a organização dos EUA que atuam nos mercados, inclusive indicando barreiras sanitárias a serem aplicadas nos seus concorrentes. Temos os mais rigorosos controles sanitários, desde o tipo de defensivo autorizado até o beneficiamento, e não externamos isso aos nossos clientes. Brevemente estaremos controlando micotoxinas, mas ainda concorremos de forma igualitária com a Tailândia e o Vietnã, que secam o arroz à beira de estradas e estocam a produção como há 100 anos. Mesmo com o apoio do Ministério da Agricultura, com profissionais realmente comprometidos com a agricultura brasileira, os diversos órgãos governamentais destinados ao comércio exterior não conversam entre si. Acredito que o arroz gaúcho precise de um projeto mais audacioso e integrado. Precisamos repensar nossos costumes de produtores e também a estrutura/ objetivos de órgãos para podermos realmente pensar em um futuro mais promissor. Não é possível estarmos eternamente falando em endividamento ou maldizendo o setor industrial.

O senhor tem investido na diversificação do arroz com a soja e outras atividades agrícolas? Que conselhos o senhor daria aos que pensam em diversificar?

Meu pai sempre foi um incentivador da diversificação, cultivando arroz e pecuária de corte. Ele nos transmitiu certos valores que atualmente estão em evidência. Hoje, nossa atividade está mais intensiva, tanto na agricultura como na pecuária. A soja está entrando com a aquisição de sistemas de irrigação por aspersão. Acredito que a rotação de culturas é imprescindível à sustentabilidade dos sistemas, principalmente os mais intensivos. Entretanto, o controle e a análise dos custos, bem como a disciplina financeira, determinarão o sucesso ou o fracasso da atividade.

O que a empresa faz para diminuir os custos de produção da atividade orizícola?

Otimização de maquinário, treinamento de mão de obra e constante análise crítica dos processos produtivos, desde o cultivo do solo e mecanização, como a escolha e a aplicação de defensivos. Acredito que a agricultura brasileira está dependente do consumo de insumos. Muitas vezes precisamos avaliar se a lavoura possui o potencial mínimo para determinada tecnologia.

Henrique Osório Dornelles é sócio proprietário da Passo do Angico