A Granja do Ano – 33 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Pesquisa Agropecuária

O desafio é antecipar o FUTURO

A Embrapa e seus pesquisadores qualificados trabalham para descobrir soluções a problemas que ainda não aconteceram

A Granja do Ano - Como a Embrapa pensa o futuro da agricultura? Quais os temas estratégicos que vêm sendo trabalhados?

Maurício Lopes - Desafios, riscos e oportunidades terão configuração cada vez mais complexa e precisaremos de sistemas de inteligência para lidar com essa complexidade. Tal capacidade será essencial no planejamento de políticas de longo alcance, fornecendo insumos ao processo de tomada de decisão e realizando as metas e objetivos estratégicos das cadeias produtivas da agricultura brasileira. Conscientes disso, viabilizamos a plataforma de inteligência estratégica da Embrapa - Agropensa, um ambiente para trabalhar dados e informações e gerar conhecimentos que orientem decisão estratégica da empresa, a configuração dos nossos programas de pesquisa e inovação e a busca de parceiros que complementem a capacidade de responder aos desafios da agricultura do futuro. Para tratar questões tão desafiadoras, fizemos a opção por organizar portfólios de pesquisa e inovação em temas de grande relevância e importância estratégica para o Brasil como, por exemplo, o voltado para a adaptação da agricultura a mudanças climáticas, o de integração lavoura-pecuária-floresta, o de alimentos, nutrição e saúde, o de automação agrícola, pecuária e florestal e o de química e tecnologia da biomassa, o de defesa da agricultura, para citar alguns.

Como lidar com ameaças futuras, como o aparecimento de novas pragas e as mudanças climáticas?

Diante do desafio das mudanças climáticas, a nossa agropecuária precisará intensificar a adoção de boas práticas não só na produção, mas também no planejamento e na gestão das propriedades. O impacto potencial das mudanças climáticas sobre muitas das culturas agrícolas importantes para o País já foram analisadas pela Embrapa. De maneira geral, antecipa-se o impacto negativo para muitas culturas, caso alternativas tecnológicas, como o desenvolvimento de plantas resistentes, e também estratégias adequadas de gestão e ordenamento da atividade agropecuária não sejam adotadas ao longo das próximas décadas. Antecipando a intensificação de estresses decorrentes das mudanças climáticas globais, por exemplo, daremos cada vez mais atenção ao desenvolvimento de sistemas produtivos mais adaptados à realidade prevista para as próximas décadas. Também atuamos diretamente nas questões atuais e futuras relacionadas a controle de pragas e mudanças climáticas, mas precisamos reforçar a consciência do produtor sobre o manejo integrado de pragas e doenças porque uma agricultura dependente só de controle químico não é sustentável. O controle químico é uma ferramenta importante, mas que pode se tornar inócua se não utilizada da forma correta. A adoção do MIP no caso da Helicoverpa armigera, por exemplo, mostrou-se muito eficiente, como acompanhamos na Caravana Embrapa de Alerta às Ameaças Fitossanitárias.

Maurício Lopes é diretor presidente da Embrapa

Como garantir que o Brasil continue sendo referência mundial no uso de tecnologia para produção de alimentos?

Os próximos 20 anos serão estratégicos para o Brasil consolidarse como player global no que se refere às cadeias produtivas agropecuárias. Duas razões são particularmente importantes. Uma é que as perspectivas de expansão do comércio global para produtos agropecuários, no curto/médio prazo, são positivas. O Brasil deve aproveitar essa oportunidade e expandir suas exportações, contribuindo para o desenvolvimento do País. A Embrapa e instituições parceiras estão atentas para a crescente necessidade de conhecimentos, processos e produtos em áreas críticas para atendimento do imperativo de ampliar a competitividade e o dinamismo do setor agropecuário brasileiro no mercado doméstico e internacional, de forma sustentável. Hoje colhemos os frutos de muita pesquisa feita no passado. Para sermos competitivos, em longo prazo, é necessário isonomia de condições diante das principais potências agrícolas no mundo.