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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Cooperativismo

Gigante em números e apoio

A Coamo se encaminha para faturar R$ 7,8 bilhões em 2013, fruto do trabalho árduo de quase 26 mil associados

Granja do Ano — Quais são as perspectivas do associado da Coamo para a safra de verão 2013/2014? Vai ampliar área de alguma cultura específica, por exemplo?

Aroldo Galassini — Na verdade as fronteiras agrícolas do Paraná já estão tomadas. Onde dava para produzir, já estão produzindo; o que é para pasto, é pasto. Mas temos uma área de arenito, em Paranavaí, que tem umas pastagens degradadas que estão um pouco virando lavoura. Mas ali é meio complicado para o clima, é muito instável. Mas é a única área em que daria para ampliar. Mas, agora, a soja está avançando na área do milho. O cereal caiu bastante, o pessoal está plantando menos milho, e a soja está aumentando, mas não muito. Os produtores praticam mais o milho safrinha. Então, a tendência é ampliar a soja neste ano, que está dando mais renda que o milho. Ficou muito milho safrinha, mais a safra americana que está se desenvolvendo bem, e o americano vai colher uma safra muito grande. Então, o milho não tem aquela perspectiva que tem a soja. O associado plantou mais soja por achar que a soja está melhor e está deixando para plantar milho safrinha.

E o associado está otimista quanto aos preços, à rentabilidade?

O produtor vinha muito bem. Boas safras e bons preços. Neste ano ele teve uma safra de verão relativamente boa, no ano passado ele teve uma pequena quebra safra, mas os preços explodiram por causa da frustração americana. Mas ele ficou muito bem capitalizado, ele está muito bem capitalizado. Agora ele está enfrentando três eventos que prejudicam um pouco: o milho safrinha teve muita chuva na colheita e a safra de soja deste ano foi prejudicada um pouco também pelo excesso de chuva na colheita, e agora uma geada no trigo. Então, a chuva foi um evento que prejudicou um pouco a safra de soja e a safra de milho caiu o peso e a qualidade, ficou um milho muito "ardido". E temos uma queda bastante grande no preço, e o cooperado vai se descapitalizar um pouco. Ele ainda está bem capitalizado, mas já deu uma parada naquela renda boa.

O produtor capitalizado está investindo onde esta renda? Compra de máquinas, de terras...

O produtor não para. Quanto á compra de terras, há alguma coisa. Mas a terra está muito cara. São poucas as aquisições de terras. Ele está investindo bem na qualidade da terra, correção da acidez e da fertilidade do solo. Investindo na qualidade da terra. E se equipando melhor. Comprando máquinas mais potentes, colheitadeiras, tratores, implementos para diminuir o máximo possível a mão de obra, pois a mão de obra está muito difícil. Então, ele está investindo nisso, não tanto em terras. Porque ele tem à disposição bons financiamentos, com juros de 3% ao ano - e agora é 3,5% -, fazendo com que ele financie em oito a dez anos.

A Coamo tornou-se a 20ª maior empresa do País entre as companhias com capital 100% nacional (11 posições acima do ranking anterior, de 2011), ou a 59ª entre todas as empresas (mais as multinacionais). Ao que o senhor justifica a transformação da cooperativa nesta gigante?

Como eu disse, apesar de no ano passado ter havido uma pequena frustração de safra, os preços superaram, e tivemos um crescimento no faturamento de 20%. Isso nos colocou na posição 59 no País, e tirando o capital internacional é a 20ª maior empresa. Com balanço bom, resultado bom, a gente está numa posição bastante invejável até. Uma posição tranquila do ponto de vista econômico. No Paraná somos a terceira maior empresa. Para nós é bom, pois já estamos numa boa posição e crescer 20% não é uma coisa muito comum

Aroldo Galassini é diretor-presidente da Coamo