A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Pesquisa Agropecuária

Quatro décadas de cátedra na pesquisa

A Embrapa, que revolucionou a agricultura tropical a partir dos anos 1970, hoje se articula para criar uma subsidiária, a Embrapatec

A Granja do Ano — Quais são os principais desafios da Embrapa ao completar 40 anos de existência? Sobretudo num momento em que a FAO atribui ao Brasil a missão de produzir 40% dos alimentos necessários para suprir as próximas demandas do planeta?

Maurício Lopes — É um momento importante. Quarenta anos de uma trajetória relevante. A Embrapa ajudou o Brasil a superar o seu problema de insegurança alimentar nos anos 60, 70, quando o Brasil ainda importava alimentos, e rapidamente, em tempo recorde, o País conseguiu superar este problema da insegurança alimentar e se projetar como um provedor de alimentos. Neste período o Brasil fez coisas extraordinárias do ponto de vista de conseguir consolidar um conceito de agricultura avançada, moderna, nos trópicos, o que não existia antes. Na verdade, a gente não tinha um modelo para copiar ou adaptar à nossa realidade. Nós tivemos que desenvolver isso. Então, revisitando os 40 anos, é uma trajetória de sucesso da agricultura. A pesquisa agropecuária ajudou o Brasil a trilhar e construir esta trajetória. Mas nós todos temos que ter os pés no chão e entender que daqui para o futuro teremos que enfrentar desafios mais significativos. São muitos. É difícil destacar um ou dois. Se pensarmos daqui para os próximos 50 anos, quais vão ser os grandes desafios para a humanidade? As questões relacionadas à produção de alimentos para atender esta demanda crescente? Trabalhar a utilização racional da base de recursos naturais, por exemplo, água, cada vez mais um recurso finito, cada vez mais escasso. Todas as questões relacionadas à mudança de clima que vão submeter o cinturão tropical do globo, que é o ambiente mais desafiador para a agricultura, a condições cada vez mais complexas e difíceis. A inclusão produtiva, pois, apesar do Brasil ter avançado muito no desenvolvimento de uma agricultura moderna e competitiva, ainda temos um contingente enorme de agricultores no Brasil que não tem conseguido acessar conhecimento, tecnologia, solução para os seus problemas na agricultura.

Qual é a proposta da Embrapatec?

A Embrapatec é uma proposta nossa de criação de uma empresa, uma sociedade anônima inteiramente controlada pela Embrapa. Na verdade será uma subsidiária de controle integral da Embrapa com o objetivo de levar ao mercado de inovações os ativos, as soluções tecnológicas que a Embrapa desenvolve de uma forma mais rápida e mais ágil. A gente está percebendo que a dinâmica no ambiente de inovação tecnológica hoje muda com uma rapidez muito grande. O ambiente de inovação se tornou muito competitivo, com muitos atores, muitas empresas, universidades. As oportunidades são enormes, por exemplo, para a gente trabalhar em combinação de ativos, inovação aberta. A Embrapa, a partir dos ativos que ela tem, combinando com ativos de parceiros privados, desenvolver novos produtos. Ou uma Embrapa mais ágil em transformar os seus ativos de inovação em novos produtos e novas soluções para o mercado. De forma bem pragmática, a Embrapatec será um braço de operação da Embrapa no mercado de inovações tecnológicas, formatada com muitas semelhanças a uma empresa privada, com agilidade, rapidez de operação e de resposta aos tempos do setor privado. Uma instituição de pesquisas tem que pensar em prazos médios e longos, mas ela está o tempo todo gerando inovação e ativos que precisam chegar ao mercado. Basicamente a gente quer com a Embrapatec ter este braço de operação no mercado de operações, ágil, eficiente e capaz de responder aos anseios e oportunidades que o mercado nos oferece.

Maurício Lopes é diretor-presidente da Embrapa