A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Arroz - Granjas 4 Irmãos

Arroz gerado com profissionalismo

Granjas 4 Irmãos obtém uma produtividade de 200 sacas de arroz por hectare, e ainda é exemplo na integração lavoura-pecuária

Granja do Ano — O que o senhor destacaria como as principais conquistas recentes da Granjas 4 Irmãos e quais são as metas para os próximos meses?

Leandro Saraiva Flores — As principais conquistas recentes são as seguintes: diversificação de culturas e processos, níveis de produtividade, integração de setores de produção e participação por resultados dos funcionários. Nossas metas são manter e aperfeiçoar as conquistas recentes.

Quais são os principais desafios da empresa?

Nossa empresa trabalha basicamente com arroz, soja, leite e gado de corte. Efetivamente, como são produtos primários (não industrializados), temos que nos preocupar com os custos "porteira para dentro", com a produtividade e com a qualidade. O importante item custos tem variado muito em função dos insumos estarem fortemente atrelados à cotação da moeda norte-americana. Precisamos sim de que as cotações destes produtos citados acompanhem os valores de correção de todos os insumos. Enquanto existir este equilíbrio, existe viabilidade deste setor.

Como a empresa faz a rotação de culturas do arroz com a soja e promove a integração lavoura-pecuária?

Procuramos plantar áreas com soja nas quais na safra posterior irá ser plantado arroz, pois aproveitamos o preparo do solo após a colheita da soja, otimizando a utilização de maquinários e colaboradores, além de melhorar as características físico-químicas do solo com aproveitamento de nutrientes, um melhor controle de ervas daninhas e, com o passar do tempo, gerar aumento de produtividade das duas culturas. Quanto à integração lavoura-pecuária, é feita rotação de pastagens com arroz, principalmente, sendo aproveitadas pastagens como azevém e trevo de dois anos, e após plantado o arroz. Na rotação com sorgo é realizado um ano de sorgo e dois de arroz. Também como na soja, procura-se a otimização de processos, tanto da lavoura como da pecuária de corte e leiteira, visando sempre um melhor aproveitamento dos recursos envolvidos, como solo, plantas, animais e maquinário. Acreditamos que estas interações são ferramentas importantes para atingirmos nossas metas.

Que avaliação o senhor faz do momento econômico do produtor de arroz, sobretudo no Rio Grande do Sul?

O Rio Grande do Sul é hoje responsável por quase 80% do arroz produzido no Brasil. Os custos para produção de arroz no estado subiram substancialmente em função da valorização do dólar, devido ao forte peso de insumos importados. As cotações realmente por agora acompanharam esta correção. A preocupação é de que o Governo brasileiro venha a desajustar este equilíbrio, na intenção de controlar a inflação.

E quais as principais reivindicações dos produtores de arroz junto ao Governo Federal? Estas são atendidas?

As reivindicações do setor arrozeiro são desencontradas. Temos várias entidades representativas com interesses distintos, indústrias de arroz e produtores de arroz. Normalmente, o Governo atende aos interesses das indústrias, e estas estão preparadas com instituições específicas para ações com o Governo.

O Plano Agrícola e Pecuário 2013/14 foi muito elogiado pelas lideranças classistas do segmento (CNA, SRB). O senhor concorda que é um bom plano? Como poderia ter sido melhor?

Em termos de volume de recursos destinado ao Plano Agrícola, sem dúvida, é um montante substancial. O que nos preocupa como produtores é a viabilidade ao acesso a estes recursos e a agilidade das instituições financeiras no repasse, recursos estes que estão cada vez mais limitados aos médios e grandes produtores.

Leandro Saraiva Flores, diretor Administrativo Financeiro da Granjas 4 Irmãos

Na sua avaliação, os eternos entraves do segmento, como o Mercosul, têm solução?

O Brasil tem sido protagonista em sustentar comercialmente o Mercosul. Porém, o fato de ser a maior economia custa alto em manter estas relações às vezes desfavoráveis com os países menores, que, no meu ponto de vista, mais prejudicam do que beneficiam o Brasil e o agronegócio. Sem falarmos dos empecilhos de acordos com países fora do Mercosul.