A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Algodão - Grupo Horita

Uma referência em algodão

Grupo Horita destina 34 mil hectares à pluma de um cultivo total de 93 mil hectares no Oeste Baiano

A Granja do Ano — Quais são as metas e perspectivas do Grupo Horita para a safra 2013/2014 no que se refere ao algodão?

Walter Horita — Plantaremos 93 mil hectares de lavouras na safra 2013/2014, dos quais 34 mil hectares serão com algodão. Em média, o algodão representa 35% da nossa matriz produtiva. Acreditamos nessa matriz diversificada entre soja, milho e algodão, tanto do ponto de vista técnico, em linha com as boas práticas agronômicas de rotação de culturas e plantio direto na palha, que garantem melhor controle de pragas e doenças, quanto estratégico, no que se refere a mercado, já que assim não concentramos os nossos investimentos em uma única commodity.

Nas safras recentes a cotação da pluma bateu recorde, depois caiu, reagiu... o que o senhor espera dos preços para a safra 2013/14?

O que houve em anos anteriores foi um desequilíbrio entre oferta e demanda mundial. Após a crise de 2008, os preços ficaram tão baixos, que desestimularam a produção de algodão no mundo. Em 2010 e 2011, os estoques mundiais de algodão baixaram e os preços subiram a patamares inéditos, chegando a ultrapassar US$ 2 por libra-peso. Hoje, acredito que o preço do algodão encontrou uma relativa estabilidade e deve permanecer entre 80 centavos e US$ 1 por libra-peso, o que é remunerador.

Walter Horita é sócio-proprietário do Grupo Horita

Como o Grupo Horita faz a comercialização do algodão? Que mecanismos se utiliza?

Normalmente, destinamos 70% do nosso algodão para exportação, sendo os países asiáticos (China, Indonésia, Coréia do Sul e Japão) os principais destinos, ficando o restante para o mercado interno. Ao longo da safra, realizamos várias vendas a termo para assegurar um preço médio de venda que garanta a nossa rentabilidade. Utilizamos também ferramentas de hedge, operando nos mercados de futuros e de opções.

O que representa o algodão para o Grupo Horita e para o Oeste Baiano? E o que o senhor espera do agronegócio brasileiro na safra 2013/14 e nas seguintes?

O algodão passou a ser a principal cultura do Grupo Horita. E isso, de certa forma, nos define. Começamos plantando 2 mil hectares em 2009 e, nesta safra, plantaremos 34 mil hectares, que representam mais de 60% do nosso faturamento total. Isso ilustra a importância que o algodão alcançou no Grupo Horita e, em proporções semelhantes, no Oeste da Bahia, que responde por 35% da produção nacional. No Oeste, a soja ocupou, na safra 2012/ 2013, 1.255 mil hectares, com Valor Bruto da Produção (VBP) de 2,143 bilhões de reais. No mesmo período, a área plantada com algodão foi de 256 mil hectares, com VBP de 1,8 bilhão de reais. E, na safra 2010/ 2011, o VBP do algodão superou o da soja, apesar da grande diferença de área ocupada entre essas culturas. O quadro recente é que o Oeste sofreu por dois anos seguidos com problema de clima. Tivemos o agravante da lagarta Helicoverpa Armigera, que mudou completamente o tratamento fitossanitário, aumentando sobremaneira os custos com inseticidas, e, ainda assim, houve perdas de até 25% na produtividade esperada. Mas, felizmente, os preços em bons patamares amorteceram, em parte, o impacto negativo da queda de produtividade. Quanto ao agronegócio brasileiro, sou otimista. Cada vez mais a terra se valoriza como ativo e a conjuntura mundial nos permite vislumbrar um fortalecimento do papel do produtor brasileiro como o grande provedor de alimentos do planeta. Entretanto, ainda não alcançamos este reconhecimento internamente. Queria que o agro brasileiro fosse motivo de orgulho nacional. Somos muito bons no campo. Estamos conseguindo produzir mais, melhor, sem aumentar a área plantada. Isso é produtividade, coisa que leva tempo e dá trabalho para se conseguir. Nada mais justo que sejamos reconhecidos e respeitados por isso dentro de casa.