A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Milho - SLC Agrícola

Vocação para cultivar milho

Dos 282,6 mil hectares cultivados pela SLC Agrícola em 15 fazendas, 49,3 mil são dedicados ao milho

A Granja do Ano — Qual é o planejamento da SLC Agrícola para o milho na safra de verão 2013/2014?

Aurélio Pavinato — A cultura do milho é muito importante no nosso sistema de produção, sendo cultura chave na rotação de culturas com soja e algodão, por isso sempre procuramos manter entre 10% e 20% da área com milho. Para a próxima safra deveremos ter leve redução na área de milho safra em relação à 2012/13, em função do cenário menos atrativo de preços para a cultura.

O que a empresa leva em consideração na hora de definir pela área a ser destinada ao plantio do milho?

Levamos em consideração os aspectos agronômicos e mercadológicos. A cultura do milho gera benefícios técnicos para a cultura em sucessão, pois além de quebrar o ciclo de pragas e doenças, recicla nutrientes e deixa residual no solo, que serão aproveitados pela próxima cultura. Em relação aos aspectos mercadológicos, no milho safra plantado no Nordeste temos um resultado muito positivo devido à grande concentração de demanda na região e à baixa oferta. No milho safrinha, que plantamos principalmente no Centro-Oeste e no Maranhão, consideramos a margem de contribuição que a cultura traz para a fazenda, diluindo os custos fixos e gerando maior retorno por hectare para a fazenda.

E são positivas as expectativas da empresa para a rentabilidade do cereal em 2013?

Na nossa visão os preços do milho, ao longo do ano, deverão se manter estáveis em relação ao momento atual, sem muito potencial de alta, uma vez que o Brasil está colhendo uma safrinha recorde e ficará bem abastecido com milho até a entrada da próxima safra, em 2014. Além disso, tudo indica até o momento que os EUA irão colher uma grande safra. A logística cara e os preços internacionais mais baixos e com tendência de queda têm dificultado as exportações e, possivelmente, será necessária a continuidade dos leilões do Governo para garantir um preço mínimo ao produtor, principalmente para o milho safrinha do Centro-Oeste.

Como a empresa procede a comercialização do cereal? Quais os mecanismos utilizados?

A empresa concentra a venda do cereal na matriz, onde se negocia a produção de todas as fazendas. Dessa forma conseguimos um maior volume para venda junto às indústrias de alimentação animal e as tradings. Além disso, a empresa participa de leilões do Governo. Buscamos realizar vendas futuras para travamento de margens, mas como a liquidez do milho é baixa em comparação com a soja, e também porque não há uma correlação tão estreita de preço do mercado doméstico com Chicago, as vendas são feitas mais no curto prazo (spot) – ao contrário da soja e do algodão, que permitem travas futuras.

E como a SLC Agrícola enfrenta, mitiga, os altos custos de transporte de grãos produzidos nas regiões centrais do País?

Um dos fatores chave para contornar o problema logístico é a armazenagem. Temos hoje capacidade de armazenar 60% da nossa produção de grãos, com isso podemos manter o produto estocado aguardando melhores momentos para fazer a venda, evitando o pico de colheita, quando o frete é mais caro e o sistema está sobrecarregado.

O que a empresa busca a partir da joint venture com a Mitsui?

Esse passo inicial busca a construção de um forte relacionamento para que possamos alavancar o plano de expansão, aproveitando possíveis sinergias. Desta forma será criada uma subsidiária abaixo da SLC Agrícola, na qual teremos uma participação de 50,1%, sendo os 49,9% restantes pertencentes à Mitsui. Essa subsidiária irá iniciar suas operações em uma fazenda localizada em São Desidério/ BA e pagará um arrendamento variável (de acordo com a rentabilidade) à Agrícola Xingu, subsidiária da Mitsui e detentora das terras. A área plantada será de 21.902 hectares na safra 2013/ 14. Estamos muito entusiasmados com a concretização dessa joint venture, uma vez que as duas empresas têm uma visão alinhada no agronegócio.

Aurélio Pavinato é diretor-presidente da SLC Agrícola