A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Irrigação

Tecnologia que assegura a colheita

Produtos e serviços desenvolvidos pela Valmont estão em constante evolução e ajudam o produtor a gerenciar o uso da água

A Granja do Ano - A Valmont tem uma longa história de trabalho no segmento da irrigação. Aqui no Brasil, como foi a evolução das tecnologias oferecidas nessa área?

Vinícius Melo - A principal evolução no Brasil foi conceitual e não tecnológica. Antigamente, o objetivo principal era salvar lavouras, hoje em dia é irrigar, aumentar a produção, colocar o produto no mercado na época certa. Pode parecer um contrassenso, mas em muitas lavouras o produtor molhava, mas irrigar mesmo, medindo e gerenciando a quantidade exata de água requerida pela planta, era raro. Hoje, isto é uma realidade. Hoje, o controle da aplicação de água, os sistemas de telemetria e os diferentes produtos que temos no mercado permitem ao produtor utilizar diferentes ferramentas para poupar recursos e produzir mais. Isso sim é a verticalização da agricultura. Em termos de produto, a evolução veio exatamente neste sentido, com aspersores mais eficientes, sistemas de válvulas e bombas automatizados, sistemas de telemetria e aferição em tempo real, sistemas de irrigação de precisão, como o Valley Irrigação de Precisão (VIP), etc. Nesta mesma linha, o produtor busca soluções para irrigar cada vez mais áreas para produzir mais em suas propriedades, pois o valor da terra está cada vez mais alto. Para buscar este maior aproveitamento de áreas, em 2013 instalamos o primeiro Valley Corner no Brasil, um sistema que permite irrigar os cantos antes não atingidos pelo pivô. Esta foi a maior evolução e inovação nacional do ano no setor.

Qual é o perfil da agricultura irrigada no Brasil?

A irrigação passou a ser necessidade e não só opção. Do pequeno ao grande produtor, a irrigação é o único seguro agrícola que pode ser controlado pelo próprio empresário. Tentando mostrar uma fotografia do mercado (para pivôs), os perfis de produtores que utilizam os sistemas variam de região para região entre os principais estados. Dessa forma, temos, como destaque, os grandes produtores e grandes grupos de empresários com grandes áreas no Oeste da Bahia, produzindo principalmente cereais, algodão e café; os produtores individuais em Goiás e Minas Gerais (principalmente Cristalina e Paracatu), com feijão, cereais e cana-de-açúcar; e grandes grupos, produzindo principalmente feijão, café e hortigranjeiros no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, também em Minas Gerais. No restante do Nordeste, destacamos os grandes projetos para irrigação de cana-de-açúcar. No Mato Grosso, a produção de cereais é bem desenvolvida, seja com grandes grupos ou com produtores individuais, mas quase sempre com equipamentos maiores do que 100 hectares, além de alguns projetos para pecuária. Os gigantes adormecidos, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Paraná, estão se estruturando (leis ambientais, energia elétrica e mudança cultural do produtor), mas já se destacam como novas fronteiras para irrigação. Na atualidade, o grande destaque do Brasil é o Rio Grande do Sul, que, após cinco anos de estiagem, se mobilizou a mudar a cultura do produtor rural e promoveu o que talvez possamos chamar de o maior programa de incentivo para a agricultura irrigada: Mais Água, Mais Renda. Com o programa, o Governo flexibilizou o licenciamento ambiental, promoveu a reservação de água e concedeu subsídios para a implantação de sistemas de irrigação mais eficientes.

Quais são os grandes desafios para um maior crescimento da agricultura irrigada no País?

Apesar dos imensos benefícios que a agricultura irrigada proporciona, ainda temos grandes entraves para a instalação de equipamentos de irrigação, seja na parte de infraestrutura (energia, estradas, etc.), na concessão de licenciamentos ambientais ou no financiamento bancário. Nosso maior desafio é mostrar para o Governo e para sociedade que o custo de não irrigar é muito alto. Perdemos em geração de receita, em produção de alimentos, em geração de empregos, em qualidade do produto, além de aumentarmos os riscos devido à insegurança climática. Mas, se tudo caminhar bem, traçaremos um belo caminho, delineando uma história vitoriosa e ajudaremos o agropecuarista brasileiro a cumprir sua nobre missão de alimentar o mundo.

Vinícius Melo é supervisor Regional de Vendas da Valmont