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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Frango

 

Decolagem em marcha lenta

Visto o aumento dos custos de produção, baseados no milho e na soja, houve redução de alojamento de pintos e matrizes e a produção de 2013 não vai aumentar. Mas há perspectivas positivas a partir do segundo semestre

Luiz Silva

A produção de carne de frango não promete alçar grandes voos em 2013 no Brasil. Deverá encerrar o ano com total entre 12,3 milhões e 12,5 milhões de toneladas, volume aproximado ao obtido em 2012, de 12,6 milhões de toneladas. Esta perspectiva, segundo o presidente executivo da União Divulgação Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, leva em consideração os níveis atuais de produção, conforme o alojamento de pintos de corte e de matrizes. De acordo com o dirigente, o consumo interno e as exportações de carne de frango tendem a aumentar no segundo semestre de cada ano, especialmente durante os períodos festivos.

Diante desta perspectiva, Turra acredita que possa haver uma pressão no equilíbrio entre oferta e demanda como consequência dos estoques ajustados tanto no Brasil quanto nos principais clientes das exportações brasileiras. "Também colaboram para esse cenário o menor alojamento de matrizes em 2012 e o tradicional aumento de consumo no segundo semestre do ano. Além disso, a ocupação dos espaços de produção normais por aves de comercialização sazonal, como as natalinas, também poderá influenciar este contexto", destaca.

Já de acordo como o analista de Agência Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o momento da avicultura de corte é de recuperação. Ele explica que o segundo semestre de 2012 foi muito nocivo ao setor, pois os custos tornaram-se um entrave severo. Apenas o corte de produção foi capaz de estancar os prejuízos. O preço do frango vivo atingiu recorde histórico durante o último trimestre do ano passado. No entanto, segundo o especialista, esse corte de produção, sobretudo via redução de alojamento de pintos de corte, persistiu durante 2013. "A produção do setor avícola começa a normalizar. Isso deve se acentuar justamente no período de maior demanda do ano, ao longo do último trimestre. Nos próximos meses, o setor deve expandir a produção", diz Iglesias.

Entretanto, observa que alguns cuidados devem ser observados, pois a economia brasileira apresenta indicadores preocupantes, como o crescimento pequeno do PIB e a inflação acima do centro da meta. Com isso, na sua avaliação, as indústrias devem voltar o seu foco ao mercado externo. "Nesse sentido, a forte desvalorização do real é altamente benéfica", ressalta. Além disso, ao contrário do ano passado, o setor tende a apresentar custos mais amenos durante o ano. Afinal, a oferta de grãos vai ser muito expressiva durante o segundo semestre de 2013. "A forte desvalorização cambial é excelente para a indústria exportadora. Dessa maneira, os ganhos obtidos com exportação são maiores, ajudando na recuperação da rentabilidade do setor, prejudicada durante o segundo semestre de 2012", explica Iglesias.

Mercado externo - Em relação às exportações de carne de frango, a tendência é haver um crescimento de até 2%. Segundo a Ubabef, as exportações da avicultura brasileira – considerando embarques de carne de frango, ovos, material genético, ovos férteis, perus, patos e gansos – totalizaram 1,977 milhão de toneladas no primeiro semestre de 2013, resultado 5,7% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, houve crescimento de 5,5%, segundo a mesma comparação, com um total de US$ 4,381 bilhões. Este desempenho, segundo Turra, indica mudanças no cenário de competitividade do Brasil frente a outros grandes exportadores. Os embarques de carne de frango, principal produto das exportações avícolas brasileiras, somaram 1,89 milhão de toneladas entre janeiro e junho de 2013, com redução de 4,9% em relação ao primeiro semestre de 2012. A receita totalizou US$ 4,093 bilhões, com aumento de 7,2%. O preço médio das vendas brasileiras foi de US$ 2.166/tonelada, crescimento de 12,7%.

As exportações de cortes somaram embarques de 997,8 mil toneladas no primeiro semestre de 2013, em queda de 10,2%. A receita cambial foi de US$ 2,152 bilhões, com redução de 0,4%. As vendas de frango inteiro foram de 732,7 mil toneladas, com aumento de 4,5%, com receita cambial de US$ 1,484 bilhão, o que correspondeu a um aumento de 27,5%. Os embarques de frango industrializado, que totalizaram 75,3 mil toneladas, tiveram uma queda de 17,2%. E a receita teve redução de 12%, somando US$ 214,2 milhões.

O agrônomo Jonas Irineu dos Santos Filho, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, lembra que o Brasil é o maior exportador de carne de frango. E tem chance de crescer mais, pois, mesmo com a crise econômica na Europa iniciada em 2009, as exportações brasileiras de frangos se mantêm ascendentes e esta situação deve se intensificar ainda mais quando a crise passar e o crescimento do PIB na Índia permitir uma alavancagem do seu consumo juntamente com o aumento do consumo na China e nos mais diversos países em desenvolvimento na Ásia e na África.

Interno – De acordo com Iglesias, apesar do discreto crescimento da economia brasileira durante o ano, o mercado interno é muito amplo. O consumo de carne de frango é amplamente difundido pela população. Dados da Ubabef revelam que o alojamento de matrizes em 2012 somou 46,5 milhões de aves, queda de 7% com relação aos 50 milhões de cabeças alojadas em 2011 e equivalente aos 46,5 milhões verificados em 2010. O alojamento de matrizes já instalado para produção de pintos de corte no segundo semestre de 2013 aponta para uma média mensal de 3.753.300, resultado 1,9% inferior à média mensal do primeiro semestre do ano, que foi de 3.824.000 de matrizes.

De acordo com a Ubabef, o consumo per capita cresceu levemente nos últimos três anos. Era de 38,47 quilos per capita anuais em 2009, passou para 44,09 quilos em 2010, deu um salto para 47,38 quilos em 2011 e ficou em 45 quilos em 2012. A tendência é manter um leve crescimento em 2013. Segundo Santos Filho, o ano de 2012 foi marcado pelo aumento no custo de produção tanto de frangos como de suínos. A queda nas produções brasileira e argentina de soja fez com que o preço do farelo disparasse no mercado internacional e nacional (aumento aproximado de 50% no ano).

Para este ano, o especialista avalia que as incertezas são grandes. O baixo estoque internacional tanto de milho como da soja cria uma grande dependência para a safra 2012/2013. Assim, os preços praticados no mercado futuro, tanto para milho como para a soja, sinalizam para um custo de produção de frangos e suínos, inferior a 2012, mas ainda superior a 2011. Em função da grande expressão da produção americana de milho (os Estados Unidos, em 2011, foram responsáveis por 39,3% da produção mundial e 56,02% das exportações de milho), a situação nestas commodities somente poderá ser equilibrada a partir de outubro de 2013 (colheita da safra 2012/2013).