A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Suínos

 

A esperança vem de longe

O segundo e o terceiro trimestres para o segmento suinícola foram horríveis visto os custos, a queda no consumo interno e dificuldades de acesso ao mercado externo. Mas a abertura do mercado japonês e a reativação do ucraniano são boas notícias

Luiz Silva

Em 2013 o mercado da suinocultura brasileira tem sido marcado por oscilações, e o setor fica na expectativa por mudanças ao longo do segundo semestre. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Rui Eduardo Saldanha Vargas, o cenário foi bom no primeiro trimestre e péssimo no segundo e no terceiro, devido, principalmente, aos custos mais altos, à queda no consumo interno e às dificuldades de acesso ao mercado externo. O setor espera um melhor posicionamento do mercado no restante do ano. A abertura do mercado japonês, a reabertura da Ucrânia e o crescimento sazonal da demanda devem facilitar a recuperação dos preços.

Os números mostram a realidade do momento. O Brasil exportou 40.626 toneladas de carne suína em junho, representando uma queda de 7,49% em relação a junho de 2012. A receita foi de US$ 98,49 milhões, com retração de 9,14%. O preço médio também caiu 1,79% no período. No acumulado do ano, as vendas externas atingiram 240.515 toneladas, redução de 10,52% ante igual período de 2012. O Brasil faturou US$ 630,26 milhões de janeiro a junho, indicando uma queda de 8,31% em relação ao mesmo período de 2012.

Para Vargas, os números estão refletindo a suspensão temporária das compras, a partir de 20 de março, pela Ucrânia. A retomada da exportação de carne suína para este país, desde 19 de junho, deve aparecer em números já a partir da segunda quinzena de agosto. O dirigente vislumbra uma perspectiva positiva de recuperação gradativa no decorrer do segundo semestre. A principal alavanca para a recuperação do desempenho das exportações poderá ser o mercado japonês, no qual o setor deposita boas expectativas a curto, médio e longo prazo.

Outro aspecto a ser ressaltado, segundo ele, é um resultado positivo de desempenho do setor frente ao mercado russo, em razão da missão veterinária recebida em julho. "A Rússia é um destino que responde bem nos momentos críticos. A retomada gradativa das exportações nos permite estimar um cenário favorável para o segundo semestre. Esse quadro deve ajudar a melhorar os números defasados do mercado interno em termos de preços e volumes", destaca Vargas. Nos seis primeiros meses do ano, a Rússia foi o principal destino da carne suína brasileira e respondeu por 28,71% das exportações, seguida por Hong Kong, com 25,30%, e Ucrânia, com 10,55%.

Em julho foram exportadas 288 toneladas (US$ 565 mil) para a Ucrânia, que recentemente reabriu seu mercado à carne suína brasileira. Houve uma queda de 97,59% no volume de vendas brasileiras à Ucrânia, em junho, ante o mesmo período de 2012. Nos seis primeiros meses do ano, foram realizados embarques de 25.385 toneladas para aquele país, representando uma retração de 60,82% na comparação com o primeiro semestre de 2012. Em junho, o Brasil exportou 11.747 toneladas para Hong Kong, crescimento de 60,64% em relação a junho de 2012. De janeiro a junho deste ano, no entanto, houve uma queda em volume de 3,84% nos embarques para Hong Kong e de 2,63% em valor.

O mercado interno em 2013 para o criador, segundo Vargas, está tendo um comportamento inverso ao do ano passado. Em 2012, no primeiro semestre, as margens de comercialização foram baixas. No segundo semestre, apesar da forte pressão sobre os custos, o ano terminou com recuperação dos preços. Em 2013, o mercado foi bom no primeiro trimestre e péssimo no segundo, devido principalmente aos custos mais altos, à queda no consumo interno e às dificuldades de acesso ao mercado externo.

A disparada do farelo - Segundo o agrônomo Jonas Irineu dos Santos Filho, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, o ano de 2012 foi marcado pelo aumento no custo de produção tanto de frangos como de suínos. A queda nas produções brasileira e argentina de soja fez com que o preço do farelo disparasse no mercado internacional e nacional (aumento aproximado de 50% no ano). Para o mercado da carne suína in natura, a diminuição do crescimento econômico no primeiro semestre impossibilitou a transferência destes custos. Para piorar a situação, devido ao sistemático crescimento do abate de suínos nos últimos anos, ocorreu um excedente de produção nos primeiros cinco meses de 2012, o que levou a uma queda nos preços pagos pelos consumidores das carnes suínas in natura.

Para 2013, as incertezas são grandes. Os baixos estoques internacionais tanto de milho como de soja criam uma grande dependência para a safra 2012/2013. Assim, os preços praticados no mercado futuro, tanto para milho como para a soja, sinalizam para um custo de produção de frangos e suínos inferior a 2012, mas ainda superior a 2011. Em função da grande expressão da produção americana de milho (os Estados Unidos, em 2011, foram responsáveis por 39,3% da produção mundial e 56,02% das exportações de milho), a situação nestas commodities somente poderá ser equilibrada a partir de outubro de 2013 (colheita da safra 2012/2013).

O custo de produção do suíno, calculado pela Embrapa Suínos e Aves, subiu 4,07% em junho. O ICPSuíno/ Embrapa chegou aos 163,80 pontos, completando o terceiro mês de alta consecutiva, reflexo da variação cambial. No ano, o custo de produção de suínos acumula queda de 8,47%, influenciado principalmente pela baixa nos gastos com a ração dos animais (- 9,50% em 2013). A nutrição representou, em junho, 76,24% dos custos de produção de suínos.

O consumo de carne suína está se expandindo nos últimos anos. Este fato guarda relação direta com o aumento na renda per capita da população brasileira nos últimos dez anos. Além do crescimento da renda neste período, a mesma foi mais intensa nas populações de menor renda, que eram as que menos tinham acesso à proteína animal, avalia Santos Filho. Na sua avaliação, existe possibilidade de aumento do consumo per capita de carnes no Brasil. No caso da carne suína, em 2011 o Brasil se aproximou da média do consumo mundial, com 15 quilos per capita, mas ainda está muito abaixo dos maiores consumidores mundiais: União Europeia (40,2 quilos per capita/ano), Estados Unidos (26,6 quilos) e China (37,4 quilos).