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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Uva/Vinho

 

Vitórias sobre os importados

Aumentou em 2013 a comercialização interna de derivados da uva, enquanto diminuiu a importação, consequência do dólar alto e de campanhas de incentivo ao consumo. Já o projeto de exportação Wines of Brasil teve em 2012 crescimento de 23% em volume e de 6% em valor

Luís Henrique Vieira

A comercialização de vinhos, sucos e espumantes nacionais, além de outras bebidas derivadas da uva, cresceu no Brasil 13% no primeiro quadrimestre de 2013 ante o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). O total comercializado foi de 106,3 milhões de litros, ante 94 milhões do mesmo período de 2012. O setor ganhou mais terreno sobre os importados, que caíram 6,7% até abril (de vinhos e espumantes). "Com certeza, agora temos um ambiente muito mais favorável neste ano. Diferentemente de outras épocas, quando se preferia muito mais os importados", afirma Alceu Dalle Molle, presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin.

O grande destaque ficou por conta do desempenho dos vinhos finos. O crescimento de vendas foi de 13% em relação a 2012, com 500 mil litros a mais. De acordo com o Ibravin, a recuperação foi embalada pela campanha "No Verão, Vá de Vinho Branco", promovida em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados, que incentivou o consumo de vinho branco no mercado doméstico. Somente considerando vinhos finos brancos, o aumento foi de 26,2%. Dalle Molle explica que o câmbio desfavorável aos vinhos importados e o maior conhecimento das opções nacionais também explicam a melhoria no setor, além da aproximação com o varejo. "Este ano, sem dúvida, está sendo muito bom", reitera.

Segundo o Ibravin, os vinhos produzidos na Serra Gaúcha, por outro lado, atingiram melhora na qualidade, apresentando alto frescor, aromas finos, acidez e potencial de guarda. As uvas mais beneficiadas foram Chardonnay, Pinot Noir e Riesling, com a colheita realizada durante um período de baixa precipitação. Já no Planalto Catarinense variedades precoces foram as maiores beneficiadas com o inverno curto e a primavera inesperadamente quente. Por conta das geadas na região, as uvas tintas tiveram quebra de 30% na produção.

colheita nas principais regiões, com exceção do Vale do Rio São Francisco (no Nordeste), aconteceu com aproximadamente 20 dias de atraso. O fenômeno foi causado por um inverno pouco rigoroso no período de dormência da planta e uma primavera atipicamente quente, justamente o período de florada e brotação da videira. Esse comportamento do clima favoreceu as uvas usadas para base espumante e vinhos brancos. "Outra característica comum foram os totais de chuva de novembro menores que o normal. Inclusive, a insolação acumulada em novembro, dezembro e janeiro foi maior que o normal na Serra Gaúcha, nos Campos de Cima da Serra (Rio Grande do Sul) e no Planalto Catarinense", avalia o dirigente.

clima colaborou para a produção de uma boa uva. "Essa condição favorece a maturação e qualidade das uvas, diminuindo a frequência de problemas fitossanitários", explica Eduardo Monteiro, pesquisador em agrometeorologia da Embrapa Uva e Vinho. Em comparação com o ano passado, o volume deve ser levemente menor. A quebra de produtividade foi registrada nas variedades americanas, como a Isabel. A projeção para a safra deste ano é que o Rio Grande do Sul feche 2013 com produção de 610 milhões de quilos, cerca de 12% menos que em 2012.

Exportações — O projeto Wines of Brasil, feito para divulgar os vinhos brasileiros no exterior, registrou em 2012 crescimento de 23% em volume e de 6% em valor. As vinícolas participantes do projeto contabilizaram US$ 3,25 milhões em vendas para o exterior em 2012, ante US$ 3,06 milhões no ano anterior. O resultado alcançado pelas empresas do Wines of Brasil representaram 48% do valor total geral de exportações brasileiras de vinho. Em função de apenas uma operação realizada para a Rússia por meio do Prêmio de Escoamento de Produção (PEP), foram comercializados 2,78 milhões litros de vinho a granel, com resultado financeiro de US$ 1,39 milhão. Esta iniciativa, realizada excepcionalmente no ano passado, representou 76,24% do volume total exportado e 30% do valor faturado pelo projeto, que é realizado em parceria do Ibravin com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

A projeção para a safra deste ano é que o Rio Grande do Sul feche 2013 com produção de 610 milhões de quilos de uva, cerca de 12% menos que no ano passado

O número de vinícolas participantes cresceu de 35 para 39, sendo que 15 realizaram exportações em 2012, enviando seus rótulos para 33 diferentes países, frente a 31 destinos em 2011. "Temos muito espaço para crescer no mercado internacional. Os resultados das ações realizadas nos últimos anos pelo projeto estão repercutindo agora, e o Brasil tem ganhado atenção em virtude dos eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Por isso, acredito que em 2013 teremos dados ainda melhores", comemora Andreia Gentilini Milan, diretora de Promoção do Ibravin.

Para Alceu Dalle Molle, a consolidar para os vinhos brasileiros com o crescente interesse da China. Dos oito países considerados prioritários pelo projeto, observouse o crescimento de vendas para sete, sendo que em seis deles as exportações das empresas do projeto representaram 100% da comercialização brasileira. A China, em apenas dois anos, obteve uma alta de 66% em valor exportado, contabilizando US$ 621,5 mil. Em termos de volume, o crescimento foi de 59% no período, com a comercialização de 73,2 mil litros. O Brasil também apresentou um dos maiores valores médios por litro exportado, de US$ 8,14, contra US$ 6 de média registrada entre os oito países-alvo. "Em 2013 queremos participar efetivamente do mercado dos Estados Unidos, China, Reino Unido e Alemanha para, daqui a dois anos, nos tornarmos uma opção presente na cabeça dos consumidores destes países", revela Andreia