A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Batata

 

Crise, por ora, é passado

Clima que prejudicou regiões produtoras e aumento da demanda chegaram a quadriplicar o preço ao produtor

Luís Henrique Vieira

A pós anos de queixas e redução contínua de área, os produtores de batata voltaram a sorrir. Pelo menos aqueles que conseguiram produzir o tubérculo. No ano passado, o valor pago aos agricultores não passou de R$ 25 pela saca de 50 quilos, com custo superior a R$ 30 em muitos casos. Já em 2013, a batata, que para o consumidor chegou a ser um dos vilões da inflação, possibilitou ganhos aos agricultores superiores aos R$ 100. O que explica a mudança nos valores são as condições climáticas que diminuíram a produção em regiões importantes e a falta de sementes com maior demanda, segundo explicações de Antonio Bortoletto, responsável pela unidade de Canoinhas da Embrapa Produtos e Mercado.

"Houve uma seca em Minas Gerais. A Chapada Diamantina, na Bahia, teve limitação pela falta de água. Em ambas as regiões, plantaram apenas 1/3 de suas áreas. A região de produção do Paraná teve queda de produtividade por conta de geadas. O preço só caiu pouco recentemente por conta da antecipação de colheita", explica Bortoletto. No Paraná, a produtividade ficou em 22 toneladas/ hectare. Levantamento do IBGE, contabilizado em março, relata que a área de 2013 do Brasil destinada para batata-inglesa é de 127.900 hectares. No ano passado, foi de 130.404 hectares. O IBGE ainda projeta uma safra total (o que inclui as três safras no ano) de 1,7 milhão de toneladas.

Em Minas Gerais, principal produtor de batatas do País, os preços também superam os custos de produção e os produtores aproveitam para pagar dívidas de safras anteriores. Em maio e junho, as sacas foram vendidas no sul do estado no valor de R$ 80, mas produtividade caiu de 28 para 21 toneladas/hectare, segundo a Emater/ MG. Apesar da melhoria no mercado, a área não deve aumentar no estado por falta de sementes. Para Bortoletto, o bataticultor ainda precisa se preparar melhor para as futuras safras. "O pessoal agora está dando risada, mas o produtor precisa investir. Em Minas e São Paulo praticamente não há esse tipo de investimento. O produtor só planta olhando o passado", disse.