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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Tabaco

 

Com área estável, lucro sobe

A proposta das entidades classistas é que não haja ampliação nas plantações, e assim a lucratividade do produtor seguiria em alta. Como o Brasil exporta 85% do que produz, o câmbio de hoje é uma bênção

Thais d'Avila

Segurar o ímpeto do agricultor que quer aumentar a área plantada é uma tarefa e tanto, trabalho ainda maior quando o produtor está bem remunerado. Este é o desafio das entidades que lideram os fumicultores no Brasil. Manter estável a área destinada à cultura e a oferta de tabaco de qualidade é, segundo o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, a receita Sinditabaco para manter uma boa rentabilidade por mais um ciclo. A produção da safra 2011/12 já havia dado um fôlego para os produtores, que tiveram muitas perdas na safra anterior. Para o período 2012/13 o otimismo permanece. "Nós estamos muito satisfeitos. Nas festividades do Dia do Colono, tradicionais na região de Santa Cruz do Sul/RS, em julho, pudemos ver o entusiasmo e a euforia do nosso associado", comemora o dirigente. Essa alegria tem a ver com o aumento real do preço pago ao produtor.

Para a indústria o momento também é bom, especialmente em função da qualidade do tabaco oferecido. "Nós tivemos em 2012 recorde de exportação em dólares, porque tivemos uma safra de 2012 melhor do que a de 2011. E quando temos uma safra de qualidade, temos as exportações fortalecidas, conseguimos atender os clientes da melhor forma", explica Iro Schünke, presidente do Sinditabaco (entidade que representa a indústria). As duas entidades avaliam o último período como um ciclo bom para toda a cadeia produtiva. É importante, segundo Schünke, considerar que todos os elos têm que ir bem. Mas, quando o produtor está satisfeito e a qualidade é boa, é um ano tranquilo.

Mantendo a calma - A Afubra e outras seis entidades que compõem o grupo que negocia preços com a indústria estão atuando junto aos produtores para que mantenham a mesma área plantada na última safra. "Isso traz uma preocupação que o produtor venha a produzir acima daquilo que a gente entende como o ideal." O "ideal", conforme Werner, é não aumentar, para garantir tabaco de qualidade sem pressão de oferta. O dirigente explica que está também em contato com os prefeitos das localidades produtoras, para que eles também atuem no convencimento da manutenção de área plantada.

"Vamos ficar em 327,9 mil hectares. Se houver uma variação de 2% ou 3% não vai ser problema. Só se passar disso", alerta. Os quase 328 mil hectares cultivados (3 mil hectares a mais do que na anterior) geraram uma produção de 703 mil toneladas, menor do que a anterior em 3,6%, porque houve perda de peso em função do excesso de chuva no final de 2012.

Preços e qualidade agradaram - Já os preços foram beneficiados pela qualidade, o que resultou em um ano muito tranquilo e otimista para quem planta tabaco. "Na tabela das indústrias nós conseguimos um aumento de preço de 7,5%. Mas o valor final pago ao produtor subiu 15,2%. Então, você vê a diferença que houve no preço real praticado", explica o presidente da Afubra. O produtor que recebeu na safra 2010/ 11 R$ 6,30/quilo, passou a receber na safra seguinte quase R$ 1 a mais, com o valor por quilo de R$ 7,26.

Embora haja a preocupação em manter o produtor sem aumentar a área, o dirigente acredita na maturidade do fumicultor brasileiro, pelas experiências recentes. "Nosso produtor está muito maduro e muito consciente. Poque é muito recente nosso prejuízo." Werner observa que, ao menos nas duas últimas safras, "ele está entendendo, está ciente disso e a gente tem ouvido comentários de que realmente não podemos aumentar muito a produção a tal ponto que isso venha ao nosso prejuízo".

O efeito dólar - A indústria está satisfeita com a qualidade que vem chegando do campo. O que preocupa, sempre, para um setor que exporta 85%, é a taxa cambial. Conforme dados do Sinditabaco, o dólar médio, de janeiro a julho de 2013, período em que as empresas compram o fumo dos produtores, ficou entre R$ 1,95 e R$ 2,04. Em julho a média da moeda norteamericana ficou acima de R$ 2,20.

De qualquer forma, explica Schünke, a taxa de janeiro a julho esteve melhor do que a do ano passado, e a média vai ser melhor em 2013 do que em 2012. "Isso é certo, mas se fosse, por exemplo, no período todo essa taxa de julho, seria melhor", avalia. Apesar da consolidação da qualidade do fumo brasileiro no mercado internacional, ainda há a preocupação com a taxa cambial. "Nós só acompanhamos, sem poder mudar nada. Temos um dólar flutuante há anos. É claro que para nós a valorização do dólar é ótima. Mas sabemos do impacto disso para as importações", reflete.

De olho no Zimbábue - Os fumicultores e as indústrias do Brasil estão sempre de olho na movimentação dos produtores africanos. Alguns países têm uma produção semelhante à brasileira em termos de qualidade e podem ser concorrentes. É o caso de Zimbábue, que está retomando rapidamente a produção. O país africano já foi um grande produtor, com 290 mil toneladas. Depois, reduziu drasticamente e está voltando com velocidade aos níveis anteriores. Há cinco anos, conforme acompanhamento da Afubra, eles produziam menos de 50 mil toneladas. Para 2013, devem chegar a 165 mil.

Para Benício Werner, esse país é o maior concorrente brasileiro em razão da qualidade e também porque é um produtor que tem um capricho muito grande na classificação. "É um concorrente direto", avalia. Mas, ressalva, desde que aumente a área. A produção de outros países africanos, como Tanzânia e Malaui, também vem sendo observada pelas entidades. Werner conta que, na variedade Burley, Malaui produziu, na safra 2011/12, 65 mil toneladas, mas que, neste ano, passou para 160 mil.

Em 2012, os quase 328 mil hectares cultivados geraram uma produção de 703 mil toneladas, menor que a anterior em 3,6%, visto a perda de peso em razão da chuva no final do ano