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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Frutas

 

Mercado interno e doce

A crise internacional esfriou as exportações no ano passado. Mas o aumento das vendas externas no primeiro semestre de 2013 já melhorou e há boas perspectivas pela frente

Thais D'avila

A grande oportunidade do momento da fruticultura brasileira está no mercado interno. Embora as vendas externas ainda superem as importações, a crise econômica internacional mexeu com as exportações brasileiras de frutas. O grande destaque negativo ficou com a banana, que teve o volume de venda reduzido em mais de 99%: caiu de 110 mil para 1,1 mil toneladas de 2011 para 2012, conforme dados do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). Outros produtos, como frutas vermelhas e coco, também tiveram as exportações diminuídas, porém estas não têm a mesma importância em volume do que a banana. Em 2012 o País exportou em frutas US$ 618 milhões, ante US$ 633 milhões do ano anterior, ainda que o volume tenha sido maior: 693 mil toneladas contra 681 mil em 2011. Já a produção interna somou R$ 22 bilhões.

O assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Eduardo Brandão Costa, afirma que o mercado interno foi o diferencial no ano de 2012 e assim será em 2013. "O mercado internacional deixou de ser interessante para o fruticultor brasileiro, e o mercado interno passou a ser mais fácil e atrativo", aponta Costa. O presidente do Ibraf, Moacyr Fernandes, confirma que a demanda continua aquecida no mercado interno, principalmente pra frutas frescas, polpa e néctar.

Mesmo com a redução nas exportações em algumas categorias, a balança comercial das frutas frescas brasileiras está superavitária. Conforme o dirigente do Ibraf, o País importou US$ 467 milhões em 2012 e exportou US$ 619 milhões, um aumento de 9,3% no superávit em relação a 2011. Como projeção para 2013, Fernandes aposta na retomada das exportações. "Já fechamos o primeiro semestre de 2013 de exportações de frutas frescas e tivemos uma surpresa agradável: em relação ao mesmo período de 2012, os volumes cresceram 9,15% e o valor das exportações subiu 13,8% em relação a 2012", revela. Enquanto as vendas externas aumentaram, as importações tiveram redução de 10,4% em volume e 2,6% em dólares no ano que passou. "Esperamos que no segundo semestre as frutas mantenham o patamar de crescimento modesto e nós deveremos fechar 2013 de forma positiva", projeta Fernandes.

Colabora para esse cenário de aparente tranquilidade não ter ocorrido, desde o ano passado, nada de catastrófico na fruticultura brasileira, segundo o presidente do Ibraf. Mesmo com a boa movimentação no mercado interno, há um olhar crítico em relação ao futuro. "Temos uma grande preocupação com a possibilidade de desaquecimento do mercado interno, com redução do real poder de compra dos brasileiros em função da inflação."

A fruticultura brasileira perde o volume absurdo de 32% ao longo de toda a cadeia produtiva, da lavoura até chegar ao consumidor

Mercado de sucos em movimento — A queda nas vendas no mercado internacional inclui também a redução na comercialização de suco de laranja. "Não é que as pessoas não gostem mais de suco de laranja, mas a cada dia que passa surgem mais bebidas, mais variações, mais diversificação de sucos, atendendo toda a segmentação de mercado – esportistas, fitness, idade –, e bebidas baratas e isso tem tirado um pouco o consumo do suco de laranja", lamenta Fernandes. No mercado interno, o produto também vem registrando queda ao longo dos anos. Conforme o Ibraf, com base em dados da Tetrapak, o mercado reduziu de 70% em 2003 para menos de 50% em 2011. Para Moacyr Fernandes, isso ocorre porque o brasileiro prefere o suco da laranja espremida na hora, em detrimento dos produtos industrializados. Enquanto isso, outras bebidas ganham mais espaço. O destaque fica para o suco ou néctar de uva, que já representa 17% do mercado de sucos e néctares, e a água de coco, que em 2012 cresceu 27% em relação ao ano anterior.

Prejuízos absurdos no póscolheita — A fruticultura brasileira perde 32% ao longo de toda a cadeia produtiva, até chegar ao consumidor. São problemas relacionados ao manejo equivocado, uso de embalagens inadequadas e até estradas em más condições que colaboram para esse percentual. "Transporte, logística e armazenagem, incluindo a cadeia de frio, vem sendo os maiores gargalos da produção de frutas no Brasil", afirma Eduardo Costa. Para ele, isso é uma questão de Governo. "Com estradas péssimas, a carroceria batendo, as frutas mal acomodadas vão perdendo a qualidade, por mais próximo que seja o local."

O produtor vem sendo eficiente na primeira parte do processo, a produção. São frutos de qualidade, com boa produtividade. Mas os problemas começam na colheita e vão até o modo de exposição no varejo, como explica o presidente do Ibraf. "Quando as frutas são jogadas em cima de balcões, as caixas despejadas, as pessoas vão pegando as melhores, apertando... Imagine o que acontece no fim do dia", lamenta Moacyr Fernandes.

A CNA vem trabalhando junto aos produtores rurais para tornar o processo de colheita mais eficiente. Um estudo detectou que este era um dos problemas e agora a entidade atua na capacitação do trabalhador rural para melhorar itens como o acondicionamento. "Na maçã, por exemplo, temos produtos que saem do pomar categoria 1 e chegam na gôndola categoria 3", explica Costa. A entidade desenvolve cartilhas, cursos e capacitações para aprimorar esta parte da cadeia produtiva. "A ideia é demonstrar que, com um produto de qualidade, ele vai ganhar mais."

O presidente do Ibraf diz que a entidade tem mostrado ao Governo a necessidade de investimentos e financiamentos para melhorar também a estrutura nas pequenas propriedades. "O pequeno agricultor não tem condições de comprar uma câmara fria, ou de ter um caminhão refrigerado, ou mesmo se comprometer com transporte a longas distâncias num clima tropical." Moacyr Fernandes também aponta a estruturação de packing houses cooperativos como forma de melhorar a conservação das frutas após a colheita.