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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Florestas

 

Otimismo em alta

Após a crise histórica de 2009, seguida de estabilidade por três anos, o segmento florestal começa a reagir no Brasil. Aumentou a produção de celulose e papel e as perspectivas são positivas visto a previsão de incremento da demanda mundial

Luiz Silva

Dois indicadores revelam que os resultados do setor de celulose e papel serão auspiciosos em 2013, depois de três anos de estabilidade. A produção brasileira de celulose subiu 9,8% em junho último ante igual mês de 2012, passando de 1,098 milhão de toneladas para 1,198 milhão de toneladas. No acumulado do semestre, a situação também é favorável, com aumento de 4,8% na produção: de 6,921 milhões de toneladas nos primeiros seis meses de 2012 para 7,254 milhões de toneladas em igual período do ano corrente. Os dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) são motivadores para o setor porque a produção em 2012 se manteve estável na comparação com 2011. Registrou aumento de 0,6%, chegando a 13,999 milhões de toneladas na comparação com as 13,922 milhões de toneladas do período anterior.

A produção de papel também aumentou, embora em menor monta. Em junho, saltou de 803 mil toneladas para 841 mil toneladas, acréscimo de 4,7%. No semestre, em comparação com o ano anterior, o acréscimo foi de 1,5% - de 5,020 milhões de toneladas para 5,097 milhões de toneladas. No ano passado, o segmento apresentou uma produção de 11,171 milhões de toneladas, indicando uma evolução de 0,1% perante o período anterior (10,159 milhões de tonela--das).

Se a tendência de alta permanecer no segundo semestre, a produção de celulose e papel no Brasil manterá, no mínimo, a estabilidade dos últimos três anos, quando houve recuperação depois dos prejuízos sucessivos durante dois anos por conta da crise financeira mundial. De acordo com a presidente executiva da Bracelpa, Elisabeth Carvalhaes, o foco das empresas nos últimos três anos se ateve na recuperação das perdas de receita de 2009. Com isso, de 2010 a 2012, a estabilidade foi a marca da produção do setor. A dirigente acredita em crescimento neste ano, pois não existe fator na economia brasileira que indique uma recuada..

As exportações do setor tendem a seguir um caminho inverso ao registrado no ano passado. Segundo a Bracelpa, no primeiro semestre de 2013, a receita dos negócios externos com celulose e papel chegou a US$ 3,455 bilhões, representando um acréscimo de 4% ante os US$ 3,323 bilhões de igual período do ano anterior. Individualmente, os negócios com celulose foram melhores. Passaram de US$ 2,462 bilhões nos últimos seis meses, com crescimento de 7% na comparação com o primeiro semestre de 2012 (US$ 2,3 milhões). Compensou a queda de 2,9% dos resultados obtidos com as vendas externas de papel (de US$ 1,023 bilhão para US$ 993 mil).

celulose registrou uma receita de US$ 6,657 bilhões, indicando um recuo de 7,4% perante o desempenho de 2011 (US$ 7,190 bilhões). Foram exportadas 8,5 milhões de toneladas de celulose e 1,8 milhão de toneladas de papel. A Europa se manteve como o principal destino da celulose brasileira e gerou 33% da receita com as vendas externas do produto, seguida pela China e América do Norte, respectivamente, com 18,7% e 13,7%. Em relação ao papel, a receita de exportação acumulada registrou queda de 10,8%, na comparação com o ano anterior, totalizando US$ 1,9 bilhão. A América Latina permaneceu como principal mercado e foi responsável por 58,4% dessa receita, seguida pela Europa e América do Norte, responsáveis por 15,3% e 10%, respectivamente. As vendas de papel no mercado doméstico foram de 5,5 milhões de toneladas, acumulando uma alta de 3,6% no ano, em comparação com 2011, o que contribuiu para manter certo equilíbrio no mercado, frente à crise econômica mundial.

Segundo Elisabeth, o Brasil é o quarto produtor mundial de celulose e as perspectivas para o setor, baseadas em estudos sobre o aumento de consumo de papel e maior dinamismo econômico de mercados emergentes, são otimistas. Calcula-se que a demanda por todos os tipos de papel aumentará, em média, 1,5% ao ano até 2025 – no caso dos papéis de embalagem e para fins sanitários a média anual chegará a 2,5%. Para atender esse crescimento, a produção anual de celulose de mercado em todo o mundo terá de chegar, no final desse período, a 74 milhões de toneladas, o que representa um incremento de 25 milhões de toneladas do volume produzido atualmente. "Nesse contexto, pela qualidade das fibras de eucalipto e pinus e seus atributos de sustentabilidade, o Brasil será um player global cada vez mais importante", diz a dirigente.

Para a dirigente, o Brasil está se tornando um país com grande conhecimento no múltiplo uso sustentável das florestas (plantadas e nativas). Além disso, há vários estudos sobre novas aplicações, além das apresentadas acima, como carvão para uso energético e o etanol da celulose para a produção de uma nova geração de biocombustível. Hoje, além de florestas plantadas próprias, as empresas de celulose e papel desenvolvem importantes programas de parcerias florestais. Um canal de envolvimento importante entre as empresas do setor e as comunidades são os programas de fomento florestal.

Vantagens do fomento - Atualmente, aproximadamente 20% de toda a área plantada do setor de celulose e papel pertencem a programas de fomento florestal, o que traz vários benefícios: complementa o suprimento de madeira do setor; gera renda; cria empregos e promove o desenvolvimento rural; fomenta economias locais; estimula as boas práticas de pequenos proprietários. "A iniciativa envolve a grande maioria das empresas de base florestal, que transferem tecnologia, garantem a compra da madeira desses produtores e incentivam o desenvolvimento de outras atividades agrícolas rentáveis associadas ao plantio florestal", diz Elisabeth.

O produtor interessado deve procurar a empresa de base florestal mais próxima de sua propriedade, para conhecer os detalhes do programa de fomento. As empresas fornecem as informações e engenheiros florestais e outros profissionais podem visitar a área e dar esclarecimentos. A dirigente ressalta que décadas de investimento em pesquisa e melhoramento genético levaram ao aumento da produtividade das florestas plantadas de eucaliptos e pinus – as duas espécies utilizadas pela indústria brasileira para a produção de celulose. Como principal resultado desse investimento, as florestas plantadas produzem cada vez mais madeira na mesma área cultivada.

Hoje, o setor florestal é responsável por 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e, em alguns estados, como no Paraná, esse índice representa quase o dobro (7,8%), segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. "Os produtos mais produzidos pelo setor são papel e celulose. Praticamente 100% desses vêm de florestas plantadas. Em segundo lugar, a produção de madeira", explica o engenheiro florestal, Humberto Angelo, professor da Universidade de Brasília (UnB).

Um dos motivos para que o setor florestal tenha ganhado forças nas últimas décadas foi a própria mudança do perfil do consumidor brasileiro, com maior poder de compra. "Com esse cenário, essas pessoas estão consumindo mais produtos que dependem da madeira como móveis e alimentos derivados do leite, entre outros", explica Angelo. "Para abastecer a vida dessas pessoas, é preciso cada vez mais produção de lenha (proveniente de floresta plantada) para a indústria alimentícia, por exemplo", afirma. A geração de empregos que o setor uma forma de complementar a renda e de garantia financeira para aqueles que querem, mais tarde, assegurar uma base econômica nas suas aposentadorias, por exemplo. "E não é preciso esperar anos para ter retorno com a madeira: é possível fazer colheitas parciais e fazer deste um negócio rentável e sustentável", explica Geronasso. Impulsionada pele ILPF - O pesquisador da Embrapa Florestas florestal proporciona também é significativa. Só em 2010, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), a base florestal plantada atingiu 4,73 milhões entre empregos diretos e indiretos. Somente no Paraná, a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) estima que o setor empregue 500 mil pessoas.

O pensamento de que é impossível unir sustentabilidade e lucro não tem peso mais. "Esse tabu já caiu. Hoje há uma consciência que os ganhos ambientais e econômicos acontecem de muitas formas", avalia Angelo, para quem hoje a floresta é vista como um investimento para se lucrar. No caso das florestas plantadas, por exemplo, tanto o agricultor que já produz outros produtos como profissionais de diferentes áreas podem investir. De acordo com o presidente da Apre, Gilson Geronasso, as florestas são uma forma de complementar a renda e de garantia financeira para aqueles que querem, mais tarde, assegurar uma base econômica nas suas aposentadorias, por exemplo. "E não é preciso esperar anos para ter retorno com a madeira: é possível fazer colheitas parciais e fazer deste um negócio rentável e sustentável", explica Geronasso.

O crescimento do setor florestal também tem tido alavancagem com a adoção da integração lavourapecuária- floresta, prática inclusive incentivada por programas governamentais

Impulsionada pele ILPF - O pesquisador da Embrapa Florestas Vanderley Porfírio da Silva recorda que o crescimento do setor florestal teve alavancagem com a adoção da integração lavourapecuária- floresta (ILPF), que quebrou alguns paradigmas, especialmente nas lavouras. "A árvore era um problema, um empecilho. Nossa cultura é agrícola e não silvícola. De repente, foi integrada." Por isso, o especialista acredita que em algumas regiões o crescimento da ILPF é mais lento. O exemplo a ser seguido é Porto Vitória, no norte do Paraná, que iniciou o processo mais cedo e cujos produtores tiveram assistência rural exemplar da prefeitura.