A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Ovinos e Caprinos

 

Procuram-se carneiros

A oferta de ovinos não consegue atender à demanda crescente por esta carne. O déficit pode ser de 13 mil toneladas de carne/ano, ou 1 milhão de animais. No caso da caprinocultura, a evolução do setor segue na dependência de programas governamentais leiteiros

A demanda do mercado brasileiro por carne ovina continua em crescimento, sem que a produção nacional consiga atender à demanda. O rebanho ovino brasileiro é insuficiente para abastecer o mercado interno. Apesar do consumo per capita nacional ser relativamente pequeno (aproximadamente 700 gramas por habitante ao ano), observa-se um aumento da demanda nos últimos anos, junto com uma tendência crescente de importação. Os principais fornecedores de carne ovina para o Brasil são Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e Chile. Segundo o zootecnista Fernando Alvarenga Reis, pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, alguns estudos projetam déficits de oferta da carne ovina no Brasil oscilando em torno de 13 mil toneladas, ou 1 milhão de animais por ano

Esses números sinalizam oportunidades de mercado para os produtores e para a indústria. Mas também desafios, como ampliação dos rebanhos, oferta de reprodutores e matrizes com avaliação genética e melhorias na eficiência do sistema produtivo. Por exemplo, o estudioso cita o aumento no número de crias desmamadas por matriz e redução da idade dos cordeiros para atingir o peso de abate, assistência técnica capacitada, produção coletiva através de associações e cooperativas, além da utilização de ferramentas de gestão da propriedade.

O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Paulo Schwab, diz que o setor tem dois desafios: aumentar o rebanho para atender à demanda do mercado interno e, posteriormente, o internacional. A seu ver, a demanda para exportação vem crescendo, e países do Oriente Médio podem se tornar parceiros importantes no futuro. Conforme o levantamento da Produção da Pecuária Municipal de 2011, IBGE, o rebanho brasileiro de ovinos é de 17,6 milhões de cabeças, e a maior parte da criação se concentra no Rio Grande do Sul e no Nordeste, regiões que fornecem lã e carne. Schwab relata que o Brasil tenha recebido um contato do Oriente Médio querendo importar 2 milhões de ovinos por ano. "Não pudemos atender, pois não conseguimos abastecer sequer o mercado interno", lamenta o dirigente.

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) indica que o consumo médio anual desse tipo de carne no Brasil fica em torno de 700 gramas por habitante. Schwab estima que, para aumentar o consumo para 2,5 quilos, seria necessário um rebanho de 50 milhões de cabeças. Ou seja, para o País exportar, o crescimento teria de ser ainda maior. "Outra opção seria fornecer para o mercado externo sem antes suprir a demanda interna, mas não acho que isso seria interessante para o setor", avalia o presidente da Arco.

Para o pesquisador Reis, a grande demanda nacional por produtos ovinos tem sido por carne, com a produção distribuída em várias regiões. Em relação à lã, a grande concentração da produção está nos estados do Sul, especialmente no Rio Grande do Sul. Dessa forma, há uma maior procura para formação e ampliação dos rebanhos por matrizes e reprodutores para a produção de carne. Geralmente as matrizes são de raças ou tipos mais comuns em cada região e os reprodutores de raças especializadas de corte. Destaca-se nos últimos anos a utilização de reprodutores das raças Dorper, Texel, Santa Inês, Suffolk em cruzamento com matrizes deslanadas ou matrizes de dupla aptidão, carne e lã (região Sul).

Para obtenção de um produto dirigido ao padrão que a indústria procura, no caso do Centro-Oeste e do Sudeste, um cordeiro com 16 a 20 quilos de carcaça, a melhor estratégia continua sendo o cruzamento entre raças puras para obtenção de animais F1, ou cruzamento industrial. A escolha das raças deverá resultar em aumento do número de cordeiros desmamados, ganhos de precocidade e qualidade no acabamento de carcaça.

Para valorizar a carne ovina produzida em São Paulo, está sendo adotado o sistema de produção intensiva e valorizados os cruzamentos e raças que imprimam melhores resultados em termos de precocidade de engorda e qualidade de carcaça. Mas Oliveira reconhece que este é um caminho que pode levar algum tempo, já que a tradição entre produtor e consumidor ainda está em formação. Ele ressalta que a concorrência com os produtos que vêm de fora, como do Uruguai, é muito grande. Eles podem produzir carne em sistemas extensivos de pastejo, o que diminui drasticamente o custo de produção. O Brasil, em contrapartida, não tem como oferecer um produto mais barato. "Por isso, temos que valorizar e agregar valor à carne produzida nas nossas condições", defende.

Os rebanhos comerciais, no entendimento do zootecnista, estão em franca recuperação em relação ao tamanho. Nos últimos 15 anos a supervalorização genética de algumas raças levou produtores comerciais a se dedicar aos plantéis. Exemplo: um criador nordestino que tinha 500 matrizes e produzia cordeiros para consumo próprio e venda resolveu diminuir o número de matrizes para 50 fêmeas registradas para vender reprodutores, pois os valores anunciados nos leilões pelos canais e exposições eram altamente vantajosos. Como a carne foi se valorizando, as matrizes descartadas (450) foram abatidas. E, no final de tantos anos, os rebanhos comerciais foram se dizimando. "Hoje, sofremos as consequências da lenta recuperação, até porque o modismo dos altos valores pagos em matrizes e reprodutores de alta qualidade genética acabou e seus preços despencaram", ressalta.

Caprinocultura - Atualmente, a caprinocultura leiteira brasileira é representada por dois polos produtivos bastante distintos:

Nordeste e Sudeste. No primeiro, os sistemas produtivos são caracterizados por explorações semiintensivas realizadas por pequenos produtores. Entretanto, segundo o pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos Fernando Alvarenga Reis, estados como Paraíba e Rio Grande do Norte, por meio de programas governamentais de compra e distribuição do leite caprino, conseguiram alcançar patamares de produção e de organização interessantes, sistemas produtivos adotaram tecnologias de manejo em prol da elevação da produção de leite e usinas de beneficiamento de leite caprino foram implantadas.

A Paraíba, por exemplo, possui atualmente oito usinas de beneficiamento de leite fluído de cabra em funcionamento e em 2012 o estado pasteurizou mais de 3 milhões de leite para estes programas. Na Região Sudeste, a caprinocultura leiteira é mais comumente explorada em sistemas intensivos de produção, com boa estruturação do agronegócio relativo à atividade, apresentando laticínios especializados que produzem, além de leite fluido, queijos finos, que abastecem os principais mercados consumidores nos grandes centros urbanos.

O preço do leite recebido pelo produtor vem sendo reajustado constantemente, principalmente em função de reivindicações feitas pelos produtores. Reis diz que o programa governamental federal nos estados do Nordeste paga R$ 1,30 por litro de leite, sendo que alguns estados complementam o preço pago, em função, principalmente, do período de estiagem, que aumenta os custos de produção do leite caprino por causa da necessidade de compra de insumo alimentício para o rebanho. O valor recebido pelo produtor pode alcançar R$ 1,65 por litro de leite. O zootecnista frisa que atores da cadeia produtiva do Nordeste têm considerado a diversificação da produção do leite uma estratégia inevitável para alavancar de vez por toda a atividade na região. Os preços internos ainda não são competitivos no mercado externo e o Brasil é ainda importador, principalmente de queijos de leite de cabra.