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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Milho

 

Brilho bem mais fosco

A área de milho no Brasil na safra 2013/14 está estimada em 14,416 milhões de hectares, recuo de 4,7%, com produção de 77,575 milhões de toneladas, ante 82,069 milhões anteriores. A concorrência com a valorizada soja está difícil, e o preço no segundo semestre depende da safra americana

Carine Bidone Lopes
carine@safras.com.br

No primeiro semestre de 2013 o mercado brasileiro de milho apresentou preços médios e em baixa, mas ainda favoráveis aos produtores. Os agricultores colheram uma boa safra de verão. Ademais, houve muitas expectativas sobre a próxima safra dos Estados Unidos, o que tornou o mercado brasileiro mais cauteloso nas vendas. A mudança no padrão cambial foi a surpresa do período, assim como a ótima condição de clima da safrinha. Os problemas enfrentados nesse período estão relacionados à questão da logística interna. Esta continuou sendo o grande problema para a safra de grãos. Fretes com preços recordes e falta de espaço nos portos contribuíram para os problemas.

Os preços do milho cederam em função das baixas no mercado internacional e pela ausência de fatores climáticos negativos sobre a safrinha 2013 e sobre a safra norteamericana de 2013. Os problemas registrados não trouxeram mudanças à curva baixista de preços. A safra de verão foi praticamente perfeita. A safrinha apresentou área plantada recorde e sem qualquer problema grave de clima. Os preços ainda ficaram acima da média e ocorreu boa liquidez de comercialização. Isso ajudou bastante o fluxo de negócios e preços aos produtores.

A expectativa para o milho no segundo semestre está condicionada ao tamanho da safra 2013 nos EUA. Uma safra normal nos EUA traria os preços na Bolsa de Mercadorias de Chicago para algo próximo a US$ 4/ bushel e esse preço poderia provocar fortes pressões sobre o mercado interno brasileiro ao longo do segundo semestre. Com uma grande safrinha nacional, o foco continua sendo baixista para o milho no Brasil no segundo semestre. O fator decisivo para o mercado ao longo de 2013 foi o clima, que, surpreendentemente favorável para a safrinha e sem provocar graves problemas nos EUA e no Leste Europeu, foi fundamental para a trajetória dos preços.

O milho deverá perder espaço na safra de verão 2013/14 na região Centro-Sul. Levantamento de intenção de plantio, divulgado por Safras & Mercado no final de julho, aponta uma redução de 10,1% na área a ser plantada, que ocuparia 5,282 milhões de hectares, contra 5,877 milhões cultivados em 2012/ 13. Contando com condições climáticas normais, a produção da primeira safra poderia ficar em 29,715 milhões de toneladas, recuando na comparação com as 33,046 milhões colhidas em 2012/ 13. Safras & Mercado trabalha com uma queda de 6,2% na área a ser plantada na segunda safra, que totalizaria 7,499 milhões de hectares, contra 7,993 milhões de 2012/13. A produção da safrinha está estimada em 42,463 milhões de toneladas, abaixo das 45,204 milhões previstas para a temporada anterior.

A área total de milho no Centro- Sul está estimada em 12,781 milhões de hectares, com recuo de 7,9%. A produção está inicialmente estimada em 72,179 milhões de toneladas. As Regiões Norte e Nordeste deverão cultivar 1,635 milhão de hectares e colher 5,395 milhões de toneladas. Com isso, a área total no Brasil somaria 14,416 milhões de hectares, caindo 4,7% em comparação ao ano anterior. O país deverá produzir 77,575 milhões de toneladas em 2013/14, contra 82,069 milhões em 2011/12.

O levantamento para a intenção de plantio por parte do produtor brasileiro para a safra de verão 2013/ 14 apontou uma potencial retração de área plantada em 10,1% no Centro-Sul. Em 2012/13, essa projeção também refletiu uma retração de área plantada, mas plantios tardios no pós-feijão acabaram neutralizando o efeito dessa queda. Porém, no segundo semestre de 2013, o forte diferencial de troca entre milho e soja e milho e feijão tende a levar os produtores a concentrar as suas ações no verão nessas duas culturas.

Soja, concorrente forte — Outros indicadores também fortalecem este quadro, como o ótimo preço da soja para a safra 2014, com negócios já avançando, em contraste com a ausência de negócios de milho para a safra nova. O alto preço do feijão e grande safrinha 2013 também contribuem neste quadro. Enquanto a safra de verão começa a ser decidida no Brasil, a safra norte-americana também vai caminhando para um desfecho positivo diante das chuvas quase generalizadas no meio-oeste dos Estados Unidos em julho, o que levou os preços a testarem novas mínimas nos contratos do segundo semestre.

A safra brasileira de milho 2012/ 13 aguarda a conclusão da colheita da safrinha 2013 e do perfil de produção final do Nordeste para oficializar um novo recorde de produção. Com os ajustes de produção na safrinha 2013 realizados em julho, a nova estimativa de produção total do País em 2013 está em 82,07 milhões de toneladas, com uma área plantada de 15,52 milhões de hectares e produtividade média de 5.427 quilos/hectare. Esses números poderiam ter sido ainda maiores caso a safrinha não registrasse alguns problemas com excesso de chuvas no Paraná, estiagem em Goiás e seca no Nordeste.

Mesmo assim, o novo recorde de 2013 está muito acima do recorde de 2012, o qual configurou uma produção de 72,7 milhões de toneladas. Esta produção de 2011/12 possibilitou ao Brasil aproveitar um ótimo momento de mercado internacional, após a quebra de safra nos Estados Unidos, e atingir um recorde de exportações da ordem de 22,7 milhões de toneladas, inclusive se tornando o maior exportador mundial no período.

O milho deverá perder espaço na safra de verão 2013/14 na região Centro-Sul, uma redução de 10,1% na área, que ocuparia 5,282 milhões de hectares ante 5,877 milhões da safra anterior

A produção de 82 milhões de toneladas deixa um excedente de quase 33 milhões de toneladas quando adicionados os estoques iniciais, as importações do Paraguai e subtraída a demanda interna de 52,4 milhões de toneladas. Tecnicamente, a safra 2013 brasileira poderia gerar uma exportação muito superior à de 2012. Porém, o espaço para este ambiente vendedor brasileiro vai se esgotando, tendo em vista que a safra norte-americana vai caminhando para uma confirmação de boa produção, assim como o Leste Europeu não encontrou problemas para recuperar a sua produção em 2013.

Uma safra normal nos EUA traria os preços na Bolsa de Mercadorias de Chicago para algo próximo a US$ 4/bushel e assim poderia provocar fortes pressões sobre o mercado interno no segundo semestre

O espaço na competição do milho brasileiro no mercado internacional agora está limitado pela potencial retomada dos Estados Unidos nas vendas externas, a partir de setembro de 2013, e pela competição acentuada com a Ucrânia. Isso quer dizer que mesmo que o Brasil repita o número de 2012, em torno de 22,7 milhões de toneladas na exportação, ainda teremos um excedente interno acentuado próximo a 10 milhões de toneladas. A questão realmente é atingir esse volume de embarques no ano, diante da falta de competitividade externa a preços baixos do milho brasileiro. Este é um dos principais quadros que identificam o perfil da intenção de plantio para a safra 2013/ 14 de verão no Brasil.

Por fim, o quadro de plantio da safrinha 2013 com volume recorde de área leva o produtor obrigatoriamente para o plantio da soja neste próximo verão. Estados do Centro-Oeste, São Paulo e o Paraná poderiam fazer a diferença nesse contexto de área plantada de verão em favor do milho. Contudo, o ciclo da soja no verão com milho na safrinha continua sendo um referencial fundamental e somente reduzido ou influenciado quando o mercado de milho dispõe destas variáveis inesperadas como fortes altas no mercado internacional. Desta forma, o quadro prossegue com a soja dominando as atenções dos produtores para a safra nova e acentuando a tendência de crescimento desta lavoura no verão.

Clima — A variável climática, naturalmente, será um indicador preponderante para a produção. Para o ciclo da safra de verão 2013/14 o foco é para uma condição climática neutra. As áreas do Pacífico apontam para uma neutralidade, segundo o NOAA (agência americana de previsões climáticas), ou seja, temperaturas dentro da média normal ao apontando a presença futura de curto prazo para La Niña ou El Niño. Então, é uma condição climática pouco previsível, já que os meteorologistas refletem sobre a neutralidade como uma condição mais difícil de se apontar uma condição favorável ou desfavorável para as lavouras no curto prazo. Teoricamente, o clima tende a apresentar condições normais para cada região, focando os tradicionais momentos de riscos, como dezembro e janeiro em algumas localidades do Brasil e da Argentina. Por isso, não é possível sinalizar uma situação problemática ou não para as lavouras da América do Sul no próximo verão.

Segundo a Somar Meteorologia, em novembro o regime de chuvas se regulariza em todo o Brasil, incluindo as regiões produtoras da Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí, sendo que os maiores volumes de chuvas irão ser observados sobre a região central do Brasil – Sudeste e Centro- Oeste, incluindo a Bahia. Já no Sul os volumes totais de chuvas diminuem, mas ainda em boas precipitações e, portanto, dando boas condições ao desenvolvimento das lavouras de verão. Já no final da primavera (dezembro) e ao longo de todo o verão, há uma perspectiva de um resfriamento das temperaturas das águas do Oceano Pacífico e, com isso, os estados da Região Sul e a região sul do Mato Grosso do Sul poderão ter alguns períodos de estiagem, uma vez que as frentes frias ficarão mais concentradas sobre a região central do Brasil.

Embarques — A baixa na Bolsa de Chicago e os Pepros estão baixando os preços no porto e concentrando os exportadores apenas no milho do Mato Grosso. Não havia pressão aos exportadores em julho, já que têm garantido 1 milhão de toneladas para compras por semana do Mato Grosso para atender os seus embarques. Assim, houve indicações para Goiás, por exemplo, a R$ 15,50/15,20 a saca por parte de exportadores; Paraná, no vagão, a R$ 21,50/22 no norte do estado; Paranaguá, R$ 24/24,50, e Santos, R$ 25/25,50.

Os embarques na exportação já deveriam ter avançado em julho pelo volume então contratado. Julho detinha 1,5 milhão de toneladas para embarque, mas conseguiu realmente efetivar apenas 410 mil toneladas até a última semana. Agosto tinha programação próxima a 2 milhões de toneladas. Certamente haveria atrasos que se prolongariam para setembro e com um volume de navios atrasados para outubro. Isto é o que já foi contratado. As 4/5/6 milhões de toneladas a serem embarcadas nas semanas seguintes já estão computadas.

Como já avaliado, será preciso de 2,5 milhões a 3 milhões de toneladas/ mês até janeiro para atingir o volume de 2012 no embarque anual. Assim mesmo, ainda sobrarão perto de 10 milhões de toneladas no mercado interno. A questão é que não há volume de negócios e demanda para 3 milhões de toneladas ao mês de embarques, assim como agora o Brasil começa a entrar em conflito com um mercado internacional mais ofertado e com milho mais competitivo do Leste Europeu e dos Estados Unidos.

A previsão era que agosto seria o auge da colheita no Brasil, com um avanço forte do trabalho em todas as regiões e com preços em baixa pela maior pressão de venda interna. A exportação perdeu muita liquidez com os Pepros. Mesmo com eles, os negócios estavam sendo realizados abaixo de R$ 10 em Sorriso/MT. A colheita em 2012 terminou na primeira semana de setembro no Mato Grosso em uma área de 2,8 milhões de hectares. Em 2013, deverá se prolongar até meados de setembro para uma área de 3,5 milhões de toneladas. Surpreende algumas fontes de informação apontarem para uma colheita de 80% no estado em pleno final de julho. O número reflete que já há 16 milhões de toneladas disponíveis no mercado local nos armazéns, já que até então muito pouco saiu do estado efetivamente. Portanto, ainda há o auge da oferta do Mato Grosso a surgir nas semanas seguintes e problemas de logística se agravando.