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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Soja

 

Recorde à vista. Mais um

Após se consolidar com maiores área e produção em 2012/13, o cenário pouco se alterou para a soja nas lavouras brasileiras. As perspectivas são amplamente favoráveis e encaminham novos patamares nunca alcançados, apesar de os preços médios de 2013 estarem entre 6% e 13% inferiores a 2012, porém são os segundos maiores da história e amplamente remuneradores aos produtores

Dylan Della Pasqua
dylan@safras.com.br

A safra 2012/13 de soja foi a maior da história do Brasil, superando 82 milhões de toneladas. Pela primeira vez, o País ameaçou a liderança dos Estados Unidos no ranking de produção mundial da oleaginosa. Com problemas climáticos, os americanos também colheram pouco mais de 82 milhões de toneladas. A comercialização ocorreu de forma gradual, mas com preços sempre acima das médias históricas, reflexo de um cenário de aperto na oferta mundial do produto. Lembrando que em 2011/ 12 o clima foi o algoz da produção sulamericana, ajudando a sustentar os preços. Para a temporada que se inicia, o quadro não mudou muito. Bom para o produtor. Se tudo ocorrer dentro da normalidade – ou seja, sem problemas climáticos –, o Brasil tem tudo para encaminhar o sétimo aumento consecutivo de área e quebrar novo patamar de produção. Os mais otimistas indicam safra acima de 90 milhões de toneladas, o que, mais uma vez, levaria o Brasil a disputar o posto de liderança com os Estados Unidos, que deverão colher 93 milhões de toneladas, segundo os otimistas números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O tradicional levantamento de intenção de plantio da soja de Safras & Mercado, na sua 24ª edição, identifica em números todo este otimismo. A exemplo do observado em 2012, as chamadas meteorológicas apontam para neutralidade climática, ou seja, ausência dos fenômenos El Niño e La Niña, o que volta a deixar as previsões de chuvas mais erráticas, dificultando o estabelecimento de uma projeção para o início dos trabalhos, faz a ressalva o analista de Safras Flávio França Júnior. No ano passado, para uma intenção de plantio divulgada em julho de 27,218 milhões de hectares, a área efetivamente plantada chegou a 27,905 milhões, com diferença maior de 2,5%, superando a média de 2,1% (2,5% em 2011, 1,5% em 2010, 3,5% em 2009 e 0,3% em 2008). "Nesse caso, também semelhante ao ocorrido nas três safras anteriores, embora todo o direcionamento do mercado tivesse sido mapeado, a surpresa ficou por conta da intensidade do estímulo via preços, especialmente pelos picos alcançados no momento crítico da tomada de decisão pelos produtores", lembra França Júnior.

Para a temporada 2013/14, a indicação é de novo para incremento na área de soja, mas desta vez em ritmo bem inferior ao avanço de 10% desta última safra. Da mesma forma que em 2012, embora de maneira mais conservadora, há o predomínio de variáveis favoráveis à soja, as quais serão destacadas e analisadas na sequência: lucratividade bruta média fortemente positiva, boa disponibilidade de crédito, preços recebidos em elevação durante 2013, ficando abaixo apenas dos picos do ano passado, preços futuros praticados e indicados ainda remuneradores, positiva demanda interna e externa, possível manutenção de elevado nível tecnológico das lavouras e dificuldade de incremento nas áreas das culturas alternativas na safra de verão, especialmente no caso do milho. "Por essa razão, mais uma vez nesta nova safra há dúvida consistente na amplitude do incremento de área que os produtores podem praticar", alerta.

Área com 4% de expansão — O levantamento sinaliza que a área a ser semeada com soja no Brasil na safra 2013/14 deve ficar entre o intervalo de 28,201 milhões e 29,701 milhões de hectares, com média em 28,951 milhões. Esse total, em caso de confirmação, representaria um incremento de 3,7% sobre os 27,905 milhões cultivados na safra atual. Desse modo pode-se indicar que o País provavelmente experimentará o sétimo avanço consecutivo no plantio da cultura, consolidando novo recorde histórico. Mas, diferentemente do ano passado, quando não havia a menor dúvida quanto ao incremento da área de soja, desta vez a certeza só acontecerá nos próximos meses, muito a depender do que acontecerá com o mercado, da própria soja ou das culturas alternativas.

"Ao tomarmos como hipótese o comportamento normal do clima e a manutenção de elevado nível tecnológico nas lavouras, chegamos a uma estimativa preliminar média de produtividade de 3.046 quilos/hectare, superior em 3,3% aos 2.949 quilos da safra atual, mas ainda inferior ao recorde de 3.077 quilos da safra 2010/ 11", afirma o analista. A combinação desses dois números resulta em um potencial médio inicial de produção no País de 88,172 milhões de toneladas, com intervalo mínimo de 85,901 milhões e máximo de 90,443 milhões, refletindo os limites levantados para a área. "Dessa maneira estamos falando de um aumento potencial de 7,4% sobre 82.125 milhões de toneladas da revisada safra colhida em 2013", projeta. A indicação até o momento de que a temporada acontecerá novamente em situação de neutralidade climática (ausência dos fenômenos El Niño, que normalmente traz chuvas acima da média, e La Niña, que normalmente está associado a chuvas abaixo da média) levanta, entretanto, dúvidas quanto ao comportamento das chuvas, tanto em relação ao momento da chegad a na região central durante a primavera como na questão da regularidade durante o verão. Mais ou menos como aconteceu na safra deste ano.

Para esta nova safra, diferentemente do observado na temporada anterior, desta vez o crescimento da área de soja diversas regiões do País. Começando pela Região Sul, há aumento médio indicado de 1,5% na área a semear, ocupando basicamente áreas de milho e de pecuária. No Centro-Oeste o avanço está estimado em 4,5%, com a soja devendo avançar sobre áreas de pastagens degradadas, áreas de pousio e áreas novas de cerrado, notadamente na parte leste do Mato Grosso. Na Região Sudeste o crescimento está indicado em 3,4%, também com avanço em áreas de milho e pastagens. Já para o Nordeste e o Norte o incremento da área sobe para 5,8% e 12,6%, respectivamente, igualmente entrando em áreas de pastagens subutilizadas e áreas de cerrado já abertas. Esse avanço bem acima da média nacional para os estados do Mapitoba está ligado aos pesados investimentos realizados por grandes grupos e a expectativa de melhora no perfil do escoamento.

Fatores de estímulo — No mesmo contexto observado nas últimas seis safras, há o predomínio das variáveis favoráveis ao aumento do cultivo da soja no País, que são as seguintes:

1) Lucratividades brutas parciais positivas: apesar do aumento nos custos de produção e algumas perdas regionais de produtividade, a comercialização vai acontecendo com resultados médios parciais positivos para os produtores brasileiros na sua relação receita x custo, pelo sétimo ano consecutivo. Tomando algumas das principais praças negociadoras do País, a lucratividade bruta varia de 44% a 56%;

2) Novo aumento na disponibilidade de crédito: no lado público, o Plano Agrícola e Pecuário 2013/14 voltou a elevar a disponibilidade de recursos para custeio e comercialização em 12%, subindo de R$ 86,95 bilhões para R$ 97,6 bilhões. E, no lado privado, avanço pelos expressivos resultados obtidos na safra anterior;

3) Elevados preços médios obtidos: apesar dos preços médios de 2013 estarem entre 6% e 13% inferiores aos de 2012, tomando algumas das principais praças negociadoras, esses valores são os segundos maiores da história e amplamente remuneradores aos produtores. A favor dessa composição há a média na Bolsa de Chicago ainda 1% superior ao ano passado e a taxa de câmbio 6% maior. Negativamente, a formação de prêmios de exportação bem inferiores;

4) Fluxo normal de negócios antecipados: apesar do cenário de preços mais fracos para o próximo ano, o ritmo dos negócios da safra nova chega no início do segundo semestre de 2013 a 15% e está dentro da média histórica e a preços remuneradores;

5) Positiva sinalização da demanda: mais uma vez, apesar das dificuldades de recuperação, a economia mundial deve crescer um pouco mais em 2013 do que em 2012, e ainda um pouco mais em 2014, com taxas de 3,5% a 4%;

6) Manutenção ou nova elevação do nível tecnológico das lavouras: o aumento dos custos deve conter, mas dificilmente impedirá, novo avanço do uso de tecnologia nas lavouras, com aumento nos investimentos em sementes certificadas, calcário, fertilizantes, defensivos e maquinários;

7) Dificuldade de aumento na área de culturas alternativas: em 2012 a soja avançou sobre áreas das culturas alternativas na safra de verão. Já em 2013 os preços melhoraram no arroz, feijão e algodão. Mas a principal cultura concorrente da soja, que é o milho, segue com preços limitados e mais baixos até este momento;

8) Boa oferta de sementes: ao contrário de 2012, quando perdas de safra limitaram fortemente a oferta, desta vez não haverá limitação tecnológica e de área a ser cultivada pelo lado da oferta de sementes;

9) Melhores prêmios de exportação: considerando os baixos prêmios de exportação observados em 2013, pressionados pela safra cheia e pelos graves problemas de logística enfrentados pelo País, os valores praticados neste momento para 2014 estão levemente melhores;

10)Limitações na expansão da cana: por conta dos preços mais baixos observados ao produtor em 2012 e em 2013, o avanço do cultivo da cana deve ser contido nesta temporada.

Fatores limitantes — No ano de 2013 foi identificado aumento das variáveis negativas para o incremento da área de soja no Brasil:

1) Forte aumento nos custos de produção: apesar dos dados serem ainda preliminares, as primeiras planilhas que estão saindo com a montagem dos custos de produção apontam para forte incremento sobre o ano passado. Caso dos 7% no Paraná (Deral) e dos impressionantes 38% no Mato Grosso (Imea);

2) Cenários de preços mais fracos na Bolsa de Chicago em 2014: considerando a obtenção de safra recorde na América do Sul, as projeções atuais de safra também recorde nos EUA e a possibilidade de novo aumento da área sul-americana em 2013/14, a tendência é que os preços em Chicago caminhem para próximo da média histórica nesta próxima temporada;

A recente safra de soja foi a maior da história do Brasil ao superar 82 milhões de toneladas, e assim, pela primeira vez, o País ameaçou a liderança americana neste ranking

3) Insegurança cambial: apesar do favorecimento na formação dos preços em 2012 e em 2013, não há clareza de cenário para a taxa de câmbio neste próximo ano. Especialmente porque a atuação do Governo é no sentido de trazer essa taxa para patamares mais acomodados;

4) Cenários de preços domésticos mais conservadores em 2014: a confirmação de cotações mais acomodadas em Chicago, e possivelmente também na taxa de câmbio, tende a limitar os preços no mercado interno no próximo ano, também para próximo das médias dos últimos cinco anos;

5) Resultados financeiros desfavoráveis aos produtores: os números parciais de rentabilidade da soja até junho de 2013 estavam em -10,64%, na média nacional, abaixo de diversos investimentos, como a poupança, o dólar e as aplicações em CDB e renda fixa.

Estoques ainda mais tranquilos — Considerando essa sinalização inicial de produção para o próximo ano, há a montagem inicial de um quadro de oferta & demanda para o complexo soja brasileiro ainda mais folgado do que já foi o atual em termos de estoques de passagem. "Na soja, estamos projetando estoques finais subindo de 3,022 milhões para 6,194 milhões de toneladas, resultantes da combinação de 7% a mais de produção, 771% a mais de estoques de ingresso, 5% a mais de processamento, passando de 38 milhões para 40 milhões de toneladas, e 9% a mais de exportações, subindo de 38,5 milhões para 42 milhões de toneladas", descreve. "No farelo, estoques subindo de 496 mil para 796 mil toneladas, respondendo à combinação de 29% a menos de estoques de ingresso, 6% a mais de produção, 4% a mais de consumo doméstico, passando de 14,3 milhões para 14,9 milhões de toneladas, e 5% a mais de exportações, subindo de 14,5 milhões para 15,2 milhões de toneladas. E, no óleo, estoques passando de 301 mil para 421 mil toneladas, combinando 33% de aumento nos estoques de ingresso, 5% a mais de produção, 5% de incremento no consumo, passando de 5,6 milhões para 5,88 milhões de toneladas, e 3% de aumento nas exportações, subindo de 1,55 milhão para 1,6 milhão de toneladas", resume o analista.

A análise dos preços — Em relação à remuneração dos produtores pelo comportamento dos preços, Safras identificou um efeito misto sobre o ânimo dos produtores, mas predominantemente positivo. O lado negativo é que as bases praticadas na temporada no mercado interno vão ficando bem abaixo das praticadas no ano passado. Isso tanto nas cotações em dólares como nas cotações em reais. Mas, por outro lado, há o aspecto ainda positivo de que os preços seguem bastante elevados em relação aos padrões históricos, ficando abaixo mesmo apenas dos recordes alcançados em 2012. "Em resumo, apesar do recuo, os preços seguem muito interessantes. Mais ou menos como já foi observado em 2012, e como veremos na análise da rentabilidade, os patamares vêm ganhando força no decorrer dos últimos meses. Por esse motivo, acreditamos que essa é uma variável com saldo estimulante ao avanço da cultura no País para essa nova safra", frisa França Júnior.

Há aqui um porém e também outra diferença sobre o ano que passou. Apesar dos preços ainda estarem remuneradores na soja e terem inclusive apresentado alguma melhora relativa em relação ao milho, seu principal concorrente no plantio de verão, desta vez houve perda de força sobre outras importantes culturas, como os casos do arroz, do feijão e do algodão. O que tende a atuar como um amortecedor no ímpeto do avanço de área.

Considerando valores parciais de julho de 2013, há um acumulado do ano das cotações em dólares com médias inferiores às médias fechadas em todo o ano passado entre 11% e 18%, tomando como base quatro das principais praças negociadoras do País. No próprio mês de julho, houve recuo de 18% a 29% em relação a julho de 2012. Só apenas no comparativo com a média de cinco anos para o mês de julho é que essas relações melhoraram, variando entre -1% e 6%. Já para os comparativos em reais estas diferenças passam a ser um pouco mais amenas, embora ainda negativas. As médias de 2013 estão entre 6% e 13% menores que as médias para todo o ano que passou. E, especificamente no mês de julho, os preços estão entre 9% e 19% menores que em julho do ano anterior.

Indicadores de preços com ênfase negativa — E, para entender como as cotações no mercado brasileiro chegaram a esse ponto de desvalorização sobre 2012, basta observar a combinação mais negativa nos três indicadores básicos da formação dos preços no País. Começando pelo mercado internacional, referenciado pelo mercado de futuros da Bolsa de Chicago, que aponta praticamente para estabilidade sobre o ano passado, embora com tendência de piora nessa relação nos próximos meses. Até o início de julho, o mercado spot da soja na bolsa tinha valor médio ainda 1% acima da elevada média total do ano anterior.

Já no comparativo entre os meses de julho as relações voltam a ser mistas. Abaixo 5% sobre julho do ano passado, mas acima 19% sobre a média dos últimos cinco anos. De um lado, o mercado tem atuado positivamente na manutenção de preços físicos recordes nos EUA em função do aperto nos estoques, combinando firme demanda local e mundial, e safra prejudicada pelo clima nos últimos três anos. Mas, por outro lado, a tendência dos preços aponta para baixo a partir da entrada da nova safra norte-americana, caso haja a confirmação de produção recorde, seguindo o recorde já obtido na América do Sul.

O segundo desses indicadores para os preços internos vem pelo lado dos prêmios de exportação, que, além de terem se mantido negativos durante praticamente toda a temporada, vêm mostrando perdas elevadas sobre as médias do ano passado. Depois de um ano de prêmios fortemente valorizados, estão ocorrendo bases negativas desde março, com média negativa anual depois de quatros anos de valores amplamente positivos. Tomando o porto de Paranaguá/PR como referência, há uma média parcial em 2013 de – US$ 2,41/bushel, muito inferior aos US$ 148,24/bushel da média total de 2012. Foram três os grandes motivadores para esse expressivo recuo na formação dos prêmios: obtenção de safra recorde no Brasil e na América do Sul, propiciando pressão pelo lado vendedor; alta nos preços do petróleo, influenciado nos valores dos fretes marítimos; e graves problemas internos na logística de transporte, de escoamento e de embarques.

Segundo levantamento de Safras & Mercado, a área a ser plantada com soja no Brasil na safra 2013/14 deve ficar entre o intervalo de 28,201 milhões e 29,701 milhões de hectares, com média em 28,951 milhões

E, por último, mas de forma não menos relevante, há a influência positiva propiciada pela nova elevação da taxa de câmbio, dominantemente pelo movimento de valorização do dólar no mercado internacional, e a diminuição do fluxo de divisas para dentro do País. Neste caso combinando piora do saldo comercial e retração da presença do capital especulativo, especialmente como reflexo da melhora na economia dos EUA e das restrições impostas pelo Governo Federal. No acumulado do ano está se falando em avanço de 6% sobre a média de 2012. Sendo que esse avanço salta para 11% no comparativo do mês de julho de 2013 com o mesmo período de 2012.

Análise da lucratividade — Nessa análise do conjunto de variáveis atuantes na tomada de decisão dos produtores, o segundo fator a acompanhar é a lucratividade bruta, que compara a receita ao custo de produção. E é aqui onde o sentimento está mais favorável à soja nesta temporada, mantendo lucratividades positiva pelo sétimo ano consecutivo (ou sexto em alguns casos). E também sem chances de inverter essa condição até o final do ano. Esse desempenho está substancialmente condicionado à combinação de altos preços médios praticados, com a obtenção de positivos resultados em termos de produtividade, apesar de alguns reveses regionais. No lado dos custos, a safra foi semeada com aumento de 16% no Paraná, 7% no Mato Grosso, 17% no Rio Grande do Sul, 10% no Mato Grosso do Sul e 14% em Goiás. E no lado da produtividade o resultado geral do País foi amplamente favorável, depois da desastrosa safra colhida em 2012.

Apesar de algumas perdas regionais, nessa análise há aumento no rendimento de 36% no Paraná, queda de 4% no Mato Grosso, avanço de 70% no Rio Grande do Sul, melhora de 6% no Mato Grosso do Sul e recuo de 3% em Goiás. Da combinação dessas duas variáveis aos preços médios já comentados, chega-se à lucratividade bruta parcial positiva em 56% no Rio Grande do Sul, 55% em Goiás, 54% no Paraná, 46% no Mato Grosso do Sul e 44% no Mato Grosso. Todos utilizando como base o custo operacional de produção.

Análise da rentabilidade — A terceira variável nessa análise da renda dos produtores brasileiros é a rentabilidade, que, diferentemente das outras duas, vem apresentando desempenho parcial bastante negativo e desestimulando ao cultivo da soja. Essa análise considera a soja como ativo financeiro, ou seja, opção de investimento, comparando suas variações mensais com a inflação e com outros importantes ativos financeiros existentes no País. Os resultados desse primeiro semestre foram bem negativos, ficando muito aquém do excepcional e recorde desempenho do ano passado. E no comparativo com os demais ativos analisados só não foi pior do que os péssimos resultados assumidos pelo ouro e pelo mercado de ações. A média da soja no Brasil acumulou perda real (já descontada a inflação) de 10,64% entre janeiro e junho de 2013, sendo de 11,24% em Cascavel/PR, 9,02% em Passo Fundo/RS e 12,47% em Rondonópolis/MT. Ainda no lado negativo dessa análise existe os 20,77% de perdas reais do ouro no mercado spot da BM&F e os 23,6% de perdas do Índice Bovespa. Já pelo lado positivo, há o ganho real de 0,61% na variação da poupança, de 1,55% no CDB Préfixado, de 7,13% no dólar paralelo e de 7,21% no dólar comercial.