A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Cooperativismo

 

A excelência em cooperativismo

A cooperativa paranaense Coamo se aproxima de ter 25 mil associados e prevê faturamento de R$ 6 bilhões em 2012

A Granja do Ano – O momento é bom para o produtor brasileiro, visto as cotações em alta. Neste contexto, quais são as perspectivas do associado da Coamo para a safra de verão 2012/2013?

Aroldo Galassini – O produtor já está definido para a safra 2012/2013 desde antes da crise americana. Até pela questão da quebra na safra de soja. O Brasil perdeu 10 milhões de toneladas, a Argentina mais 5 milhões, 6 milhões. E o milho não estava com bons preços. O associado perdeu muito com o milho lá atrás, preço muito baixo, grão sobrando... então, ele já tinha ido para a soja porque o preço do milho teve momentos bons e momentos ruins. E, quando tem um excedente, o milho não é um produto igual à soja, que tem mercado internacional sempre. O milho só eventualmente dá para exportar, e, assim, quase sempre o mercado interno é melhor que o externo. Então, em função disso, o cooperado vai plantar mais soja neste ano. A previsão dele é plantar mais soja em comparação ao milho de verão, que é plantado em setembro e colhido em janeiro e fevereiro. Com esta quebra da safra americana, os preços do milho subiram muito, e os da soja mais ainda. Então, o associado vai plantar muita safrinha. No ano passado, o associado plantou 295 mil sacas de sementes e, neste ano, ele já pediu (até início de agosto) mais de 400 mil sacas. E ele vai continuar comprando. Então, o cooperado vai avançar mais no milho safrinha em cima da área do trigo, que, infelizmente, por questões comerciais – pouca procura, preços ruins –, o pessoal se sentiu desestimulado a plantar. Já tivemos em 2012 uma quebra de trigo no Paraná de 30%, e na área de atuação da Coamo de 25%. E a queda do trigo deve se ampliar em função do milho. Então, é mais soja que milho na safra de verão, e no inverno mais safrinha de milho que trigo.

E o que o senhor e a Coamo esperam das cotações no ano agrícola 2012/2013? Será que vão se manter nestes patamares?

O comportamento do produtor em 2011/2012 veio de uma safra brasileira quebrada. Aí, na Bolsa de Chicago houve uma alta muito grande por conta da quebra da safra sul-americana. Então, a soja, que era vendida a R$ 40 “e pouco”, foi lá para R$ 50 “e pouco”. E o pessoal vendendo a safra 2011/12 em grande velocidade. Não sei se este comportamento do produtor ocorreu no Brasil todo, mas entre os cooperados da Coamo foi bastante rápida a comercialização, porque os preços estavam muito bons. E depois emendou a quebra da safra americana e os preços realmente explodiram. Nunca estiveram tão bons. E o cooperado continuou vendendo. E já vendeu (até início de agosto) 20% da próxima safra de soja, porque os preços estão muito bons. Ele está bem capitalizado, apesar de ter tido uma quebra de safra de verão, mas os preços compensaram, não sei se totalmente ou não. Mas, depois, ele entrou no milho safrinha num grande ano, e os preços que já estavam de R$ 18 para R$ 22 a saca aqui no interior, voltaram a subir, e estão R$ 27,50 para R$ 28, dependendo da região. Isso livre ao produtor. Nunca tinha se chegado a este preço. Por isso, ele se animou e vai plantar muito milho safrinha. Ele está bem capitalizado, e é bom de ver o produtor bem capitalizado e animado, fazendo o uso de tecnologias mais apuradas, buscando maior produtividade.

O que o senhor destacaria como mais importantes conquistas da Coamo nos últimos 12 meses e quais são os objetivos, as metas para os próximos 12 meses?

A Coamo está tendo um crescimento bastante grande. Em maio, aprovamos um investimento de R$ 275 milhões para ser implantado em três anos (2012 a 2014). O maior investimento é na área de armazenagem: três novos entrepostos no Paraná e cinco no Mato Grosso do Sul. Na área de modernização, entre Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, 40 entrepostos sofrerão modernização, como aumento da secagem, colocação de tombadores, novos elevadores, etc., para agilizar a recepção dos produtos. Na área industrial, e já está comprado, vamos dobrar a capacidade de produção da gordura vegetal, de 200 para 400 toneladas/mês. E já adquirimos também um moderno moinho de trigo de 500 toneladas/dia de farinha. Quanto ao ano 2011/12, o faturamento foi de R$ 5,970 bilhões e sobras aos associados de R$ 369 milhões. E a previsão neste ano é de ultrapassar os R$ 6 bilhões em função das cotações e dos volumes de milho safrinha.

Aroldo Galassini é diretor-presidente da Coamo