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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Pesquisa Agropecuária

A multinacional da pesquisa agropecuária

A Embrapa se firma cada vez mais no cenário internacional e ainda inaugura novas unidades no país, como o centro Agrossilvipastoril, em Sinop/MT

A Granja do Ano – Como está o processo de internacionalização da Embrapa? O que evoluiu de um ano para cá?

Pedro Arraes – Em primeiro lugar, o estatuto foi aprovado, o que permite os meios legais para se ter um braço internacional. Agora está praticamente delineada a Embrapa Internacional, que é uma entidade diferente da Embrapa. Tem CNPJ, como o BNDES tem, a Petrobras tem. Na verdade é uma forma que vimos para arrecadar recursos internacionais. Há vários instrumentos, como marketing play e um departamento internacional. Há recursos que você capta lá na Embrapa Internacional. Já que estes recursos poderão ser potencializados em viagens, projetos fora do Brasil. É uma forma de não ficar amarrado no orçamento. E, por ouro lado, o nosso orçamento, aprovado pelo Congresso Nacional, é para se trabalhar aqui no Brasil, nos problemas brasileiros. Então, é uma forma de fazer esta prestação de todos serviços que são interessantes para a Embrapa, como o de solidariedade, instrumentos de políticas externas, sem utilizar recursos brasileiros. São recursos de agências do Banco Mundial, do Banco Interamericano, da Bill & Melinda Gates Foundation. Os próprios governos africanos e latinoamericanos que têm interesse em fazer algum tipo de parceria, viabilizamos por meio da Embrapa Internacional, o que facilita os depósitos internacionais, a prestação de contas, as regras que regem estas entidades. Então, adiantou bastante. Estamos implantando aqui dentro da Embrapa o núcleo de apoio à Embrapa Internacional. Na verdade, vai acontecer como se a Embrapa contratasse a Embrapa Internacional para desenvolver certas atividades de interesse do Brasil.

o que se pode esperar das novas unidades da Embrapa? Acabou de ser inaugurada a Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop/MT...

A Embrapa Agrossilvipastoril é um centro extremamente interessante, que tem uma forma de gestão diferenciada. É um centro regional, em Sinop, numa confluência de biomas, o Amazônico e o do Pantanal. E é um centro transversal. Para se ter uma ideia, tem 12 pesquisadores de outros centros – como Embrapas Milho e Sorgo, Arroz e Feijão, Florestas – que estão alocados dentro deste. Então, foi inaugurado, mas já tem uma série de atividades em andamento. Um projeto muito bonito de integração lavoura-pecuária, uma série de testes de variedades de milho, soja e arroz, e está se montado um sistema de produção de leite para pequenas propriedades, o que tem muito naquela região. É um centro que nasceu com toda uma concepção diferente, arquitetônica, feito com madeiras apreendidas, a parte externa das vigas. Tem a lógica daquela região. Ficou muito bonito, está muito bem montado, já tem uma equipe de 90 pessoas, quase 60 pesquisadores, jovens, um time de gestão que tem um comando firme e uma liderança forte. Então, já tem uma atividade muito interessante. Foi muito legal a inauguração exatamente por isso, pois demonstrou muito claramente antes da inauguração que o centro já nasceu. Porque o que o pessoal mais olha é a construção. Outro centro é o de Pesca e Aquicultura (Palmas/TO), uma área de altíssima prioridade mundialmente falando. Também é um centro de pessoas jovens, de quase 70 pessoas, já tem uma área experimental, tanques, o estado doou uma área. Eu acredito que se tudo correr a mil maravilhas, pode ser que até janeiro estejamos inaugurando o prédio principal. E o último centro que falta dentro do Plano de Aceleração do Crescimento é a Embrapa Cocais, que a construtora faliu e só tinha feito a terraplanagem. Estamos readequando o projeto de engenharia e esperamos fazer a licitação ainda neste ano para que as obras iniciem no ano que vem.

Pedro Antônio Arraes é diretor-presidente da Embrapa