A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Arroz

 

Busca incessante pela rentabilidade

A Granjas 4 Irmãos cultiva arroz em até 7.800 hectares e ainda diversifica o negócio ao investir em soja, gado Angus e pecuária de leite

A Granja do Ano – Em que segmentos a empresa Granjas 4 Irmãos atua? Além de arroz, que mais cultiva e em que área?

Leandro Saraiva Flores – Atualmente todas as atividades da empresa são desenvolvidas em uma área de 25 mil hectares, e a principal atividade é o arroz, chegando até a 7.800 hectares. Como forma de rodízio, reposição de nutrientes e oportunidade de diversificação, a soja vai ganhar espaço de 2.100 hectares para o próximo ano. A pecuária de corte possui 8.500 animais da raça Angus, trabalhando com ciclo completo, em um sistema de integração lavoura-pecuária. A operação de leite, apesar de ter apenas seis anos, já é o nono maior produtor do Brasil, com 900 animais em ordenha e 7 milhões de litro/ano em uma área fixa de 607 hectares.

Quais são as metas da empresa para os próximos 12 meses?

Buscar o aumento da rentabilidade em todos os negócios desenvolvidos pela empresa, mantendo altas produtividades e baixo custo de produção, focando sempre em novas tecnologias e valorização da mão de obra, respeitando sempre o meio ambiente.

O que a empresa faz para ampliar as produtividades das suas lavouras?

A Granjas 4 Irmãos procura sempre aprimorar as tecnologias de cultivo com ações de planejamento, treinamento e capacitação de pessoal, estratégias de qualidade e comprometimento, trabalho em equipe, estabelecimento de metas e objetivos com todos os colaboradores. Atualmente, os tópicos para atingirmos as melhores produtividades em arroz e soja são os seguintes: preparo de verão antecipado, rotação de culturas (soja), integração lavoura-pecuária (pastagens), plantio na época recomendada, utilização de sementes de boa procedência, adubação balanceada, controle preventivo de invasoras, insetos e doenças, eficiência de irrigação, colheita e secagem.

Que perspectivas o senhor visualiza para o próximo ano agrícola para o segmento de arroz no Brasil?

As perspectivas são boas, pois os estoques de arroz devem ter leve queda na safra 2012/13, após uma sequência de alta por seis anos, mesmo com a produção brasileira permanecendo pouco acima do consumo. O Governo não deverá utilizar os recursos previstos, pois os preços médios devem ser superiores aos praticados. Os leilões de PEP não devem também ser acionados devido ao preço pago ao produtor ser maior que o preço mínimo. E há a ocorrência de fatores climáticos desfavoráveis, como enchentes na Ásia e seca nos EUA, que ocasionam preços maiores em commodities agrícolas, tais como milho, soja e trigo, tornando os preços pagos para arroz ao produtor no Brasil maiores que os da safra passada.

Na sua opinião, que políticas o Governo deveria implementar para promover o desenvolvimento do segmento orizícola no país?

Sem dúvidas, o produtor de arroz necessita de uma política definida para ter segurança. Isto implica em um programa de apoio à exportação confiável, definitivo, claro e duradouro, com suportes variáveis em função dos valores de mercado internacional, semelhante ao que existe nos EUA.

Os produtores brasileiros reclamam muito da concorrência desleal com o arroz do Mercosul, devido à alta carga tributária do Brasil. O que o senhor pensa a respeito disso e o que poderia ser feito?

A carga tributária brasileira é realmente bem maior, ainda assim os países maiores exportadores de arroz do Mercosul para o Brasil têm um mecanismo de devolução de impostos para exportação de arroz chamado “reintegro” ou retorno de impostos. O Brasil em função de já ter assinado acordos, poderia limitar as quantidades importadas em função de um histórico ocorrido. Assim, não estaremos com este mesmo problema daqui a algum tempo.

Leandro Saraiva Flores é diretor da Granjas 4 Irmãos