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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Algodão

 

Mar branco no sertão baiano

Grupo Horita vai plantar 33 mil hectares de algodão e planeja aumentar o faturamento com a pluma para R$ 245 milhões

A Granja – O que o Grupo Horita planeja, se propõe, para o algodão para a próxima safra 2012/2013? Em relação a área, produtividade, produção e rentabilidade? Walter Horita –

Vamos plantar 33 mil hectares, um aumento de 10% em relação à safra passada. Nossa produtividade média nos últimos anos é de 300 arrobas de algodão em capulho por hectare. Com isso, esperamos produzir 60 mil toneladas de algodão em pluma e 80 mil toneladas de caroço de algodão, com rentabilidade de 40%, tendo como base um custo estimado de produção de R$ 5.200 por hectare. Se o clima ocorrer com a normalidade esperada e o contexto macroeconômico for favorável, esta é a nossa expectativa.

E quais são as perspectivas do Grupo quanto às cotações, que bateram recordes mundiais há pouco tempo e depois baixaram?

Hoje, o mercado sinaliza um suporte em torno de US$ 0,72 por libra-peso, após ter batido um recorde histórico em fevereiro de 2011, quando ultrapassou US$ 2 por libra-peso, mas todos sabiam que era insustentável. De maneira geral, aquela valorização excessiva não foi boa, porque pouquíssimos produtores tinham produto para vender naquele preço e, para piorar, todos se sentiram estimulados a aumentar a área, gerando um excedente no mercado e elevação nos estoques. O que veio a seguir é uma história conhecida, fundamentada na lógica do mercado: queda nos preços. Este ano, com os preços da soja e do milho em alta, a área de plantio de algodão para a próxima safra certamente será menor, provocando um novo ciclo de alta. Eu acredito que o preço do algodão volte ao nível de US$ 0,90 por libra-peso.

O que o senhor tem achado das aprovações e contestações do Código Florestal? Que opiniões o senhor tem em relação às discussões em torno da relação agricultura & meio ambiente?

O Novo Código Florestal Brasileiro foi, sem dúvida, um dos mais importantes e debatidos trabalhos realizados na história recente do Congresso Nacional. Teve à frente pessoas sérias e competentes, com destaque para o relator do projeto na Câmara, o deputado Aldo Rebelo, que soube conduzir o processo de forma racional e democrática. O resultado pode não ter atendido a todos, nem ter sido o ideal, mas foi o mais democrático possível. Eu acredito que, passada esta fase de discussão do Código Florestal, agricultura e meio ambiente finalmente precisam caminhar juntos e acho que estamos neste caminho. Tanto os produtores entendem que precisam preservar para as gerações futuras e para a sustentação dos seus próprios negócios, como, também, os ambientalistas entendem que é necessária uma solução equilibrada, pois ninguém questiona que a humanidade precisa se alimentar e se vestir. Os agricultores estão muito conscientes quanto ao papel que têm de desenvolver. Investem em tecnologia para aumentar a produtividade e em boas práticas agronômicas com baixo impacto ambiental. É fato que o maior ativo do agricultor é a terra, e há uma consciência generalizada que ele precisa, mais do que ninguém, cuidar desse patrimônio.

Que mais considerações o senhor gostaria de fazer sobre o algodão, o Oeste Baiano, o agronegócio brasileiro e o país como um todo?

O Oeste da Bahia teve, neste ano, sua safra bastante comprometida em função do clima. A estiagem mais severa da sua história agrícola. O algodão foi uma das culturas que mais sentiu a influência da seca. Mas quem bem conhece a agricultura sabe que um ano de frustração não torna o negócio, em si, ruim. Aliás, no contexto geral, a situação é muito boa para o Oeste Baiano e para o agronegócio brasileiro. Não podemos perder este momento, que é importantíssimo para o Brasil se estabelecer como um dos principais fornecedores de produtos agrícolas para mundo. Temos tecnologia desenvolvida, Grupo Horita Sede: São Desidério/BA Área do algodão safra 2012/2013: 33 mil hectares Produção 2012/2013 (prevista): 150 mil toneladas de algodão em capulho Produtividade (prevista): 300 arrobas/hectare Faturamento com algodão em 2011: R$ 195 milhões Faturamento com algodão em 2012 (previsto): R$ 245 milhões agricultores preparados e um grande estoque de terras para ser explorado, basta que se realize um zoneamento agroecológico respeitando o novo Código Florestal e permitir que estas novas áreas sejam incorporadas ao processo produtivo. Com essas medidas somadas aos investimentos necessários em infraestrutura para escoamento e exportação do nosso excedente, o Brasil poderá vir a ser, verdadeiramente, o “celeiro do mundo”.

Walter Horita é sócio-proprietário do Grupo Horita