A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Ovinos

 

Pioneirismo na carne de cordeiro

Cabanha Cerro Coroado ajudou a divulgar a carne de cordeiro no país e hoje colabora para difundir a genética de qualidade

A Granja do Ano – Como foi desenvolvido o trabalho de excelência genética da cabanha?

Armando Garcia de Garcia – Nosso trabalho iniciou em 1980, quando importamos da França dois carneiros e 22 borregas da raça Ile de France. Em 1983 foi feita uma nova importação, de dois machos e 50 fêmeas, o que, na época, fez com que a cabanha tivesse o maior rebanho da raça no Brasil. A criação de ovinos Suffolk também foi iniciada em 1980, com a importação de um carneiro e 20 borregas da Inglaterra. No ano seguinte, foi feita uma nova aquisição, desta vez, da Nova Zelândia, de onde vieram um macho e sete fêmeas e, em 1985, novamente da Inglaterra, mais um macho e seis fêmeas. Em 1984, iniciamos com a raça Texel, buscando animais na França. A partir dessa época, passamos a importar exemplares também de outros países e a comprar reprodutores campeões em exposições. Desde o início da década de 80, estivemos presentes em todas as edições da Expointer, onde comemoramos diversas premiações.

E como foi a atuação da Cerro Coroado no mercado da carne?

Temos orgulho em dizer que colaboramos para divulgar e difundir o consumo da carne de cordeiro no país. Realizamos diversos almoços e colocamos nossos cortes em supermercados e restaurantes de diferentes estados com as marcas Cerro Coroado e Cordeiro Mamão. Investimos sempre em qualidade, para mostrar ao consumidor o diferencial de sabor e maciez dessa carne. Hoje, não trabalhamos mais com a venda da carne, mas ainda comercializamos animais para abate. No período entre julho de 2011 e junho de 2012, foram 1.500 cabeças vendidas.

Atualmente, qual é a estrutura do rebanho da Cerro Coroado?

A cabanha faz parte da Agropecuária Cerro Coroado, que, além do rebanho ovino, também tem como atividades, em outras propriedades, a criação de cavalos Crioulos, a produção de arroz e de soja e a pecuária de corte. Nosso rebanho é altamente qualificado, com 600 fêmeas puras, das raças Texel, Suffolk e Ile de France, e um rebanho geral com 1.900 animais. Também mantemos um banco com 20 mil doses de sêmen preservadas dos nossos melhores reprodutores. Para os próximos anos, nosso desafio e objetivo principal é dar continuidade ao processo de melhoramento genético do rebanho, trabalho acompanhado de perto pelo meu filho, Teófilo Pereira Garcia de Garcia.

Como o senhor avalia o momento da ovinocultura no Brasil e quais são os desafios para um maior desenvolvimento da cadeia produtiva?

A ovinocultura pode ter um desenvolvimento importante nesse momento, em que o mercado indica preços em torno de R$ 4,50 pelo quilo do cordeiro vivo, um valor condizente com uma boa remuneração. É uma pena que nas últimas décadas a atividade tenha decrescido, especialmente no Rio Grande do Sul. O rebanho gaúcho, que nos anos 80 era de 13 milhões de cabeças, hoje é de cerca de 4 milhões de cabeças. Agora, com os preços mais atrativos, é possível que tenhamos um novo estímulo para a atividade. Acredito que os principais desafios para uma maior evolução da cadeia são o alto índice de roubo de animais nas propriedades, as dificuldades para manter os preços positivos e a falta de mão de obra qualificada e comprometida com as peculiaridades da atividade.

Armando Garcia de Garcia é proprietário da Cabanha Cerro Coroado