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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Frango

 

O consumo e o custo decolaram

A avicultura aposta muito nos mercados interno e externo, apesar do aumento dos custos de produção em razão da quebra do milho nos Estados Unidos

Luiz Silva

A avicultura brasileira vive de altos e baixos desde 2011, quando as exportações cresceram e o consumo interno evoluiu. Mesmo que o setor tenha apresentado reação durante o primeiro semestre de 2012, nem todos os bônus têm chegado ao produtor. Em virtude dos problemas enfrentados pelas demais carnes, o quadro se alterou e os preços voltaram a ceder durante os meses de junho e julho de 2012. De acordo como o analista de Agência Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a estrutura dos custos de produção vem sendo o calcanhar de Aquiles de quem produz.

Ele explica que o mercado trabalhava com custos baixos durante o primeiro semestre, mas o quadro se alterou sensivelmente com as dificuldades relativas ao milho nos EUA. “Os preços deste insumo e da soja aumentaram de maneira considerável, alterando a estrutura de custos e afetando a rentabilidade da atividade”, explica. Para os próximos 12 meses, entretanto, o analista acredita que a avicultura de corte tende a registrar ótimos resultados, sobretudo para a exportação. A atual paridade cambial é benéfica para o setor. Com o real desvalorizado frente ao dólar, a carne de frango brasileira torna-se mais competitiva no mercado internacional.

Segundo levantamento, encomendado pela União Brasileira de Avicultura (Ubabef) ao Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), de janeiro a julho de 2012 a cotação da soja acumulou alta em reais em torno de 74%. E o milho, em plena safra, registra aumento de 37%. Mesmo após a data final do levantamento, houve registro de 2012/2013 85 elevação dos insumos. De acordo com os dados do Icone, vários motivos levaram à situação atual do mercado de insumos. Um deles é que a estiagem nos EUA elevou as cotações de milho e soja. Também a seca no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, reduziu drasticamente a oferta dos grãos nos polos produtores avícolas.

Além disso, os preços de farelo de soja e milho têm acompanhado as cotações da Bolsa de Chicago, agravado com valorização maior em reais por conta de desvalorização da moeda brasileira. Soma-se a isto o fato de que a exportação de farelo de soja este ano (janeiro a julho) está mais alta do que ano passado, embora produção de soja tenha caído. Segundo o levantamento e previsões feitas com base nos dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a exportação de soja em grão poderia ser 25% mais alta entre janeiro e julho em relação ao mesmo período de 2011. E, ainda, a produção da oleaginosa registrou queda de 12% na safra 2011/12. “O mercado brasileiro de grãos está atrelado à Bolsa de Chicago. Neste contexto, os preços têm subido desde o início do ano, com o mercado doméstico respondendo na mesma direção. Além disso, os dados acenam que o volume das exportações de grãos deste mês (julho) será muito maior que o mesmo período do ano passado”, explica o diretor de Mercados da Ubabef, Ricardo Santin.

As exportações tendem a continuar garantindo ótimos resultados. O Brasil é o maior exportador, com um volume de 3,219 milhões de toneladas escoados em 2011, podendo chegar a 3,465 milhões em 2012. Esta projeção da Safras & Mercado é significativa, pois o setor avícola nacional mantém a dianteira frente aos Estados Unidos, que deverá exportar 3,039 milhões de toneladas. Para o consultor Iglesias, o mercado externo segue decisivo para o andamento do mercado interno brasileiro: o bom volume exportado reduz a oferta interna de carne de frango. Portanto, favorece o ajuste entre oferta e demanda. “Percebemos uma evolução das exportações chinesas nos últimos anos. A Indonésia é um mercado relevante. A abertura de novos é complicada e requer uma série de negociações entre as partes envolvidas”, diz.

Levantamento da Ubabef indica que as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 1,987 milhão de toneladas entre janeiro e junho de 2012, número 3,06% maior que o total acumulado no mesmo período do ano passado, de 1,928 milhão de toneladas. Já a produção interna foi de 12,863 milhões de toneladas em 2011, crescimento de 5,17% em relação a 2010, de 11,230 milhões de toneladas. A projeção da Safras & Mercado é de uma produção de 12,898 milhões de toneladas em 2012, ou +0,27%. O consumo doméstico, segundo a agência, deverá chegar a 10,138 milhões de toneladas em 2012, 5,11% a mais em relação a 2011 (9,645 milhões de toneladas). Tratase de um aumento significativo se comparado com a demanda em todo o mundo, que deve pular de 81,757 milhões de toneladas para 79,591 milhões, evolução de 2,71%.

O Brasil é o maior exportador de carne de frango e deve manter a dianteira, avalia o engenheiro agrônomo Jonas Irineu dos Santos Filho, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves. Mesmo com a crise econômica na Europa, iniciada em 2009, as exportações brasileiras de frangos se mantêm ascendentes. “Esta situação deve se intensificar ainda mais quando a crise passar e o crescimento do PIB na Índia permitir uma alavancagem do seu consumo juntamente com o aumento do consumo na China e nos mais diversos países em desenvolvimento na Ásia e na África”, explica o agrônomo.

Aumento do consumo — Para Santos Filho, o ano de 2012 está realmente sendo marcado pelo aumento no custo de produção em função dos aumentos dos principais insumos – milho e soja. E ele explica que parte do custo de produção está sendo transferida para os consumidores. Para 2013, as incertezas são grandes. O baixo estoque internacional, tanto de milho como da soja, cria uma grande dependência para a safra 2012/2013. Assim, os preços praticados no mercado futuro, tanto para milho como para a soja, sinalizam para um custo de produção de frangos inferior a 2012, mas ainda superior a 2011.

Para o especialista, o consumo de carne de frangos está se expandindo, em função do aumento na renda per capita da população brasileira nos últimos dez anos. “Além de termos crescimento da renda neste período, a mesma foi mais intensa nas populações de menor renda, que eram as que menos tinham acesso à proteína animal”, descreve. Segundos estatística elaborada pela Embrapa, com base em projeções da Ubabef, o consumo per capita/ano no Brasil era de 35,48 quilos em 2005, foi para 44,09 quilos em 2010 e saltou para 47,40 quilos no ano passado. A tendência é continuar crescendo em 2012 e 2013, segundo Santos Filho.

O consumo doméstico de carne de frango deverá chegar a 10,138 milhões de toneladas em 2012, 5,11% a mais em relação a 2011, reflexo do aumento da renda da população