A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Ovinos/Caprinos

 

Foco: aumento do consumo

O brasileiro come, em média, apenas 400 gramas de carne ovina por ano, sendo que a meta do setor é aumentar para 2.500 gramas, o que ampliaria em muito o rebanho

Luiz Silva

Brasil possui o rebanho ovino concentrado em alguns estados da Região Nordeste e no Rio Grande do Sul, onde os preços pagos aos produtores tiveram uma leve alta em 2011. Este cenário, na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos criadores de Ovinos (Arco), Paulo Schwab, reforça a tendência para o desenvolvimento da indústria de abate e de processamento e, como consequência, uma aproximação com o mercado consumidor. Não é de hoje que os produtores brasileiros buscam o mercado interno, pois o consumo local ainda é incipiente. Schwab cita dados da Organização das Nações Unidos para a Agricultura e Alimentação (FAO), que apontam um consumo de 400 gramas por habitante no Brasil. “Existe um mercado em potencial e nós temos condições de absorvê-lo”, diz, observando que o abate informal no Brasil chega a 90% (70% no Rio Grande do Sul). Isso é danoso para a organização da cadeia produtiva.

Para o pesquisador Juan Diego Ferelli de Souza, da Embrapa Caprinos e Ovinos, o setor produtivo de ovinos caracteriza-se por contrastes organizacionais significativos entre as regiões no Brasil. A seu ver, o mercado consumidor de carne ovina no Brasil encontra-se em fase de desenvolvimento, mas ainda é caracterizado por grandes diferenças regionais. Os maiores mercados consumidores concentram-se no entorno das regiões produtoras, como no Rio Grande do Sul e em alguns estados da região Nordeste. Entretanto, a demanda tem se expandido em outras regiões, como Centro-Oeste e Sudeste. No mercado externo, os principais países produtores mantêm estáveis os tamanhos de seus rebanhos.

Estudos realizados pela Embrapa mostram as razões do baixo consumo de carne no Brasil. O perfil predominante é de consumidores das classes A e B e que consumem os produtos tanto em casa quanto em restaurante (22%) ou compram a carne em supermercados e consomem apenas em casa (33%). Outro levantamento, realizado em Alagoas, identificou que 36% dos consumidores participantes da amostra possuem renda familiar superior a dez salários mínimos, em geral possuem nível superior completo (48%) e compram carne ovina por ser saudável (26%) ou com o intuito de variar o cardápio na alimentação da família (19%).

Para Ferelli, as iniciativas de organização da cadeia produtiva da ovinocultura esbarram em entraves que dificultam seu sucesso. Em casos isolados, é possível constatar êxito nas iniciativas. “Entretanto, o setor é carente de informações concretas e seguras e que possam vir a ser utilizadas na tomada de decisões tanto do poder público como da iniciativa privada”, diz. Um dado chama a atenção do pesquisador da Embrapa. Em 2010, o Brasil tinha o 17º maior rebanho ovino do mundo, com aproximadamente 17,3 milhões de cabeças e percentual de 1,61%. “Estes dados indicam grandes oportunidades para o fortalecimento e para o crescimento desta atividade no Brasil”, explica. Os cinco países que possuem os maiores rebanhos ovinos concentram aproximadamente 35,4% do rebanho mundial.

O rebanho de caprinos no Brasil é de 9,312 milhões de cabeças, espalhadas por 508 microrregiões, onde geram recursos para milhares de famílias de baixa renda.

Segundo ele, apesar de apresentar um crescimento em 2010 em relação ao ano de 2009, o rebanho ovino chinês tem sido afetado por problemas relacionados à disponibilidade de água, ao avanço da agricultura sobre as áreas de pastagem, ao processo contínuo de degradação das áreas de pastagens e ao aumento contínuo dos custos de produção. Aproximadamente 73% do rebanho ovino mundial estão localizados nos países da Ásia e da África, o que demonstra a importância destas regiões no cenário internacional. A produção mundial de carne ovina em 2010 foi de 8,5 milhões de toneladas, das quais 51,2% foram produzidas no continente asiático; 18,3%, no africano; 13,7%, na Europa; 12%, na Oceania e, apenas, 4,7% nas Américas. Entre os anos de 2005 e 2010, houve um pequeno crescimento na produção, entretanto os valores permanecem muito próximos desde o ano de 2007, quando a produção mundial atingiu a marca de 8,57 milhões de toneladas.

Crescimento lento — O rebanho ovino brasileiro tem apresentado um crescimento pouco acelerado, porém constante, desde 2002. Enquanto o rebanho mundial cresceu apenas 1,04% entre os anos 2004 e 2010, com diminuição constante do rebanho entre os anos de 2007 e 2010, o brasileiro se expandiu 15,43%, de 15 milhões para, aproximadamente, 17,3 milhões de animais, segundo o IBGE. Apesar da retomada do crescimento da produção de ovinos a partir de 2002, o setor enfrentou grandes desafios durante a década de 1990. Neste período, o rebanho nacional, que chegou a ser de aproximadamente 20,1 milhões de animais em 1991, atravessou anos de decréscimo, chegando a 14,2 milhões em 1998. “Um dos principais fatores para o declínio da atividade estava vinculado à difusão de lã sintética, capaz de substituir com eficiência a lã produzida a partir de ovelhas”, diz Schwab, da Arco.

Comprova-se este fato ao observar que o rebanho ovino do Rio Grande do Sul, que chegou a 11,2 milhões de animais em 1988 e, atualmente, conta com 3,9 milhões de cabeças. “Problemas de gerenciamento da cadeia produtiva no Rio Grande do Sul também contribuíram para a crise na atividade”, explica o pesquisador da Embrapa. Schwab lembra, no entanto, que o produtor conseguiu dar a volta e direcionar mais o seu rebanho para a produção de carnes. “Nosso dever de casa é aumentar o rebanho. Estamos conseguindo isso, embora lentamente.” A ideia do setor ovino é fazer com que o consumo per capita/ ano chegue a 2,5 quilos. Com isso, acredita o presidente da Arco, o rebanho brasileiro chegaria a 50 milhões de cabeças. “Além disso, o mercado internacional bate à nossa porta todos os dias. Temos que aproveitar”, argumenta.

Caprinos no combate à miséria — Visto a realidade de pobreza de regiões do semiárido nordestino, o pesquisador Espedito Cezário Martins, da Embrapa Caprinos e Ovinos na área de Socioeconomia, defende que a caprinocultura é uma alternativa que pode ser utilizada para mudar quem vive no campo. O especialista lembra que são 9,312 milhões de cabeças de caprinos espalhados por 508 microrregiões brasileiras. Como existem cerca de 300 mil estabelecimentos que criam caprinos, é possível afirmar que cada um tem em torno de 30 cabeças. Cita também que os 18.008 estabelecimentos que produzem leite de cabra prospectaram cerca de 21,275 milhões de litros de leite. Transformando em produção diária, observa-se que cada propriedade produz, em média, cerca de 3,24 litros/dia. “Mas para transformar estes números em realidade é preciso de uma política de Governo para o setor”, adverte.