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Boi Gordo

 

Demanda inabalável

O mercado de boi gordo apresentou declínio de preços durante o primeiro semestre de 2012. Mas isso não tem relação com a demanda, que segue em bom nível, mas sim em razão da quantidade de oferta. O problema são as exportações, que deixam a desejar e inflam a oferta interna. A perspectiva de preço no segundo semestre de 2012 é considerada razoável

Carine Bidone Lopes - carine@safras.com.br

O mercado de boi gordo apresentou declínio de preços durante o primeiro semestre de 2012. Todavia, isso não está relacionado à demanda, que segue em bom nível. A grande quantidade de oferta durante o período foi decisiva para tal movimento. Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, as exportações deixaram a desejar, tornando a oferta interna ainda maior. Não existem explicações plausíveis para a baixa nas exportações. A perspectiva era de resultados mais significativos por Embrapa Arroz e Feijão conta da desvalorização do real frente ao dólar. No entanto, isso não foi observado; as consequências ainda são discretas. Os pontos que influenciaram amplamente o mercado físico de boi gordo brasileiro foram a oferta e, em menor proporção, o volume de suínos em demasia, que causou danos à comercialização. “O aumento da quantidade de carne suína disponível causou o recuo de preços do produto, deixando-o como grande concorrente da carne bovina, já que são mercadorias substitutas”, explica Iglesias.

Já o ponto positivo a se destacar para o boi nos primeiros seis meses do ano é o baixo custo de produção, o que proporcionou o aumento dos confinamentos. “Os custos do milho foram inferiores em relação a 2011, em função da maior oferta do cereal. Contudo, a provável quebra da safra do milho nos Estados Unidos diante da seca deve mudar essa situação”, alerta o analista. Entre os estados que devem apresentar maior número de confinamentos em 2012 em relação ao ano anterior estão, respectivamente, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Durante o ano de 2012, no Mato 2012/2013 57 Grosso, o confinamento deve totalizar 499,7 mil cabeças contra 360,5 mil cabeças em 2011, alta de 38,6%. Já no Mato Grosso do Sul o número de cabeças confinadas deve somar 695,1 mil, contra 588,5 mil de 2011, um avanço de 18,1% Em Goiás, o número de confinados em 2012 deve alcançar 747 mil, contra 655 mil do ano anterior, um acréscimo de 14%. Entre todos os estados, a totalidade de confinamentos em 2012 deve ser de 3,2 milhões de cabeças contra 2,8 milhões de cabeças do ano anterior, o correspondente a uma alta de 13%.

O ponto negativo do semestre, como já citado, foram as exportações, apresentando resultados pouco satisfatórios. A desvalorização do real é outro ponto a ser avaliado, pois o real desvalorizado deveria provocar um aumento da competitividade da carne bovina brasileira – o que não se confirmou. Atualmente, o mercado de boi gordo mostra preços baixos, o que se deve ao elevado estoque de carne, considerando que, com o grande volume do produto, torna-se complicada a valorização dos preços da arroba. Iglesias ressalta que os frigoríficos dificilmente vão aumentar o preço da compra, frente ao atacado desvalorizado.

Diante da conjuntura econômica durante o ano de 2012, o preço do boi gordo e o panorama atual da carne bovina são considerados razoáveis. Entretanto, com a grande oferta, é complicado sustentar os preços praticados no mercado interno. De acordo com o analista de Safras & Mercado, para o segundo semestre há uma previsão complicada para o mercado do boi gordo. Isso porque se trabalhava com custos baixos no início do ano. Tal relação mudou frente às dificuldades que devem ser registradas na safra norte-americana de milho. Os custos aumentaram significativamente, o que deve refletir nas cotações durante o restante do ano. As exportações, por sua vez, devem permanecer aquém do esperado, frustrando todo o setor.

Em junho de 2012, as exportações de carne ficaram inferiores a maio e ao mesmo período de 2011, diferente das exportações de janeiro, que se mostraram superiores. Em junho, as exportações totalizaram 141,65 toneladas contra 157,06 mil de maio e 143,91 mil do mesmo mês de 2011. Já em janeiro de 2012 as exportações alcançaram 120,05 mil toneladas contra 98,24 mil do mesmo mês do ano anterior. Por outro lado, as exportações da carne bovina brasileira em 2012 ficam acima de janeiro a junho de 2011, totalizando 787,3 mil toneladas contra 780,6 mil. O preço por tonelada, no entanto, subiu para US$ 4.814 no primeiro semestre de 2012 contra US$ 4.812 do mesmo período do ano anterior.

As exportações de carne bovina do Brasil renderam US$ 377,9 milhões em julho último (22 dias úteis), com média diária de embarques de US$ 17,2 milhões. A média é 0,9% menor na comparação com os US$ 17,3 milhões obtidos diariamente em junho, quando os embarques totalizaram US$ 346,6 milhões. Em julho de 2011, as exportações totalizaram US$ 316,2 milhões, com embarques diários de US$ 15,1 milhões. A quantidade de carne bovina exportada em julho foi de 83,3 mil toneladas, com média diária de 3,8 mil toneladas, o que indica um avanço de 2,1% frente à média de 3,7 mil toneladas registradas em junho. O embarque total de carne bovina em junho/12 foi de 74,2 mil toneladas.

O preço médio obtido pela carne bovina em julho/12 foi de US$ 4.537,8 por tonelada, valor menor em 2,9% em comparação com o mês anterior, de US$ 4.673,4 por tonelada, e 9,9% menor do que os US$ 5.037,6 por tonelada de julho de 2011. As informações partem da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Com os custos de produção altos, a oferta interna tende a diminuir no segundo semestre em comparação ao primeiro. “Deve haver redução de confinamento, redução de bovinos, o que causa menos carne e menos embarques”, conclui o analista.

Por outro lado, de acordo com o analista de Safras & Mercado, durante todo o ano de 2012 a tendência é de aumento de confinamentos em comparação ao ano passado, o que deve fazer com que os abates e a produção sejam significativamente superiores – lembrando que os custos de produção no primeiro semestre do ano, em geral, foram inferiores. Já durante o segundo semestre, a demanda por carne bovina é costumeiramente maior em função do grande número de festividades. Portanto, a previsão é de maior oferta de carnes e de boi gordo. Os preços não devem superar a casa dos R$ 96 a arroba, livre a prazo em São Paulo, durante o ápice do mercado, mesmo com custos superiores ao primeiro semestre.

Os confinamentos em 2012 devem contabilizar 3,2 milhões de cabeças, ante 2,8 milhões do ano anterior, o que significa alta de 13%

Abates — Os abates de bovinos recuaram 2,7% em junho de 2012, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram abatidas 2,587 milhões de cabeças no mês contra 2,660 milhões de cabeças no mesmo período de 2011. Em maio de 2012, foram 2,986 milhões de cabeças. Pode-se notar que existe aí uma redução gradual de abates ao passar do ano. Já de janeiro a junho de 2012 o avanço é de 1,4%: 16,361 milhões de cabeças contra 16,136 milhões do mesmo período de 2011. Os pecuaristas refazem os planos e principalmente as contas para reavaliar a real necessidade de confinar bois em um momento de alta para a principal matéria-prima da engorda intensificada: o milho. O preço do milho no mercado interno continua acompanhando a linha de alta da cotação na Bolsa de Chicago (CBOT), puxado pelas perdas em decorrência da seca nos Estados Unidos. Como aponta o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), no mês de julho os preços tiveram uma elevação média de 36,5%, sinalizando a necessidade do comprador para aquisição do cereal.

O recente movimento de valorização da saca de milho fez com que a relação de troca entre a saca do cereal e a arroba do boi gordo caísse fortemente nas últimas semanas. A elevação da cotação do milho puxou os preços no mercado interno, gerando da primeira semana do mês de junho até a última semana uma valorização média, no estado, de 47,4%, saindo de R$ 15,7/saca para R$ 23,1/saca, na praça de Rondonópolis/MT. Enquanto isso, no mesmo período a arroba do boi gordo registrou uma ligeira queda de 0,9%, variando de R$ 84,4 para R$ 83,6 à vista.

No primeiro semestre de 2012 o avanço dos abates no Brasil foi de 1,4%, de 16,361 milhões de cabeças contra 16,136 milhões do mesmo período de 2011

Segundo o Imea, o segundo semestre traz um novo cenário às intenções de confinamento. Não existem números ainda que possam mostrar o peso da escalada da saca de milho e a tendência de manutenção das cotações em alta. A carne bovina nobre apresentou seu ápice de consumo em 2011, reflexo do melhor salário que alterou o perfil de consumo da população brasileira. Entretanto, o desempenho foi muito ruim durante a crise financeira ocorrida em 2008. A recuperação novamente ocorreu ao longo de 2009, no qual o consumo reagiu. Em 2012 o consumo iniciou o ano de maneira mediana, no entanto o mercado vem reagindo e está próximo do seu ápice. O dinamismo da economia brasileira alterou o andamento do mercado sensivelmente. O aumento da renda per capita mudou o perfil de consumo do brasileiro. As carnes, de maneira geral, fizeram parte deste processo, com a continuidade do bom desempenho da economia brasileira. A tendência é que a demanda por carnes se torne ainda mais efetiva no mercado interno.