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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Milho

 

Um dourado recorde

O bom desenvolvimento da safrinha deverá propiciar ao país a sua maior safra de milho até hoje, de cerca de 72 milhões de toneladas. Devido a uma série de circunstâncias internas e externas, no primeiro semestre de 2012 a cotação atingiu a ótima média de R$ 23/saca. E a tendência é de preços em alta

Arno Baasch - arno@safras.com.br

mercado brasileiro de milho registrou um desempenho bastante favorável ao longo do primeiro semestre de 2012, segundo a avaliação de Safras & Mercado. A safra verão 2011/12 foi finalizada com uma produção de 28,874 milhões de toneladas no Centro-Sul, superando em pouco mais de 2 milhões de toneladas o volume registrado na safra verão 2010/11, de 26,614 milhões de toneladas. A área cultivada na safra verão 2011/12 cresceu 20,9%, chegando a 5,925 milhões de hectares, ante 4,902 milhões de hectares cultivados na temporada anterior, o que também contribuiu para o incremento na produção. O rendimento médio, por outro lado, sofreu retração, de 5.429 quilos por hectare para 4.873 quilos por hectare.

O consumo de milho cresceu dentro de um quadro de normalidade nesse primeiro semestre de 2012, principalmente voltado a atender os segmentos de agricultura, suinocultura e de confinamento bovino

O analista de Safras & Mercado Paulo Molinari destaca que o crescimento na safra de verão 2011/ 12 poderia ter sido ainda maior não fosse a estiagem registrada nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, que comprometeu boa parte da produção. Apenas para ter uma ideia, a safra verão gaúcha ficou em 3,386 milhões de toneladas, bem aquém das 5,257 milhões de toneladas colhidas no ano passado e inferior também à estimativa inicial, de 5,762 milhões de toneladas. Já a safra catarinense atingiu 3,236 milhões de toneladas, ainda assim superando o volume colhido na safra de verão 2011, de 3,123 milhões de toneladas, mas ficando abaixo das 3,653 milhões de toneladas previstas inicialmente.

Os destaques positivos ficaram com o bom incremento da produção no Paraná e em Minas Gerais. “Os paranaenses colheram 7,632 milhões de toneladas, quase 2 milhões de toneladas a mais que o volume colhido no ano passado na temporada verão, de 5,683 milhões de toneladas, e acima das 7,215 milhões de toneladas previstas inicialmente. Já os mineiros tiveram incremento de pouco mais de 900 mil toneladas na safra verão 2011/12, que atingiu produção de 6,181 milhões de toneladas, ante as 5,230 milhões de toneladas do mesmo período do ano passado. O resultado superou também a previsão inicial de safra, de 5,649 milhões de toneladas”, avalia.

Perdas de safra na América do Sul — O desempenho dos preços do milho no mercado internacional foi considerado razoável na primeira metade do ano. Nos primeiros meses de 2012 o mercado foi influenciado, basicamente, pelas perdas de safra na América do Sul, especialmente na Argentina, fator que evitou maiores baixas nas cotações. No entanto, quedas de preço do milho foram inevitáveis, no decorrer dos meses seguintes, a partir das informações indicando a possibilidade de uma safra norte-americana recorde para o cereal. “A partir desse cenário, o ambiente baixista tomou conta do mercado, com a possibilidade de regulação dos estoques mundiais para o segundo semestre”, explica Molinari.

No mercado interno, os preços encerraram o primeiro semestre com uma ótima média, acima de R$ 23 por saca, influenciados por uma série de fatores. O primeiro deles foi a seca no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, que inibiu que uma ótima safra de verão acabasse pressionando as cotações. “A estiagem criou um ambiente especulativo interno e evitou maiores pressões. O bom preço incentivou ainda mais o plantio da safrinha 2012 de milho, a qual apresentou um expressivo aumento de área, de 30,1%, passando de 5,351 milhões de hectares no ano passado para uma área recorde de 6,693 milhões de hectares nesta segunda safra”, informa.

O bom preço incentivou ainda mais o plantio da safrinha 2012, com aumento expressivo de 30,1% na área, passando de 5,351 milhões de hectares no ano passado para o recorde de 6,693 milhões

Outro elemento positivo para os preços do milho foi o câmbio. Segundo Molinari, após um começo de ano com uma forte valorização do real e impactado negativamente pelos efeitos da crise europeia, o Governo decidir intervir no mercado, adotando medidas políticas econômicas no ambiente institucional que tiveram um efeito positivo no câmbio, fazendo com que a moeda brasileira passasse a se desvalorizar frente ao dólar. “Essa decisão do Governo foi importante, pois ajudou os preços das commodities de exportação. No caso do milho, evitou maiores pressões das cotações no porto”, ressalta.

Consumo pelas carnes — O analista Molinari destaca que o consumo de milho no Brasil cresceu dentro de um quadro de normalidade nos seis primeiros meses de 2012, sem grandes oscilações, principalmente voltado a atender os segmentos de avicultura, suinocultura e de confinamento bovino. Em toda a safra 2011/12, a expectativa é de que o setor animal possa demandar 43,226 milhões de toneladas do cereal, o que corresponderia a quase 60% de toda a produção prevista para o Brasil. A avicultura, envolvendo os segmentos de corte, de matrizes e de postura, deve demandar 25 milhões de toneladas. A suinocultura, levando em conta os segmentos de produção e de matrizes, deve consumir 14,205 milhões e a bovinocultura de leite e os confinamentos, outras 2,517 milhões de toneladas.

Molinari ressalta que os custos de produção não chegaram a aumentar significativamente até a primeira metade de 2012. “Os setores de aves e suínos atribuem este fator como um dos responsáveis pelas dificuldades enfrentadas pelas cadeias. Percebemos que houve alguma correção nos preços, mas não a ponto de impactar diretamente no quadro interno no primeiro semestre”, avalia. Segundo ele, o fato de os preços do milho e da soja estarem firmes internamente está diretamente relacionado ao mercado internacional, que acaba balizando os preços de exportação. “O valor mais alto do milho e da soja impacta os setores de frango e suíno, mas percebemos que os problemas de custo somente serão solucionados a partir de ajustes estruturais dessas cadeias. Essa condição passa, necessariamente, por ajustes na produção e/ou por uma readequação dos valores cobrados pelos produtos finais, que necessitam estar em linha com os novos patamares de preços que venham a se estabelecer para o milho e o farelo de soja”, sinaliza.

A área cultivada na safra verão 2011/12 cresceu 20,9%, chegando a 5,925 milhões de hectares, ante 4,902 milhões de hectares cultivados na temporada anterior, o que contribuiu para o incremento na produção

Exportações — Os embarques de milho no primeiro semestre deste ano foram considerados fracos, atingindo apenas 952,41 mil toneladas, segundo levantamento de Safras & Mercado. Os principais demandadores do cereal brasileiro foram Taiwan, com 255,94 mil toneladas, seguidos por República Dominicana, com 128,006 mil toneladas; Arábia Saudita, com 101,956 mil; Cuba, com 77,278 mil; e Irã, com 63,047 mil. Os preços pagos pelo cereal brasileiro na exportação tiveram um considerável declínio nos seis primeiros meses do ano, de US$ 300 por tonelada Fob para US$ 240 por tonelada Fob. De acordo com o analista Paulo Molinari, a desvalorização de 20% em média refletiu a acomodação de preços na Bolsa de Chicago, diante da expectativa de uma supersafra norte-americana.

Com a completa mudança no cenário climático para a safra americana, a partir da confirmação de quebras nas lavouras de milho por estresse hídrico e excesso de calor, este quadro deve se alterar no segundo semestre. Molinari indica que a expectativa inicial de exportação de milho do Brasil em 2012 oscilava entre 10 milhões a 12 milhões de toneladas, mas, dependendo do porte da quebra de safra dos Estados Unidos, este volume pode até mesmo surpreender e superar todas as expectativas. O analista lembra que, ao que tudo indica, o Brasil deve encerrar a safra 2011/12 com um excedente de oferta da ordem de 21 milhões de toneladas.

Recorde — Na avaliação de Leandro M. Mittmann A área cultivada na safra verão 2011/12 cresceu 20,9%, chegando a 5,925 milhões de hectares, ante 4,902 milhões de hectares cultivados na temporada anterior, o que contribuiu para o incremento na produção Safras & Mercado, o bom desenvolvimento da segunda safra de milho deve garantir ao Brasil, neste ano, a maior produção de todos os tempos, de 72,436 milhões de toneladas, bem acima das 55,768 milhões de toneladas colhidas em 2011. De acordo com o analista Paulo Molinari, neste inverno o clima tem sido favorável à safrinha brasileira, que já não apresenta grandes riscos de perdas. Com esse cenário positivo, a previsão é de que a safrinha nacional possa alcançar 37,714 milhões de toneladas, superando em mais de 13,8 milhões de toneladas o volume registrado na segunda safra 2011, de 22,837 milhões de toneladas.

Molinari afirma que essa ampliação da safra decorre também da melhora na produtividade do milho, de quase 1,2 mil quilos por hectare frente à safra passada, em todo o Centro-Sul. “Tivemos na safrinha 2011 um rendimento médio de 4.267 quilos por hectare, devendo chegar, ao final desta segunda safra, a uma colheita de 5.416 quilos por hectare”, informa. Grande parte da excelente segunda safra brasileira conta com a expressiva participação de estados como o Mato Grosso e o Paraná, que deverão colher, respectivamente, 14,144 milhões de toneladas e 11,434 milhões de toneladas de milho. “O maior salto será verificado no Mato Grosso, que ampliará sua safrinha de milho em quase 7,1 milhões de toneladas. No ano passado o estado colheu uma safrinha de 7,306 milhões de toneladas. A produtividade obtida também surpreendeu positivamente, passando 3.560 quilos por hectare para 5 mil quilos por hectare”, compara.

O analista ressalta que a maior produtividade esperada na safrinha seguirá com o Paraná, de 6.020 quilos por hectare, bem acima dos 4.604 quilos por hectare registrados no ano passado. “A expectativa de ampliação da produção de milho segunda safra no Paraná também é expressiva. Deverão ser colhidas 4,2 milhões de toneladas a mais que o volume obtido na safrinha do ano passado, de 7,160 milhões de toneladas”, destaca. “Essa expansão foi puxada por Mato Grosso do Sul, que ampliou o cultivo de milho em 59,9%, atingindo 1,236 milhão de hectares, ante os 773,45 mil hectares cultivados na safrinha 2011. O Mato Grosso ficou logo atrás, elevando a área plantada em 37,8%, de 2,052 milhões de hectares para 2,828 milhões de hectares. O Paraná apareceu em terceiro lugar, com avanço na área de 22,1%, que passou de 1,555 milhão de hectares para 1,899 milhão de hectares”, descreve.

Futuro imediato de preços elevados — O cenário para o mercado brasileiro de milho mudou radicalmente a partir da virada do primeiro para o segundo semestre de 2012. Até meados de maio, o mundo vivia a expectativa de uma safra recorde de milho nos Estados Unidos, por conta da antecipação do plantio, que seria suficiente para uma recomposição dos estoques apertados da temporada anterior. No Brasil os preços também trabalhavam em patamares mais baixos diante da expectativa de uma grande safra de milho. No mercado internacional as cotações refletiam esse quadro norte-americano e já operavam em baixa frente aos patamares praticados no ano passado. “Essa condição também era percebida no mercado interno brasileiro, que registrava cotações mais acomodadas no período”, relembra Molinari.

Na exportação, a grande incógnita era como fazer com que o Brasil pudesse direcionar seus elevados volumes de produção a outros mercados, tendo a forte concorrência da safra norteamericana. “A realidade, entretanto, mudou completamente do final do primeiro semestre para cá.” Nos Estados Unidos, a chuva esperada para suprir as necessidades das lavouras não ocorreu conforme o previsto e as lavouras do cinturão produtor foram submetidas a temperaturas extremamente elevadas e a um clima muito seco, o que prejudicou muito o desenvolvimento do cereal. Molinari salienta que boa parte da safra americana foi comprometida na fase de pendoamento, fundamental ao desenvolvimento das plantas, e que as perdas são irreversíveis, mesmo que bons volumes de chuvas voltem a ocorrer na região. “A produtividade média norte-americana pode ficar aquém dos 146 bushels por acre estimados pelo Departamento de Agricultura do País (USDA) em julho”, alerta.

Com isso, um novo cenário de alta se desenhou no mercado internacional, a ponto dos preços atingirem patamares históricos, acima de US$ 8 por bushel. “Essa nova realidade também reflete no Brasil. Mesmo com uma grande oferta de milho a ser disponibilizada na safrinha, os preços pararam de ceder e passaram a subir rapidamente nas últimas semanas, tanto no mercado doméstico quanto no porto”, explica.

Molinari diz que esse efeito de quebra na safra norte-americana continuará trazendo reflexos no decorrer dos meses finais de 2012. “O Brasil possivelmente vai conseguir alavancar bons volumes de exportação, ganhando competitividade e sendo uma opção de fornecedor para os maiores mercados demandadores do cereal. Com a participação mais firme na exportação, o Brasil também tende a estabelecer preços no porto mais próximos aos valores praticados pelos exportadores norte-americanos no Golfo do México”, sinaliza. Internamente, os preços do milho continuarão seguindo a paridade de exportação, acompanhando a realidade da produção mundial, especialmente a norte-americana.

Perda de área — Relatório de intenção de plantio divulgado por Safras & Mercado na segunda quinzena de julho indicou que o milho tende a perder espaço na safra de verão 2012/13 na região Centro- Sul, ocupando uma área de 5,082 milhões de hectares, o que representa uma queda de 14,2% em relação à safra de verão 2011/12. Contando com condições climáticas normais, ao contrário do que ocorreu na recente temporada, a produção da primeira safra poderia ficar em 28,113 milhões de toneladas, cerca de 760 mil toneladas a menos que o volume total colhido na safra de verão. Molinari explica que o recuo previsto na safra de verão leva em conta alguns fatores fundamentais, como o excesso de oferta do cereal em 2012 e a relação de troca mais favorável à soja. “Hoje, uma saca de soja tem valor comercial equivalente ao de três sacas de milho”, compara.

O analista entende que nem mesmo o indicativo de preços mais altos para o milho no segundo semestre talvez seja capaz de evitar uma queda na área na próxima safra verão. “Somente uma falta de sementes de soja para atender a demanda evitaria um recuo no cultivo do cereal, pois o foco do produtor estará novamente centrado na oleaginosa na safra verão”, explica. Para a segunda safra, o indicativo é de que a área tenha uma retração de 10% frente à de 2012, atingindo 6,269 milhões de hectares. A produção da safrinha está estimada em 33,975 milhões de toneladas, 3,7 milhões de toneladas a menos que o volume previsto para ser colhido neste ano.

A área total de milho na região Centro-Sul para a temporada 2012/ 13 está estimada em 11,352 milhões de hectares, com recuo de 11,9% frente aos 12,889 milhões de hectares cultivados na safra 2011/12. As regiões Norte e Nordeste deverão cultivar 1,855 milhão de hectares, área 4,2% inferior a 1,936 milhão de hectares plantado na safra 2011/12. Molinari indica que a área total cultivada pelo Brasil na temporada 2012/13 deve chegar a 13,207 milhões de hectares, caindo 10,9% sobre a safra 2011/12. O país deverá produzir 68,025 milhões de toneladas de milho na safra 2012/13, volume 4,4 milhões de toneladas a menos que o total previsto para ser colhido na temporada 2011/12.