A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques 2011 Bancos

Uma casa de muito crédito

Banco do Brasil, o principal financiador do agronegócio brasileiro, disponibilizará em 2011/12 R$ 45,7 bilhões para todos os segmentos

Nome da empresa: Banco do Brasil
Sede: Brasília/DF
Crédito rural ano agrícola 2011/12: R$ 45,7 bilhões
Divisão: agricultura empresarial, R$ 35,2 bi; familiar - R$ 10,5 bi
Crescimento do crédito sobre 2010/11: 17%

A Granja do Ano — Quais são as perspectivas do Banco do Brasil para a safra brasileira de grãos 2011/2012?

Osmar Dias — Como houve pelo Ministério da Agricultura uma revisão para baixo dos números (de 162 milhões para 158,8 a 159 milhões de toneladas da safra que foi colhida), acreditamos que o crescimento vai continuar sustentado. Temos uma previsão de crescimento de 5% na safra. O maior problema que aconteceu na safra de inverno – a safrinha – foi a geada no Paraná e no Rio Grande do Sul, que tirou o cumprimento daquela previsão anterior e puxou para baixo a perspectiva. Mas o noticiário de hoje mostra que houve um crescimento de 8% na venda de fertilizantes para esta safra. Então, creio que a previsão do crescimento de 5% precisa ser revista também. Acho que podemos pensar no crescimento de 8% também.

E quanto à rentabilidade, sobretudo em relação ao produtor?

Há um fator negativo novo: a crise internacional, que pode afetar o preço das commodities. Ainda não foi possível avaliar a dimensão desse impacto. Ao mesmo tempo em que poderá haver uma pequena retração no consumo, os estoques estão muito baixos. Então, uma coisa pode compensar a outra e pode ser que esta esperada queda nos preços das commodities não seja tão acentuada como alguns estão prevendo. Eu particularmente penso que não será, até porque pode haver uma compensação no câmbio. Quando vemos a crise tomar conta mais da Europa e dos Estados Unidos, que têm mais fôlego para se recuperar, acreditamos que pode haver uma recuperação do dólar, e a valorização cambial provocaria uma valorização das commodities – ou seja, segurando os preços num patamar remunerador.

No Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012, quais são as principais novidades do Banco do Brasil em relação às linhas de financiamento do plano anterior?

São duas as principais entre outras que colocamos como novidades. O seguro de faturamento, que é um produto novo que lançamos nesta safra como projeto-piloto para a soja, com meta para alcançar R$ 500 milhões. Tanto a Aliança do Brasil quanto a Mapfre estão operando esse seguro. E está à disposição para todos os produtores de soja, em todos os estados. Pretendemos medir bem os resultados dessa novidade, que, acreditamos, serão positivos. E poderemos propor que o produto seja estendido a outras culturas nas próximas safras. A outra novidade, que não conseguimos implantar, mas que estamos discutindo com o Governo – e creio que esta será a grande revolução –, é a modernização no crédito rural, que será o crédito rotativo. Esperamos que para a próxima safra possamos colocar já o crédito rotativo em prática. Abrese, vamos supor, um limite para o produtor para cinco anos, e ele vai sacando esse limite e renovando automaticamente. Por isso, o crédito rotativo é automático. Para esta safra, o que foi novo no Banco do Brasil foi a Operação ABC (Agricultura de Baixo Carbono). Quando eu cheguei no banco, em abril, a Agricultura de Baixo Carbono estava lançada há praticamente um ano, mas nenhuma operação tinha sido tomada porque não estava na rede do banco, nem no sistema, e não havia como os operadores, os gerentes e os técnicos do banco a colocarem para o produtor. Mas nós conseguimos mudar essa situação e estamos operando com essa linha – que é uma exigência internacional, um compromisso que foi assumido em Copenhague pelo expresidente Lula. E nós temos que colocar em prática uma tecnologia que está aí à disposição, que a Embrapa já criou e que tem mostrado resultados excepcionais em relação à produtividade e ao meio ambiente. Esta é uma linha nova porque começou a ser operada agora, nesta safra.

Osmar Dias, vice-presidente de agronegócio do Banco do Brasil