A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques 2011 Cooperativismo

Uma exemplar instituição cooperativista

Coamo recebe a cada ano mais de 5 milhões de toneladas de produtos agropecuários produzidos por mais de 23 mil associados

Nome da empresa: Coamo Agroindustrial Cooperativa
Sede: Campo Mourão/PR
Número de associados: 23.484
Produção recebida em 2010: 5.581.879 toneladas
Produção a ser recebida em 2011 (previsão): 5.422.120 toneladas
Exportações em 2010: 2.016.747 toneladas e receita de US$ 761.610.932
Previsão para 2011: 2,5 milhões de toneladas e receita de US$ 1 bilhão

A Granja do Ano — Quais são as de US$ 1 bilhão perspectivas do associado da Coamo para a safra de verão 2011/2012? Ele vai ampliar área, aumentar o uso da tecnologia no plantio?

Aroldo Galassini — Pelos pedidos de sementes, haverá 1,1% de redução na soja em relação à safra passada: de 1,636 milhão de hectares na safra 2010/ 11 para 1,618 milhão em 2011/2012. No milho, em 2010/2011 foram 167 mil hectares, pois se plantou muito pouco em razão do preço baixo, e agora serão 186 mil hectares. São 11% de aumento, porque o preço melhorou. A redução de 1,1% da soja representa os 11% do milho. Este é o cenário da safra de soja e milho, as principais culturas de verão.

E qual as suas expectativas quanto ao ano agrícola 2011/2012? Estes bons preços deverão se manter até a colheita no primeiro semestre de 2012?

As commodities agrícolas de um modo geral estão num bom preço, tanto no mercado interno quanto no externo. O motivo é que não foram atingidas pelas crises globais e os estoques mundiais não estão tão altos. Por tudo isso, houve um aumento muito bom nos preços, que não caíram. No caso da soja, as cotações atingiram R$ 48, R$ 50 a saca, e agora estão em R$ 40, R$ 41. O milho chegou a R$ 13,60 em 2010, abaixo do mínimo de R$ 17,46, e o governo teve que fazer um esforço para exportar 10 milhões de toneladas, pois tinha um excedente grande também. Então, enxugou o mercado e os preços subiram para R$ 20, e hoje estão em R$ 23,80 – aqui no interior, livre de despesas. Por isso que o cooperado se entusiasmou para plantar mais milho, e na safrinha o cooperado da Coamo plantou 20% a mais. Só que ocorreu uma geada grande no final de junho, e houve uma queda geral de 35%, em média. Assim, vai ter um milho de baixa qualidade, milho de todos os tipos: abaixo de verde, verde, semiverde... Todos os milhos com alta umidade ficam ardidos, estragados. Para quem plantou dentro do zoneamento agrícola até o final de fevereiro, a cultura foi bem, pois a geada não a atingiu. Pegou geada, mas não estragou, pois estava seco. Mas o milho que tinha umidade, ardeu. Este milho está entrando (no mercado) e tem de tudo, até quem não recebe. Tem de 10%, 20%, 30% de ardido... E o mercado trabalha com uma taxa de 6%. Até 20% é geralmente para gado, mas para frango e suíno não dá para dar este milho, pois dá problema de intoxicação. Acho que o milho terá um estoque nacional baixo e é um grão raramente exportado. E quanto à soja, há um estoque mundial de passagem ao redor de 60 milhões de toneladas. Não é um estoque alto, que está mantendo este preço de US$ 13,50 por bushel. Há dependência do resultado final da safra americana, que não está mostrando queda. De um modo geral, estes preços deverão ser mantidos. O que estraga os preços é o dólar baixo. O dólar está muito baixo. Nem o governo sabe o que fazer. Não é uma medida simples.

Aroldo Galassini é diretor-presidente da Coamo

Como as commodities estão se mostrando remuneradoras neste momento, em que o associado da Coamo tem investido?

Ele está com uma boa liquidez: das contas, do ano passado, da safra, nos bancos... Algum caso sempre tem de pessoas com as contas apertadas desde lá de trás, mas de um modo geral está muito boa a liquidez. O associado está comprando máquinas, se modernizando, mas dentro de uma situação normal, sem euforia. Estamos sempre fazendo um trabalho para ele se capitalizar melhor, não pagar tantos juros. Tem gente muito bem capitalizada, que não tinha dívidas. Neste ano que os preços não estão mal, ele se capitaliza ainda mais. É um ano bom para a agricultura.