A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques 2011 Pesquisa

Excelência científica além-fronteiras

A Embrapa agora difunde seus conhecimentos a agriculturas de outras nações, e faz parcerias com a iniciativa privada aqui no Brasil

Nome da empresa: Embrapa
Sede: Brasília
Unidades: 47
Funcionários: 9.248 empregados
Pesquisadores: 2.215
Orçamento em 2010: R$ 1 bilhão e 865 mil
Orçamento em 2011: R$ 1 bilhão e 829 mil

A Granja do Ano — Como está o processo de “internacionalização” da Embrapa, a criação de representações e escritórios no exterior? Quais são as próximas incursões da instituição no estrangeiro?

Pedro Arraes — Temos que tomar um certo cuidado porque a demanda é muito maior do que podemos atender. São três eixos: no científico, estão inseridos os Laboratórios Virtuais no Exterior (Labex), em que estamos antenados nas grandes redes de conhecimento de ponta. Incluímos a Embrapa nas maiores mudanças, para podermos trazer estas inovações para o Brasil. Há Labex nos Estados Unidos, na França e, agora, uma atuação no Labex Coreia do Sul. Além disso, implementaremos um Labex na China. Isso foi acordado na última visita da presidente Dilma à China. Estamos em processo para montar o Labex China até o final do ano. Mas este será diferente, pois a cultura é diferente. Mas, com certeza, até o final do ano estaremos com os pés dentro da China. O outro Labex será no Japão, um país com o qual já temos uma parceria desde os primórdios da Embrapa. Então, nesta área de cooperação técnicocientífica, este seria o desenho que estamos fazendo. Em relação à cooperação técnica, que diz respeito à nossa transferência de tecnologia, já existe um projeto estruturante de algodão em Mali, e que está indo muito bem. Outro projeto que começou há pouco tempo foi com arroz no Senegal, que também é bastante interessante. O maior de todos os nossos programas fica em Moçambique, uma parceria sul-sul-norte, com Estados Unidos e Japão, que está na fase final. Deveremos alocar três pesquisadores para conduzir este trabalho, no chamado Corredor de Nacala. Como agora temos um brasileiro na presidência da FAO (José Graziano), mandamos uma proposta, um rascunho de como poderíamos atuar junto à FAO. Então, vai haver um desdobramento. Porém, não está definido e não posso adiantar o quê. Mas é sobre uma interação, como a Embrapa pode trabalhar junto da FAO nestas parcerias que mantemos. Aqui na América do Sul temos outras diversas atuações. Estamos tentando criar uma estratégia na América do Sul com os países fronteiriços. No Uruguai, por exemplo, pensamos em fazer uma chamada conjunta com o CNPq de projetos de pesquisa. Ou algumas ações de pastagens de clima temperado, área em que os uruguaios são bastante avançados. E na questão da cana com maior resistência ao frio, pois eles têm interesse em produzir esse perfil de cana, e no Rio Grande do Sul já temos um trabalho interessante sobre essa questão. E há possibilidades de intercâmbio, de alocar um pesquisador brasileiro lá, enquanto eles possam destacar pesquisadores para aqueles centros de pecuária de fronteira, da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé/RS, de Clima Temperado, em Pelotas/RS. Agora está se consolidando a Embrapa América no Panamá, onde há uma série de ações em parceria com o instituto de pesquisa local.

E internamente, quais já são os resultados com as parcerias com a iniciativa privada, como a criação da primeira variedade brasileira de soja GM, com a Basf?

No caso específico da Basf, o importante é que não ocorra um oligopólio no mercado. O nosso papel de empresa pública é tentar fazer estas parcerias e disponibilizar qualquer nível de conhecimento, seja público ou privado, para que as empresas compitam. O produtor precisa ter condições de fazer a escolha dele de preço, de qualidade. Tentamos atuar nestas parcerias com estas grandes multinacionais no sentido de viabilizar a melhor qualidade, e evitar com que exista um monopólio de qualquer tipo. A Cultivance (da parceria Embrapa e Basf) é resistente a herbicida, uma nova opção ao produtor. E temos diversas parcerias pequenas, como incubadoras de empresas, de mudas de bananas livres de doenças. Agora, uma parceria de mudas de batata-doce, lançadas recentemente. Uma parceria muito grande com a John Deere em integração lavoura-pecuária, e estamos criando um consórcio disso que está dando um resultado muito bom. Temos uma parceria com a Vale e outra parceria com empresas de dendê na produção de mudas. E as parcerias com as empresas de sementes.

Pedro Antônio Arraes Pereira é diretorpresidente da Embrapa