A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques 2011 Arroz

Heroísmo na produção de arroz

Apesar da alta carga tributária enfrentada em comparação aos concorrentes do Mercosul, o orizicultor não desanima

Nome do produtor: Henrique Osório Dornelles
Localização da propriedade: Passo do Anjico/RS
Área de arroz safra 2010/11: 730 hectares
Área de arroz safra 2011/12 (previsão): 680 hectares
Produtividade safra 2010/11: 9 mil quilos/hectare

A Granja do Ano — Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelo produtor de arroz no Brasil, sobretudo no Rio Grande do Sul? O que deveria ser feito para que estes problemas fossem resolvidos?

Henrique Dornelles — De forma geral, acredito que o principal problema do produtor de arroz do Brasil é esta mudança do hábito alimentar da população, preferência pelos fast foods, aliada a uma campanha extremamente equivocada da década passada de que o arroz “engordava”. Ironicamente, hoje estamos enfrentando problemas de obesidade. Quanto ao arroz irrigado do Rio Grande do Sul, o cereal atravessa uma grave crise de competitividade, mas da porteira para fora. No passado tivemos vários rótulos, inclusive de “caloteiros”. Nossa produtividade é uma das maiores do mundo, graças ao Projeto 10 do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), mas nosso custo por saca é o mais alto devido a pesada carga tributária. Será que agora seremos chamados de heróis?

Como produtor, o que o senhor vê como maiores entraves para se produzir no campo?

Chega a ser desestimulante ao produtor ver esta generalização do Código Florestal, se considerado a extensão territorial do Brasil com tamanhas diferenças de clima, topografia, tipo de solo e as próprias peculiaridades culturais dos habitantes de cada região. Qualquer ambientalista, cientista ou liderança política, não necessariamente brasileiro, é capacitado a criticar nossa classe ou sugerir leis que fatalmente interferirão em nossa atividade. Somente como exemplo, trabalho em uma região que produz 30% do arroz do Rio Grande do Sul, a Fronteira Oeste. O arroz irrigado é classificado como uma cultura “altamente poluidora”, mas, recentemente, devido aos estudos desenvolvidos pelo Comitê da Bacia do Ibicuí, estamos descobrindo que possuímos uma das melhores qualidades de água do Brasil – é claro, excetuando-se regiões com pouca ou inexistente interferência humana. Como já sabíamos, esta mesma qualidade não foi diagnosticada nas proximidades dos centros urbanos. Além disso, o Projeto Brasil das Águas também constatou que as matas ciliares de nossos rios estão da mesma forma muito bem conservadas.

Por que os custos de produção para o arrozeiro gaúcho são tão mais altos em comparação aos colegas argentinos, uruguaios e paraguaios? O que deveria ser feito para se promover o equilíbrio de condições?

Mesmo possuindo sistema da produção similar ao nosso, esses países possuem custo de produção quase 30% inferior. Esta diferença só não é superior devido à nossa produtividade mais elevada. A origem está na famosa carga tributária, especialmente o ICMS. Enquanto temos de pagar 12% a 17% desse imposto para a compra de máquinas e insumos, no Uruguai, paga-se 0%. Mas o problema não termina aí, depois de colhido, o arroz de qualquer país do Mercosul poderá entrar nas regiões Sudeste ou Nordeste do Brasil sem qualquer tributo, enquanto o arroz gaúcho paga 12%. Não somos heróis? O que estamos buscando, através da Federarroz e da Farsul, é a solução das questões estruturais como as já comentadas. Para fazer justiça, tenho muita esperança na atuação técnica e humilde do atual secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz.

O que o senhor faz, quais suas estratégias, para enfrentar momentos de dificuldades como as que estão ocorrendo neste momento?

Faço uma análise das áreas, as com baixa produtividade ou maiores custos são eliminadas, principalmente nestes momentos de crise. Administrativamente, procuro preservar ao máximo a liquidez em qualquer operação e foco bastante no planejamento financeiro.

Quais suas perspectivas para a safra 2011/12? Vai ampliar a área ou não? Por quê?

Como as questões estruturais não serão resolvidas no curto prazo, estou me posicionando de forma bastante cautelosa. Procurei adequar minhas áreas de plantio para as mais rentáveis, diminuindo uns 7% do total. Estou trabalhando com uma expectativa de aumento de custos/hectare na ordem de 10%.

Como é o seu sistema de produção a campo? O que o senhor considera mais importante para se buscar produtividade & rentabilidade?

Sustentabilidade! Nem sempre o que é mais barato é mais rentável, principalmente considerando o longo prazo. Eu e meu irmão, Eduardo, trabalhamos para integrar efetivamente a lavoura de arroz e a pecuária.

Henrique Osório Dornelles é produtor de arroz