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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques 2011 Algodão

O gigante baiano da pluma

Grupo Horita ampliará a área de algodão de 26 mil para 30 mil hectares no oeste baiano e espera rentabilidade de 40% na safra 2011/12

Nome da empresa: Grupo Horita Sede: São Desidério/BA
Área do algodão safra 2011/2012: 30 mil hectares
Produção safra 2011/2012 (previsão): 145 mil toneladas em capulho
Produtividade (previsão): 320 arrobas/hectare

A Granja — Qual é o planejamento e quais as metas do Grupo Horita em relação ao algodão para a safra 2011/ 2012? Previsões quanto a produção, produtividade e rentabilidade?

Walter Horita — Planejamos aumentar nossa área de algodão de 26 mil hectares, da safra 2010/11, para 30 mil hectares na safra 2011/12. A nossa produtividade média dos últimos cinco anos é de 320 arrobas por hectare. Com essa expectativa, a produção chegaria 145 mil toneladas de algodão em capulho, o que geraria 60 mil toneladas de algodão em pluma e 80 mil toneladas de caroço de algodão. A rentabilidade dependerá muito do que ocorrerá com o mercado, que tem sido muito volátil desde o final de 2010, quando o preço do produto saiu de 80 centavos de dólar por libra-peso, chegou ao pico de 2,10 dólares por libra-peso e hoje (julho de 2011) está em US$ 1. Se assumirmos que o preço de venda da safra 2011/12 será próximo desse valor, teremos uma rentabilidade da ordem de 40% sobre o custo de produção. O que considero, ainda, muito bom.

Walter Horita é sócio-proprietário do Grupo Horita

E quanto às cotações, quais as suas expectativas? Vão se manter neste alto patamar até a próxima colheita? Por que esta avaliação?

A minha avaliação é que a cotação do algodão, após muitas oscilações nos últimos meses, ficará entre US$ 0,90 e US$ 1,20 por libra-peso na safra 2011/12. Para mim, é um intervalo condizente e de equilíbrio para o atual momento do mercado, no qual a maioria das commodities agrícolas estão com as cotações bem acima da média dos últimos cinco anos. Acredito que podemos assumir um novo patamar de preços para os produtos agrícolas: de US$ 12 a US$ 15 por bushel para soja; de US$ 6 a US$ 8 por bushel para o milho; e de US$ 0,90 a US$ 1,20 por libra-peso para o algodão.

Oeste baiano: que perspectivas, qual o futuro agrícola desta região considerada tão promissora? Mas quais os entraves para o seu desenvolvimento agrícola?

Considero o oeste da Bahia uma região já consolidada com uma matriz produtiva diversificada – principalmente soja, milho, algodão e café – e altamente tecnificada, onde temos as maiores produtividades do Brasil e, em alguns casos, do mundo. Temos hoje 1,7 milhão de hectares em produção e poderemos, observando plenamente a legislação ambiental, chegar a 3 milhões de hectares cultivados no futuro. Temos todas as condições – estoque de terras, clima, topografia e tecnologia – reunidas para atingir esse número. Os entraves para a continuidade do desenvolvimento agrícola da nossa região já são velhos conhecidos de todos e são os mesmos de todas as regiões agrícolas do Brasil: faltam corredores rodoviários e ferroviários; estradas vicinais; energia elétrica; e portos modernos preparados para a exportação do tamanho da nossa safra.

E quais são, no seu entender, os maiores entraves para o agronegócio brasileiro como um todo? Mais do que isso, o que deveria ser feito para que estas situações fossem revertidas?

Além dos problemas estruturais, enfrentamos atualmente fiscalizações ambientais e trabalhistas, em grande parte das vezes, realizadas sem o propósito de orientação para promoção de melhorias e sim de ações punitivas que chegam ao absurdo de embargos de áreas produtivas, sem a menor chance de defesa do proprietário. Precisamos de uma ampla ação de divulgação a toda a sociedade brasileira da importância da agricultura brasileira na produção de alimentos de qualidade e com preços acessíveis, além da geração de emprego, de renda e de superávit da balança comercial, tão importantes para a estabilidade da economia brasileira. Precisamos também ter a coragem de mostrar a todos que pequenos grupos com ideologias contrárias ao desenvolvimento do Brasil – muitas vezes financiados com capital estrangeiro, a quem o nosso crescimento em nada interessa – que sejam colocados no seu devido lugar, no ostracismo, e não dar espaço e promoção na mídia como têm conseguido. Vamos valorizar os verdadeiros promotores do desenvolvimento no Brasil, chega de pseudointelectuais querendo denegrir a imagem dos empresários brasileiros!