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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Aves

Expansão no horiznonte

Os custos e o câmbio preocupam no momento de recuperação para as aves. Mas há otimismo no crescimento, sobretudo por causa do mercado interno, cada vez mais consumidor

A avicultura brasileira vive um momento de recuperação, com a contenção da grande oferta e o crescimento nas exportações. Mas quem envia o produto para fora reclama do câmbio. Internamente, os custos preocupam. De acordo como o analista de Agência Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o quadro de excedente de oferta verificado entre os meses de maio e junho foi equacionado em julho. Com isso, a expectativa é de que este movimento tenha continuidade durante o segundo semestre. “A perspectiva para os próximos 12 meses (até julho de 2012) é de expansão da produção em todos os segmentos da avicultura de corte”, assegura, ressalvando que podem ocorrer novos quadros de excedente de oferta.

As exportações de frango no primeiro semestre do ano, segundo a União Brasileira de Avicultura (Ubabef), somaram 1,928 milhão de toneladas, aumento de 6,8% em relação ao mesmo período de 2010, enquanto a receita cambial totalizou US$ 3,999 bilhões, com incremento de 28,5%. Embora os números indiquem crescimento, o presidente da entidade, Francisco Turra, diz que o setor continua sendo impactado pela valorização do real frente ao dólar, o que está comprometendo a competitividade do produto no mercado internacional. Em consequência, desestimulando a exportação.

De acordo com levantamento da entidade, entre janeiro de 2010 e junho de 2011, a moeda norteamericana teve uma queda de 10,36% frente ao real. “A verdade é que poderíamos ter obtido uma expansão ainda maior, por conta de aumento da demanda no mercado internacional. Mas estamos perdendo competitividade dia a dia. Desta maneira, mantemos a previsão de crescimento entre 3% e 5% nos embarques”, enfatiza Turra.

Para Iglesias, as exportações de carne de frango nos primeiros seis meses do ano podem ser qualificadas como “excepcionais” porque foi um dos principais produtos da pauta de negociações brasileiras no período. Reconhece, porém, que o câmbio atua como entrave. “O resultado das exportações com o câmbio nos patamares observados ao longo de 2010 seria diferente, superior ao registrado”, aponta.

Preço do milho dispara — Além da competitividade no mercado internacional, o presidente da Ubabef ressalta ainda a preocupação do setor avícola com os custos de produção. Entre janeiro do ano passado e junho deste ano, os preços da saca do milho, um dos principais insumos avícolas, tiveram aumentos acumulados de 47% a 111% nas principais praças de comercialização. “Trata-se de um momento decisivo para que o Governo Federal intervenha de maneira firme, estabelecendo como prioridade o abastecimento interno de milho”, defende Turra.

Os custos de produção ao longo de 2011 estão muito acentuados por conta da forte valorização do milho. Portanto, as dificuldades em expandir a produção são recorrentes. Outra situação de maior gravidade observada ao longo do ano foi o quadro de excedente de oferta verificado entre os meses de maio e junho, que fez com que os preços despencassem mesmo com os custos de produção elevados. Assim, a rentabilidade da atividade foi ínfima. “Para os custos de produção, não há grandes soluções, pois a valorização das commodities é uma tendência internacional ao longo deste ano. Contudo, o quadro de excedente de oferta é solucionado com ajustes na oferta. Ou seja, redução da produção”, diz Iglesias.

Consumo interno promissor — O analista de Safras & Mercado avalia que as perspectivas no mercado interno são promissoras. Explica que, ao longo de 2010, com o forte crescimento da economia brasileira, houve um crescimento do consumo de maneira geral. Isso resultou em uma expansão do consumo das carnes, e a de frango não foi exceção. No primeiro semestre de 2011, a economia brasileira cresceu em um menor ritmo, mas a demanda interna segue aquecida. Por isso, acredita que a tendência é de que o consumo seja ainda melhor ao longo do segundo semestre e em 2012.

Para Iglesias, o mercado externo vem atuando de maneira decisiva ao longo do ano de 2011, ajudando a reduzir a disponibilidade interna de carne de frango e auxiliando no ajuste da oferta. “Os resultados observados têm sido excelentes apesar das dificuldades inerentes a paridade cambial. A abertura da Malásia para a carne de peru pode ser um indício de que também ocorrerá a abertura para a carne de frango”, aponta. Garante que a tentativa de abertura de novos mercados é uma constante, mas as negociações ocorrem de maneira lenta e os resultados tardam a aparecer.

As exportações de cortes somaram embarques de 1,019 milhão de toneladas (crescimento de 8,1%) e receita cambial de US$ 2,147 milhões (+30,6%). Já as vendas de frango inteiro totalizaram 732 mil toneladas (+4,1%), com receita de US$ 1,295 bilhão (+27%). As exportações de frango industrializado, de 89 mil toneladas (+19%), representaram receita de US$ 280 milhões (+38,9%). Nos outros segmentos, os embarques foram de 86,8 mil toneladas (+3,8%), com uma receita de US$ 277,2 milhões (+12,3%).

O Oriente Médio é a principal região de destino da carne de frango brasileira, para onde foram embarcadas, no primeiro semestre de 2011, 718,3 mil toneladas, aumento de 8,6% sobre 2010. A receita cambial somou US$ 1,361 bilhão, crescimento de 31,7%. As exportações destinadas à Ásia somaram 541 mil toneladas, 9,7% acima do verificado no mesmo período do ano anterior, enquanto a receita foi de US$ 1,236 bilhão, incremento de 34,9%. A União Europeia respondeu como o terceiro maior mercado comprador no período, com encomendas de 240 mil toneladas, ou 14,1% a mais do que entre janeiro e junho de 2010. A receita cambial, de US$ 700,9 milhões, foi 32,5% maior na mesma comparação.

Para a África as vendas totalizaram 228,4 mil toneladas (+0,7%) e a receita cambial ficou em US$ 313,9 milhões (+19,7%). Para os países das Américas, o Brasil exportou 132,7 mil toneladas de carne de frango, 4,9% a menos na comparação com o período do ano anterior, obtendo uma receita de US$ 243,9 milhões (+5,1%). No caso dos demais países da Europa (extra UE), os embarques foram de 65,7 mil toneladas, com queda de 9,2%, a receita aumentou 1,7%, totalizando US$ 139,5 milhões.