A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Uva/Vinho

O momento vale um brinde

A safra de uva e vinho no Rio Grande do Sul é a maior de todos os tempos. O mercado de sucos cresceu 300% em sete anos; 20% só em 2010

O setor de uva e vinho vive um momento espetacular. O Instituto Brasileiro de Vinho (Ibravin) anunciou em julho de 2011 que a safra de uva 2010/2011 é a maior da história no Rio Grande do Sul. Foram colhidos 707,2 milhões de quilos de uvas no estado, que é responsável por 55% da produção nacional de uvas e 90% de vinhos. Comparado a 2010, o crescimento é de 34,2% – 180,4 milhões de quilos a mais. O recorde anterior era de 2008, de 634 milhões de quilos – ou 10,3% inferior ao novo recorde. O maior aumento ocorreu nas uvas comuns (americanas ou híbridas),que resultaram na colheita de 624,9 milhões de quilos, enquanto as uvas viníferas somaram 82,3 milhões de quilos, um pouco menor do que os 83,8 milhões da safra 2008. Quase a metade das uvas comuns foi para a elaboração de suco, continuando a tendência que começou na safra anterior. Na comparação com 2004, dobrou o volume de uva comum designada ao suco: de 24,2% em 2004 para 49% em 2011. O mercado do suco de uva expandiu 300% nos últimos sete anos no Brasil. Em 2010, o aumento nas vendas de suco de uva pronto para beber foi de 20%. Isso justifica a preferência dos viticultores pelas variedades americanas ou híbridas, principalmente bordô e isabel.

Das uvas colhidas e processadas em 2011 no Rio Grande do Sul, 63,5% são de dois municípios: Bento Gonçalves (36,2%) e Flores da Cunha (27,3%). A participação desses municípios cresceu 89% no total de uvas processas no estado em 2011 em relação a 2010. Na safra passada, Bento Gonçalves processou 19,3% da uva gaúcha e Flores da Cunha 14,3%. O município de Farroupilha passou de 8,6% em 2010 para 10,7% das uvas processadas no Rio Grande do Sul.

O diretor-executivo do Ibravin, Carlos Raimundo Paviani, atribuiu o aumento da safra de uva às novas áreas de cultivo implantadas recentemente e que só em 2011 entraram definitivamente em produção, especialmente na Serra Gaúcha. “Expandimos a área produtiva de uva na Serra Gaúcha e também em outras regiões, como a Campanha, a Serra do Sudeste e, inclusive, o Norte do estado”, menciona Paviani.

Vinhos reconhecidos — As 751 vinícolas do Rio Grande do Sul andam de vento em popa. As dificuldades antigas de reconhecimento à qualidade já foram superadas, segundo aponta o balanço de resultados de vendas de vinho do Ibravin, inclusive no exterior. A comercialização de vinhos finos e de mesa alcançou um crescimento de 7,8% no primeiro semestre de 2011. Foram 112,5 milhões de litros de janeiro a junho, contra 104,3 milhões de litros nos primeiros seis meses de 2010. Os finos tintos tiveram suas vendas aumentadas em 4,4% no período, e os tintos de mesa cresceram 8,5%. O total de 6,8 milhões de litros de vinhos finos tintos vendidos no primeiro semestre supera todos os primeiros semestres dos últimos seis anos. “Cada vez mais o consumidor tem se voltado a descobrir a evolução do vinho brasileiro, e isso tem se refletido nas vendas”, explica Júlio Fante, presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, lembrando que o consumidor brasileiro já reconhece a qualidade do vinho nacional.

Por meio do projeto Wines of Brasil, realizado pelo Ibravin em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), as vendas externas de vinhos têm se expandido. As vinícolas exportaram R$ 1,2 milhão no primeiro semestre de 2011, resultado 40% superior ao mesmo período do ano anterior. “Nossa meta para o ano é exportar mais de US$ 4 milhões de vinho brasileiro fino engarrafado”, disse a gerente de Promoção Comercial do Wines of Brasil, Andreia Gentilini Milan.

As vinícolas que fazem parte da associação – Aurora, Basso, Boscato, Casa Valduga, Geisse, Fazenda Ouro Verde, Lidio Carraro, Miolo, Peterlongo, Pizzato e Salton – exportaram para 27 países. O Reino Unido é o maior comprador, com 17% de participação, seguido da Colômbia, com 13,5%, da Holanda, com 9%. Os Estados Unidos, em 2011, aparecem em quarto lugar, com 8%. Há otimismo em relação à China, uma vez que o país já aparece entre os maiores compradores, com 6% de participação. Além disso, quem provoca uma grande dor de cabeça para os produtores brasileiros vem perdendo espaço. Chile e Argentina, que são responsáveis por quase metade da importação de vinho, perderam mercado: a entrada de vinhos chilenos e argentinos caiu 1,25% e 9%, respectivamente, na comparação com o primeiro semestre do ano anterior.