A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Batata

Segmento em declínio

Nem mesmo a volatilidade típica dos setores agropecuários se mostra um alento para os produtores de batata

Silvia Palhares

Preço cai com pico de safra das secas”. A frase de destaque no informativo Hortifruti Brasil de julho de 2011, publicado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), releva um decréscimo de 27% no valor pago ao produtor pela batata Ágata na comparação entre o mês de junho de 2010 e 2011. Em 2010 o bataticultor recebeu no atacado de São Paulo R$ 72,16/saca de 50 quilos; em 2011 o preço caiu para R$ 52,66.

De acordo com Natalino Shimoyama, gerente geral da Associação Brasileira da Batata (Abba), a cadeia produtiva do tubérculo, assim como todas as outras destinadas ao abastecimento interno, está em situação crítica, principalmente por não haver nenhum apoio. Há muitos obstáculos relacionados diretamente a questões políticas, econômicas e sociais. Para ele, faltam legislações técnicas modernas para a produção e o consumo, bem como legislações trabalhistas e ambientais sensatas, “ou seja, que possam ser adotadas”, define. Outras questões que o dirigente destaca como influência direta nos problemas da atividade são o excesso de tributações financeiras, a falta de apoio à pesquisa para solução de dificuldades técnicas e geração de tecnologia, além da desorganização das próprias cadeias produtivas.

A produção nacional hoje oscila entre 2,5 milhões e 3 milhões de toneladas, cultivadas em 100 mil hectares, área que tem sofrido decréscimo lento há alguns anos. Passou de 191,8 mil hectares em 2007 para 190,5 em 2008, e 181,1 em 2009, conforme o IBGE. Um dos motivos é o alto custo de produção. Shimoyama ressalta que, atualmente, ela varia entre R$ 15 mil e R$ 30 mil por hectare, tendo como item de maior valor os recursos humanos, desde o pessoal administrativo até os catadores de batata. “Em todas as temporadas, esse investimento tem tornado a atividade cada vez mais limitante. Muitos produtores quebraram, outros estão falindo e os que ainda estão plantando são obrigados a reduzir a área pelo fato de não conseguirem mantê-la.”

Raio X — A produção nacional de batata destina-se integralmente ao mercado interno, que consome prioritariamente o produto in natura (60% a 70%). O que é destinado à indústria pode ser dividido em dois mercados: o de batatas chips, cuja demanda é de aproximadamente 300 mil toneladas; e o de batata pré-frita congelada, no qual apenas 20% da matéria-prima utilizada é produzida no Brasil.

Este, por sinal, representa um nicho em expansão. Segundo Arione da Silva Pereira, agrônomo e pesquisador de Melhoramento Vegetal de Batata da Embrapa Clima Temperado, a indústria brasileira está aumentando o processamento da matéria-prima, especialmente para a transformação de batata congelada, com o objetivo de reduzir a importação. Mas para isso é preciso que os produtores invistam em variedades bem definidas, que tenham aptidão para a fritura – caso da Asterix e da BRS Ana –, e que consigam reduzir os custos de produção para que se tornem mais competitivos. “A demanda pelo produto fundamenta a alta qualidade na aparência, principalmente quando ele é fresco. Entretanto, somente isso não tem sido suficiente para o mercado. É necessário que a matéria-prima tenha também a aptidão de uso. Para a fritura, a batata precisa ter bastante massa seca e menos conteúdo de água, características que estão relacionadas à crocância e à menor absorção de gordura.”