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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Florestamento

Crescimento inabalável

Até 2020, serão investidos no Brasil US$ 20 bilhões para a ampliação em 45% da base florestal do setor de celulose e papel. As florestas plantadas passarão de 2,2 milhões para 3,2 milhões de hectares

Luiz Silva

A retomada do crescimento experimentada pelo setor de florestas plantadas no Brasil em 2010 se manteve nos primeiros meses de 2011. E a projeção positiva é prevista para os próximos anos. Com o fim da crise financeira mundial de 2009 e a consequente redução de exportações de celulose, produtos siderúrgicos e móveis, o cenário voltou a ser positivo para o segmento. O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), Antonio Sergio Alipio, prevê no curto prazo um aumento da área de plantios florestais, a intensificação da migração do negócio florestal para o Hemisfério Sul (principalmente América Latina e África), a consolidação das novas fronteiras florestais brasileiras e o desenvolvimento de novos mercados – produtos e negócios, como as biorrefinarias e as bioenergéticas.

Nos próximos meses, ele destaca a importância de dois condicionantes para um desenvolvimento maior do segmento: a taxa de câmbio e o ritmo de crescimento dos mercados emergentes (principalmente o chinês). “Existe um enorme potencial para ser desenvolvido, mas já exibimos números vistosos. Afinal, são mais de 4,5 milhões de empregos gerados, e um valor bruto de produção de R$ 51,8 bilhões”, destaca Alipio.

Os segmentos que lidam com a matéria-prima das florestas apresentam dados otimistas. O último relatório de conjuntura da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) revelou que, até maio de 2011, a receita de exportações mantém-se em destaque com 7,9% de aumento em relação ao mesmo período do ano passado. Ou seja, US$ 2,9 bilhões em vendas externas. Destacam-se os negócios com celulose, que aumentaram 6,3% ante o resultado dos mesmos cinco meses do ano passado, totalizando US$ 2 bilhões. Europa e China respondem por 73% do valor total da receita de exportações da fibra e se mantêm como os líderes na compra do insumo brasileiro. A produção de celulose registrou 5,8 milhões de toneladas de janeiro a maio, volume estável em relação ao total fabricado até maio de 2010.

Consolidação — A produção de papéis de todos os tipos já alcançou 4,1 milhões de toneladas no acumulado dos cinco primeiros meses de 2011, volume 1,8% maior que o produzido entre janeiro e maio de 2010, com destaque para papéis de fins sanitários e papéis para embalagens que acumulam aumento de 7% e 3,7%, respectivamente, em relação aos volumes de produção do mesmo período de 2010. Para a presidente executiva da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes, os dados evidenciam a consolidação do Brasil tanto no mercado externo quanto no crescimento doméstico, mostrando que o caminho de superação da crise financeira internacional de 2009 foi acertado, com o aumento da produção e a recuperação a receita de exportação. “São números expressivos, que favorecem o novo ciclo de expansão da indústria. Nosso pensamento vai além”, diz a dirigente.

Segundo ela, até 2020, deverão ser investidos US$ 20 bilhões, com o objetivo de ampliar a base florestal do setor de celulose e papel em 45% – com isso, as florestas plantadas passarão dos atuais 2,2 milhões de hectares para 3,2 milhões de hectares. Estima, ainda, que a produção de celulose terá aumento de 57% e a de papel, 30%, chegando a 22 milhões de toneladas e a 12,7 milhões de toneladas, respectivamente. Esses investimentos também deverão dobrar, em dez anos, a receita de exportação, que alcançará o montante de US$ 13 bilhões. “A produtividade das florestas plantadas brasileiras, em comparação a seus principais concorrentes, é um importante diferencial competitivo nacional, principalmente porque em muitos países, com índices de produtividade inferiores, não há terras disponíveis para novos plantios”, pondera Elisabeth.

O Brasil é o quarto produtor mundial de celulose e as perspectivas para o setor, baseadas em estudos sobre o aumento de consumo de papel e maior dinamismo econômico de mercados emergentes (China, Índia, Rússia e países do Leste Europeu e da América Latina) são bastante otimistas. A executiva da Bracelpa ressalta que a demanda por todos os tipos de papel aumentará, em média, 1,5% ao ano até 2025. E no caso dos papéis de embalagem e para fins sanitários a média anual chegará a 2,5%. Para atender a esse crescimento, a produção anual de celulose de mercado em todo o mundo terá de chegar, no final desse período, a 74 milhões de toneladas, o que representa incremento de 25 milhões de toneladas do volume produzido atualmente. “Nesse contexto, o Brasil, pela qualidade das fibras de eucalipto e pinus e seus atributos de sustentabilidade, será um player global cada vez mais importante”, destaca.

Na opinião de Alipio, o crescimento poderia ser ainda maior não fossem alguns entraves. Segundo ele, a restrição de compras de terras por estrangeiros afetou diretamente as empresas do setor Daniel Andriotti/CMPC Celulose Riograndense que, em sua maioria, têm participação de capital estrangeiro. O efeito imediato foi a impossibilidade de adquirir áreas para expansão ou implantação de projetos. O dirigente informa que o total de investimentos paralisados ou suspensos atinge mais de R$ 37 bilhões, entre novas áreas florestais e novas unidades de produção industrial. “A complexidade de concessão de licenciamento ambiental para novos projetos de florestas plantadas também contribuiu para um modesto crescimento de 3,2% de novas áreas de florestas em 2010 em relação a 2009”, destaca.

Para Elisabeth, é necessário mostrar que o Brasil possui um dos maiores remanescentes de florestas nativas do mundo. São cerca de 5,1 milhões de quilômetros quadrados, a metade de toda área da Europa, abrangendo diferentes zonas climáticas e biomas que guardam 20% das espécies do planeta. Aponta que a indústria de celulose e papel contribui para a preservação, recuperação e estudo da biodiversidade desse patrimônio natural ao proteger 2,9 milhões de hectares de vegetação nativa (florestas, campos naturais, banhados ou várzeas), com destaque para a Mata Atlântica. “Manter a biodiversidade dentro de padrões sustentáveis é uma garantia para a natureza continuar oferecendo serviços ambientais essenciais à vida e ao sustento do ser humano, como água, solo e clima equilibrado”, define.

Além de conservar significativas porções de mata nativa, as empresas do setor recuperam áreas que foram degradadas por outras atividades econômicas, diz a presidente executiva da Bracelpa. “A mata nativa não é explorada para produzir celulose e papel – nem nos processos industriais, nem como biomassa energética. Toda matériaprima provém de florestas plantadas de pinus e eucalipto”, frisa, ressaltando que a convivência desses plantios florestais com a mata nativa permite o livre trânsito dos animais e contribui para a manutenção dos ecossistemas em condições saudáveis.

O Brasil é o quarto produtor mundial de celulose, e as perspectivas são bastante otimistas, sobretudo pelo aumento do consumo na Ásia, Rússia e Leste Europeu