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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Ovinos/Caprinos

Lugar ao sol garantido

Com o consumo cada vez maior de produtos da ovinocaprinocultura, produtores olham com mais profissionalismo e organização às atividades

Silvia Palhares

O mercado mais seleto da caprinocultura e a demanda cada vez maior por produtos da ovinocultura têm deixado as atividades em foco nos últimos anos. Não à toa as cadeias produtivas vêm se organizando cada dia mais. Por isso, podese ver, por exemplo, um grande crescimento no rebanho efetivo de ovinos. De 2005 a 2009 (último censo apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE), o incremento foi de 63%, passando de 10,3 milhões de cabeças para 16,8 milhões.

De acordo com Paulo Afonso Schwab, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), essa evolução é fruto de um trabalho que vem sendo feito há bastante tempo, que envolve principalmente o melhoramento genético das raças com aptidão para carne. Foi assim que tiveram origens projetos como o Programa Cordeiro de Qualidade, desenvolvido pelo Sebrae, cujo objetivo é organizar a atividade e agregar valor ao produto final por meio da disponibilização de tecnologia, de consultores de grupo e de gestão financeira, além de especialistas na cadeia para dar orientações referentes à comercialização e ao mercado. Com isso, os frigoríficos também se dispuseram a implementar o abate dos animais de médio porte e os programas de bonificação.

O dirigente lembra, ainda, que todo esse movimento se deu por conta da queda no consumo de lã no mercado internacional, uma vez que esse era o foco dos rebanhos brasileiros, especialmente no Rio Grande do Sul, que mantinha, entre as décadas de 1980 e 1990, cerca de 13 milhões de cabeças. Ele comenta que o Brasil vinha, durante muito tempo, importando a carne de cordeiro do Uruguai, e por isso o consumidor pegou gosto por ela. “Como a oferta era muito sazonal, os produtores passaram a buscar esse nicho de mercado como o principal”. A oferta de carne ainda é baixa, assim como o consumo: no Brasil, gira em torno de 400 gramas/habitante/ano. Comparado com a maioria dos países, de 2 quilos/habitante/ano, o volume é em média 80% menor.

Caprinos encolhem — Já o rebanho de caprinos, atualmente composto por 9,1 milhões de animais, vem apresentando decréscimo lento, que chegou a 11% desde 2005. Apesar disso, a cadeia produtiva está se organizando e hoje o criador se preocupa em produzir um cabrito de melhor carcaça e precoce, conseguindo melhor preço por produtos de cruzamento de raças especializadas como Anglonubiana, Bôer, Savanah e Kalahari, segundo informa Tomaz Quintas Radel, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Caprinos (Abcc).

O rebanho de caprinos encolheu 11% desde 2005 e hoje é formado por 9,1 milhões de animais

Em sua análise, como a atividade está dando um bom retorno, tem sido feito investimento em tecnologia, mão de obra, produção de volumoso, sanidade, dentre outras áreas de importância para o desenvolvimento da atividade. “A carne de caprino caiu no gosto do brasileiro, especialmente das pessoas que estão preocupadas com melhor qualidade de vida, por ser uma proteína saudável e recomendada por nutricionistas. É nesse sentido que a cadeia está se organizando para poder suprir a demanda ao consumo interno, que hoje não consegue atender”, avalia.

Outro ponto destacado pelo dirigente é que a carne é mais consumida no Nordeste, onde se caracteriza como prato típico, mas vem ganhando espaço no restante do país. No leite, o foco é a produção de queijos finos artesanais que suprem as necessidades de hotéis, delicatesses e restaurantes. Entretanto, seu consumo cresce também nas creches de alguns municípios que fornecem para a rede pública de ensino.

Mercado de carnes — De acordo com a análise apresentada pelo médico veterinário e pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos Octávio Rossi de Morais, o cenário no caso da carne ovina é muito positivo, com demanda crescente e alto volume de importação. Principalmente do Uruguai, apesar de o país ter reduzido a oferta para o Brasil para entrar em mercados como Europa e Estados Unidos. “Como essa importação diminuiu (na comparação entre janeiro e julho de 2010 e de 2011, a queda foi de 26,7%), estamos com um mercado aberto e pouco abastecido. A questão é que muitas vezes o setor tem excedentes de produção local, com cerca de 90% do abate informal, que não chegam ao mercado por falta de organização na distribuição”, enfatiza. A informalidade está no mesmo patamar quando se trata de abate de caprinos.

Por outro lado, Schwab comenta que alguns frigoríficos já estão trabalhando com bonificação por qualidade. O acréscimo chega a variar entre 10% a 15% em cima do preço de mercado. Com relação ao preço para ao produtor, Morais ressalta que houve aumento no final de 2010 e começo de 2011, chegando a R$ 4,5 por quilo vivo, com reajuste em julho de 2011 entre R$ 3,5 a R$ 3,8/quilo vivo, se aproximando da série de preços históricos (R$ 3). Já para a carne caprina, pelo mercado bem mais restrito, o pesquisador diz não ter um cenário que defina se ele está bem ou não, mas que em algumas regiões o preço segue o da carne ovina.