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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Hortaliças

A profissionalização do mercado

A profissionalização do mercado

As transformações na cadeia de hortaliças têm sido guiadas pelas demandas dos consumidores, que buscam qualidade, conveniência e principalmente um alimento seguro

Até bem pouco tempo a produção e comercialização de hortaliças no Brasil se caracterizava pela informalidade e pela ausência de dados precisos sobre o segmento. Esta realidade começou a ser transformada a partir da organização da cadeia produtiva, que vem se modernizando e investindo na busca de melhores resultados, qualidade e atendimento como estratégias para ampliar o consumo. Hoje, o setor pode ser definido como um ramo do agronegócio em pleno crescimento e que movimenta milhões de reais anualmente, do campo ao varejo. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (Abcsem), de Campinas/SP, revela que, só em 2009, cerca de R$ 307 milhões foram comercializados em sementes de hortaliças no país, valor pago pelos produtores.

De acordo com o presidente da entidade, Luis Eduardo Rodrigues,em 2001 foram produzidas cerca de 11,5 milhões de toneladas de hortaliças no Brasil. Já em 2010, este número quase dobrou, chegando a 19,3 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que constam no site da Embrapa Hortaliças. “É o terceiro segmento do agronegócio brasileiro em termos de volume de produção, perdendo apenas para a soja e o milho”, observa Rodrigues.

Ainda segundo o levantamento feito pela Abcsem, a área plantada com hortaliças no Brasil está estimada em 700 mil hectares, com envolvimento de mais de 700 mil produtores, que geram cerca de 3 milhões de empregos diretos. Rodrigues explica que a base da horticultura brasileira é a mão de obra familiar. “Mas o segmento, por suas características de cultivo, proporciona de quatro a seis empregos diretos por hectare, número bastante considerável quando comparado a outras culturas”, acrescenta.

A produção nacional de hortaliças abrange mais de 80 espécies cultivadas e uma grande segmentação de mercado, devido a diferentes tipos de produto. Entre as principais estão tomate, alface, cebola, cenoura, pimentão e melão. A pesquisa de 2009 também revelou que a melancia, com 98 mil hectares; a cebola, com 53 mil hectares; a alface, com 51 mil hectares; o tomate, com 55 mil hectares (38 mil de tomate de mesa e 17 mil de tomate para processamento); o milho doce, com 36 mil hectares e o repolho, com 35 mil hectares, são as espécies de hortaliças que tem mais representatividade em termos de área.

O principal destaque do setor é a tomaticultura, que movimenta uma cifra anual superior a R$ 2 bilhões (cerca de 16% do PIB gerados pela produção de hortaliças no Brasil), de acordo com pesquisa da Abcsem. “O tomate representa para as redes de supermercado um produto estratégico nas áreas de FLV (Frutas/Legumes/Verduras)”, informa o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e presidente da Associação Brasileira de Horticultura (ABH), Paulo César Tavares de Melo.

Incentivo ao consumo — Para Melo, as transformações na cadeia de hortaliças têm sido guiadas pelas demandas dos consumidores que buscam qualidade, conveniência e principalmente um alimento seguro. “O consumidor está disposto a pagar um preço maior por qualidade e por novidades. Uma das estratégias adotadas para incentivar o consumo é por meio da excitação dos sentidos, ou seja, surpreender o consumidor com hortaliças de cor não esperada e com sabor acentuado”, destaca.

Este novo paradigma, segundo ele, vem acompanhado de um desafio ainda maior. É que apesar de serem baratas e extremamente saudáveis, quando comparadas aos produtos industrializados, as hortaliças ainda têm baixo consumo e grande espaço para conquistar no mercado nacional. “O consumo no país está muito abaixo do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Enquanto a entidade recomenda 140 quilos per capita ao ano o consumo médio no Brasil é de aproximadamente 45 quilos per capita anuais. Temos a necessidade de triplicar o nível atual de consumo”, avalia Melo.

Mas para que isso ocorra, a cadeia produtiva ainda precisa fazer alguns ajustes na sua estrutura. Um dos aspectos a serem corrigidos, segundo Melo, diz respeito aos canais de distribuição. “A mudança na estrutura de comercialização tem causado impactos negativos à cadeia de hortaliças, pois exclui aqueles produtores incapazes de atender às exigências das centrais de compra das grandes redes varejistas. Ao mesmo tempo, o varejo é dominado por um reduzido número de grandes redes, o que torna a sobrevivência de pequenos varejistas cada vez mais difícil”, lembra o dirigente.