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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Fumo

A meta agora é a certificação

A área, a produtividade e a produção de fumo encolheram na safra 2009/2010, mas a receita bruta do agricultor cresceu Luiz Silva

Na aparência, o cenário para a cadeia produtiva do setor fumageiro não era o melhor no início da safra 2009/10. A área plantada caíra dos 374 mil hectares na safra 2008/09 para 370,8 mil hectares. E a produção, cuja colheita se encerrou no final de julho de 2010, recuou em torno de 60 mil toneladas, em razão de condições climáticas desfavoráveis. No entanto, segundo o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, a estimativa de receita bruta dos produtores é de R$ 4,384 bilhões. No ano passado, foi de R$ 4,049 bilhões. Um crescimento apreciável de 8,27%. Para o dirigente, este faturamento pode ser considerado satisfatório de uma maneira geral. Embora algumas regiões tenham registrado baixas produtividades, o que afetou a rentabilidade de uma parcela dos produtores. A queda no rendimento ocorreu onde predominam as variedades Burley – região oeste de Santa Catarina e do Paraná e Rio Grande do Sul – e Virgínia, no litoral de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Werner explica que a queda na área plantada é reflexo da adequação ao mercado internacional, já que as exportações são responsáveis por 85% da produção do Sul do Brasil, onde se concentra quase toda a produção brasileira. “A diminuição da rentabilidade resultou do clima adverso, que afetou a produtividade. E o aumento da receita é proveniente da boa qualidade da safra”, explica o presidente da Afubra.

O Sindicato da Indústria do Tabaco da Região Sul do Brasil (SindiTabaco) dispõe de uma pesquisa feita pela empresa de consultoria PricewaterhouseCoopres, mostrando um cenário levemente diferente. Pelo estudo, a área plantada por 186 mil produtores em 730 municípios do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná na safra 2008/2009 foi de 376 mil hectares, enquanto a tendência para 2009/2010 (cujos números ainda não foram fechados) é de um crescimento considerado leve, entre 2% a 6%. O presidente da entidade, Iro Schüke, ainda aguarda nova pesquisa da instituição, mas acredita que a produção deverá ser igual a do ano anterior (739 mil toneladas). Já quanto à safra 2010/ 2011, o presidente Werner, da Afubra, diz que ainda é prematuro afirmar algo com segurança. Mas revela que a tendência é de uma pequena queda, da ordem de até 5%. Sempre acompanhando o que dita o mercado externo.

Em relação à produtividade, Schüke diz que houve uma queda entre 10% e 12%, por causa da chuva em algumas regiões. A pesquisa da PricewaterhouseCoopres revela que o Virgínia registrou na safra 2009/2010 um rendimento médio entre 1.700 a 1.800 quilos por hectare, enquanto a produtividade das variedades Burley e a comum oscilaram de 1.600 a 1.700 quilos por hectare. “Nada disso vai atrapalhar os negócios. A produção será suficiente para atender à demanda”, diz o dirigente.

Em 2009, apesar da crise internacional, o tabaco atingiu seu recorde nos valores embarcados, totalizando US$ 3,020 bilhões, o que representou 2% das exportações totais brasileiras. Schüke admite que, neste ano, com o real muito valorizado, a competitividade do setor será desafiada. No primeiro semestre de 2009, a taxa cambial foi mais favorável do que a de 2010. O dólar oscilava entre R$ 2,010 e R$ 2,020, ante R$ 1,750 a R$ 1,850 de 2010.

Mesmo assim, o dirigente acredita na repetição dos números de 2009, que representou uma ascensão em valores nas exportações. Segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em 1999 as divisas com a exportação de tabaco foram de US$ 895 milhões, com aumentos gradativos ao longo dos anos, até chegar aos US$ 3,020 bilhões dez anos depois. Crescimento de 237,43% em uma década. No mesmo período, o volume passou de 334 mil toneladas para 672 mil toneladas (101% mais). Ou seja, no período, a receita com negócios externos foi bastante superior se comparado com o volume físico. O Brasil é o segundo maior produtor e líder mundial em exportações, superando Índia, China e Estados Unidos.

Werner concorda que o maior entrave, no momento, é a política cambial. Para ele, com o atual valor do dólar, a produção brasileira perde em competitividade em relação a outros produtores, já que quase todo o volume é exportado. Além disso, tradicionais produtores como os EUA (que perdeu mercado pelo alto custo de produção) e o sul da África (por conflitos internos) estão retomando os níveis de produção de alguns anos atrás. “Com isso, a oferta do produto nessas regiões tende a aumentar nos próximos anos”, afirma.

Como soluções, Werner defende a estabilização da política cambial, o alívio da carga tributária imposta ao setor, o aumento da produtividade e a redução dos custos de produção. É a forma de contrabalançar os problemas no mercado interno, pois existem indicativos de queda nos próximos anos em função do aumento do contrabando e da falsificação de cigarros.

Certificação — O setor deu em julho de 2010 o pontapé inicial para valorizar o produto exportado. Schüke entregou no Ministério da Agricultura a documentação que poderá levar à Certificação da Produção Integrada do Tabaco (Pitab) na Região Sul. O projeto foi desenvolvido por um comitê gestor sob a coordenação do professor Carlos Antonio da Costa Tillmann, do Curso de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Para o presidente do SindiTabaco, a certificação da produção é cada vez mais exigida pelo mercado, especialmente o externo. Como a maior parte da cultura é exportada, os fumicultores brasileiros não querem ficar para trás. “A certificação será uma garantia para quem compra e status diferenciado para quem vende”, justifica.