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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Florestamento

Bons ventos sacodem o setor

Após a crise mundial, mercado externo e interno de papel e celulose apresentam números de recuperação
Luiz Silva

Os bons ventos começam a soprar na direção do setor florestal, que amargou prejuízos sucessivos nos dois últimos anos, por conta da crise financeira mundial. Dependente das exportações, que significam sua principal fonte de receita, o segmento apresentou no primeiro semestre de 2009 um recuo de 17%, em função da queda no preço da commodity desde outubro de 2008.

Em 2010, porém, já pode ser vislumbrada uma recuperação em curso, considerando-se os números computados por entidades nos últimos meses.

De acordo com a presidente executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elisabeth de Carvalhaes, o foco das empresas está na recuperação das perdas de receita de 2009, com grande expectativa em relação ao aumento da receita de exportação. Os resultados do primeiro semestre de 2010 indicam crescimento em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a junho, a produção de celulose foi de 6,9 milhões de toneladas, volume 9,2% superior ao produzido nos mesmos seis meses de 2009 (6,3 milhões de toneladas). A produção de papel somou 4,9 milhões de toneladas, volume 7,8% maior que o fabricado até junho de 2009, quando foram produzidas 4,5 milhões de toneladas.

“A demanda interna por papéis também tem revelado sinais positivos”, afirma Elisabeth. O crescimento foi de 9,7% em relação aos primeiro semestre do ano passado, com aumento das vendas em todos os segmentos do produto. Destaque para o papel-cartão e os papéis para embalagens, que se mantêm entre os produtos com o melhor desempenho no período – aumento de 30,6% e de 12,9%, respectivamente, sobre os resultados dos primeiros seis meses de 2009.

Na avaliação de Marco Tuoto, diretor da STCP Engenharia de Projetos e consultor da Associação Brasileira de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), o cenário nunca esteve tão favorável para as plantações florestais no Brasil. Na sua avaliação, a demanda de madeira em tora oriunda de plantações florestais tem crescido 6% ao ano nas últimas duas décadas. Ele é incisivo: as plantações florestais existentes atualmente no país não são suficientes para atender a demanda futura. “O setor de celulose e papel e o setor siderúrgico (carvão vegetal) são os principais alavancadores do crescimento da demanda”, destaca.

País promissor — Segundo Tuoto, o Brasil atualmente é o país que apresenta as melhores silvicultura. A seu ver, isso se deve a diferentes aspectos, como disponibilidade de terras, condições edafoclimáticas (clima, relevo, litologia, temperatura, umidade do ar, radiação, tipo de solo, vento, composição atmosférica e precipitação pluvial), tecnologia e mão de obra. “Trata-se de vantagens comparativas que fortalecem sua competitividade”, deduz. Para 2010 e 2011, a perspectiva é uma forte expansão da base florestal (baseada em floresta plantada no Brasil), calcada pelo crescimento da demanda. “Fundos de investimentos nacionais e internacionais exercerão forte influência na expansão da base florestal do país, além dos produtores de celulose e siderúrgicas”, revela o consultor.

As vendas externas também ganham impulso. Os dados do primeiro semestre de 2010, conforme a executiva da Bracelpa, reforçam a tendência de aumento da demanda por celulose brasileira nos mercados mais impactados pela crise financeira internacional. A receita de exportações do setor vem se recuperando e, no semestre, registrou crescimento de 44,9% na comparação com os resultados do mesmo período de 2009, enquanto o saldo comercial do setor somou US$ 2,49 bilhões.

A demanda externa aumentou em 8,3% o volume das exportações de realizados entre janeiro e junho de 2009. Elisabeth ressalta o valor das vendas para a Europa, que aumentou 80,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Na América do Norte, a receita de exportações cresceu 47,3% na comparação com

  1. o valor acumulado até junho de 2009. Registra também as exportações de papel para os países latino-americanos, cujo valor cresceu 29,6% em relação aos primeiros seis meses de 2009. No caso dos produtos de madeira sólida, Tuoto diz que a indústria nacional ainda sente os reflexos da crise imobiliária americana. Em relação à celulose, os preços atuais têm alçado patamares máximos, de acordo com

  2. o consultor da Abimci.

Projetos a médio prazo — Recém saindo da crise, a indústria brasileira de celulose e papel faz planos a curto prazo. Segundo a presidente da Bracelpa, o setor investirá cerca de US$ 20 bilhões nos próximos sete anos na base florestal e na construção de novas fábricas. “Ao final de 2017, quando terminará o ciclo de crescimento das florestas que estão sendo plantadas em 2010, a produção de celulose passará de 13,4 milhões para 20 milhões de toneladas”, anuncia a dirigente. Também nesse período, a produção de papel aumentará de 9,3 milhões para 12,5 milhões de toneladas, e a área de florestas plantadas crescerá 25% – passando de 2 milhões para 2,5 milhões de hectares. Hoje são 6,3 milhões de hectares de florestas plantadas no Brasil – que fornecem matéria-prima para a indústria de madeira, siderurgia e de celulose e papel.

Os números da Bracelpa vêm mostrando que este ano será bem melhor que 2009. O cenário é positivo e estimulante. Mas, na avaliação da presidente executiva da entidade, o setor só sairá da crise em 2011. “No longo prazo, com ciclos produtivos durando cerca de seis a sete anos, avaliamos que o setor viverá o ciclo mais importante das últimas décadas”, acredita. E salienta que os investimentos das empresas brasileiras nos próximos sete anos coincidem com perspectivas otimistas para a economia nacional.