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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Suíno

Futuro imediato promissor

Setor suinícola tem bom desempenho da demanda interna e aguarda avanços nas exportações. Melhora da renda da população é um indicativo importante
Arno Baasch e equipe de analistas de Safras & Mercado

O mercado brasileiro de carne suína ingressou no segundo semestre de 2010 comemorando a recuperação da demanda interna ao longo do ano e prospectando melhores resultados na exportação. A continuidade do trabalho iniciado há mais de dois anos pela cadeia produtiva do setor, no sentido de divulgar a qualidade do produto e a busca de melhoria no consumo, ganhou força no primeiro semestre com o apoio recebido por parte de entidades público-privadas de fomento. Isso contribuiu para um incremento na demanda pelo produto em todo o país. A análise setorial indicou um quadro de oferta interna ajustado à demanda, apesar de um desempenho bastante limitado na exportação.

O balanço do primeiro trimestre de 2010 revela um quadro de preço mais alto para a carne suína em janeiro, de R$ 2,17 para o quilo vivo no Centro-Sul, seguido de queda em fevereiro (R$ 2,15 o quilo vivo). Em março, o preço até ensaiou uma recuperação “forçada”, mais para o final do período, chegando a R$ 2,34. De modo geral, entretanto, o período foi marcado por uma elevada disponibilidade interna e um recuo nos volumes exportados. No segundo e terceiro mês do ano, por exemplo, a oferta interna de carne ficou em 225,923 mil e 247,527 mil toneladas, respectivamente, com alta de 6,67% e de 4,35% frente a fevereiro e março de 2009. Já as exportações atingiram 33,701 mil toneladas e 47,626 mil toneladas em fevereiro e março, queda de 23,1% e de 2% ante o mesmo período do ano passado. No trimestre, os embarques recuaram 0,93%, atingindo 118,686 mil toneladas, aquém das 127,942 mil toneladas embarcadas nos três primeiros meses de 2009.

De acordo com o analista de Safras & Mercado Gabriel Araldi, o preço em queda somente não foi mais expressivo pela decisão dos produtores de manter os animais confinados por mais tempo no período, de modo a evitar que a oferta ingressasse no mercado em patamares muito acima da capacidade de demanda. Isso ajudou a garantir preços mais altos em março. Ainda que nos três primeiros meses do ano o consumo tenha sido mais calmo, o que ocorre tradicionalmente, diante das férias escolares e das temperaturas mais elevadas no Centro-Sul, região que demanda boa parte da produção.

Apesar da estratégia adotada pelos produtores, não foi possível conter a alta na produção e nos abates de carne suína, se comparado ao mesmo período de 2009. Levantamento de Safras & Mercado revela que a produção atingiu 813,435 mil toneladas, com incremento de 1,14% frente aos três primeiros meses de 2009. Já os abates atingiram 7,886 milhões de cabeças, contra as 7,759 milhões registradas de janeiro a março de 2009, com crescimento de 1,6%.

Araldi explica que na tentativa de regular melhor o mercado os produtores de suínos adotaram as estratégias de reduzir o número de abates no segundo trimestre, passando a ofertar também animais com peso mais leve no atacado. No período, segundo dados preliminares, os abates atingiram 7,070 milhões de cabeças, bem abaixo das 7,945 milhões de cabeças abatidas entre abril e junho de 2009. Na comparação com o primeiro trimestre, o recuo chegou a 10,34%. A produção no período atingiu 728,224 mil toneladas, aquém das 822,069 mil toneladas produzidas de abril a junho de 2009, queda de 11,45%. No segundo trimestre, houve uma redução de 10,47% em comparação com os três primeiros meses do ano.

Na exportação, o desempenho do período abril a junho foi mais efetivo ante o primeiro trimestre, alcançando 137,110 mil toneladas, mas ficou 10,26% abaixo das 152,788 mil toneladas embarcadas no segundo trimestre de 2009. O desempenho mais fraco para os embarques do segundo trimestre, que acabaram impactando o desempenho do primeiro semestre como um todo, está relacionado ao fator cambial. “O real mais alto frente ao dólar determinou preços mais altos para o produto brasileiro no mercado externo e isso fez com que os tradicionais importadores passassem a buscar o produto em outros países ao invés de seguir comprando do Brasil”, destaca o analista de Safras & Mercado.

Apesar de uma exportação inferior ao que previa o mercado, por conta da menor produção, o setor conseguiu reduzir a disponibilidade interna, que ficou em 591,114 mil toneladas no segundo trimestre do ano, queda de 11,68% frente às 669,284 mil toneladas ofertadas no mesmo período de 2009. Em relação às 694,749 mil toneladas disponibilizadas no mercado interno de janeiro a março, houve uma retração de 14,91%. “Essa menor oferta foi benéfica ao mercado interno, que conseguiu trabalhar com preços mais altos para a carne suína no Centro-Sul. Em abril, o quilo vivo teve média de R$ 2,37, valor que chegou a R$ 2,40 em maio”, comenta Araldi.

Mais consumo — Para o segundo semestre de 2010, a expectativa é de um crescimento em termos de consumo. “Existem projeções econômicas mais favoráveis para o Brasil no período, com o avanço do Produto Interno Bruto e a melhora na renda da população, fatores que tendem a colaborar para um resultado mais efetivo para o setor de carne suína”, projeta Araldi. Outro indicativo importante é que, apesar do setor ter enfrentado dificuldades nos últimos dois anos, várias empresas fizeram investimentos fortes, ampliando granjas produtoras e agroindústrias. “Isso indica um quadro promissor para a cadeia produtiva”, destaca.

Em termos de mercado externo, o Brasil segue em busca de novos importadores, como União Europeia, Estados Unidos, Japão, Canadá, México e Coreia do Sul. Para Araldi, caso esses mercados sejam abertos, o Brasil poderá aumentar consideravelmente sua participação na demanda mundial. “Entretanto, dificilmente o país conseguirá igualar os embarques de 2009 em 2010, por conta da questão cambial, que pelos indicativos tende a permanecer desfavorável aos embarques até o final de 2010”, finaliza.