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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Feijão

Após o desânimo, crescimento

A primeira safra de feijão da temporada 2010/2011 deverá se expandir 4,6% e a produção 5,4%. As condições climáticas são sempre um balizador importante

Laura Ruschel e equipe de analistas de Safras & Mercado

O mercado de feijão é guiado quase que exclusivamente pelas condições climáticas das principais regiões produtoras. Em um setor voltado unicamente para o mercado interno, a volatilidade encontra terreno livre para prosperar. Assim, os “altos e baixos” são corriqueiros no mercado de feijão. Para quem planta, a temporada 2009/10 foi marcada pelo avanço dos preços, influenciados pelas chuvas em excesso que afetaram tanto a quantidade como também a qualidade dos grãos colhidos.

>Depois de um ano marcado pela estabilidade dos preços em níveis baixos, o feijão carioca da categoria extra novo pulou de R$ 80 por saca de 60 quilos no atacado paulista, em 10 de fevereiro, para R$ 180 por saca em meados de abril. O salto foi de 125% em apenas dois meses. Ao longo de 2009, os preços do feijão carioca se mantiveram estáveis em aproximadamente R$ 80. No final de 2008, as bases haviam despencado, por conta do clima favorável nas áreas de cultivo, e continuaram baixos praticamente durante todo o decorrer de 2009, desestimulando o plantio.

Qualidade depreciada — Segundo o décimo levantamento da safra de grãos da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), a área cultivada da primeira safra diminuiu 0,6% em 2009/10, para 1,399 milhão de hectares, ante os 1,407 milhão de hectares semeados em 2008/09. A produção na primeira e principal safra, uma das três que compõem o ciclo do feijão ao longo do ano, foi de 1,422 milhão de toneladas, elevação de 5,8% na comparação com a temporada precedente. O Paraná, líder na produção, foi o destaque novamente, com um aumento de 30% na primeira safra, que passou de 375 mil para 489 mil toneladas. Entre as regiões brasileiras, a maior produtividade da safra 2009/10 foi registrada no Centro-Oeste, com média de 2.117 quilos por hectare.

Boa parte do feijão colhido na primeira safra sofreu depreciação de qualidade devido ao excesso de chuvas durante o mesmo período, principalmente nos estados de São Paulo, Paraná, e Rio Grande do Sul. Nos demais estados, o produto foi considerado de boa qualidade pela Conab.

Primeira safra 2010/2011 — A primeira pesquisa de intenção de plantio da consultoria Safras & Mercado indicou que a área cultivada de feijão no Brasil deverá crescer 4,6% na primeira safra 2010/11. Segundo o levantamento divulgado na segunda quinzena de julho, a área semeada deverá pular de 1,399 milhão para 1,466 milhão de hectares. A produção poderá crescer 5,43%, atingindo 1,499 milhão de toneladas, contra as 1,422 milhão de toneladas do ano anterior. As perspectivas otimistas levam em conta a previsão de que o clima nas principais regiões produtoras não será influenciado pelos efeitos do fenômeno La Niña.