A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques 2010

 

Evolução genética para o rebanho

Levar maior eficiência e produtividade para os pecuaristas brasileiros faz parte do trabalho da CFM

A Granja do Ano — Quais são as principais razões que fazem da CFM uma referência em pecuária de corte no Brasil?

David Makin — É com muita satisfação que recebemos novamente o prêmio Destaque Pecuária de Corte A Granja do Ano. Afinal de contas, conquistarmos a vitória, por 13 anos consecutivos, em votação aberta, é a maior prova que nossos objetivos e resultados estão alinhados com o mercado e nossos clientes. Acredito que vários fatores contribuem para que a CFM seja reconhecida como referência em gado de corte, mas, com certeza, alguns estão entre os mais importantes: o foco empresarial que a empresa tem com todos os seus negócios; o Programa de Seleção do Nelore CFM, que foi o primeiro projeto aprovado e reconhecido pelo Ministério da Agricultura para emissão de Certificado Especial de Identificação e Produção (Ceip), e o foco da nossa seleção em características econômicas voltadas para a maior eficiência de nossas fazendas. Não menos importante é o resultado dos touros e sêmen CFM nos rebanhos dos nossos clientes, espalhados por 19 estados. No ano passado, a CFM completou 30 anos do programa de seleção do Nelore.

Quais são os objetivos com o programa e até onde é possível chegar com esse trabalho?

Seguimos selecionando animais para maior eficiência de produção, com índices para características econômicas, como peso ao desmame, ganho de peso a pasto, melhor carcaça e precocidade sexual. Ao longo destes mais de 30 anos de seleção, os touros CFM têm demonstrado excelentes resultados em nossos clientes e estão classificados entre os melhores animais nos demais programas de seleção do mercado. Sempre buscamos incorporar novas tecnologias para melhorar a confiança e a qualidade das análises genéticas dos animais. Em 2010 tivemos um grande incremento na avaliação das Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) com a utilização de uma análise multicaracterística, com cálculo de seis DEPs, em detrimento da bicaracterística utilizada anteriormente. Além disso, também já utilizamos algumas novas ferramentas, como marcadores moleculares para identificação de paternidade nos grupos de touros múltiplos e continuamos analisando internamente novas DEPs e seus impactos em todo sistema.

Como estão divididos os negócios da empresa nos três estados de atuação? Há novos investimentos previstos para os próximos anos?

Temos como filosofia a diversificação de produção, assim não sofremos nos momentos de crise, por isso continuamos divididos entre pecuária e lavoura. O foco de operação no estado de São Paulo é em cana de açúcar, mas ainda temos áreas de pecuária e a loja dos touros no estado. Em Mato Grosso do Sul e na Bahia continuamos com o foco em pecuária. Os investimentos estão a todo vapor. Em São Paulo o foco é o aumento das áreas mecanizadas de cana e projetos de melhoria da produtividade e longevidade dos canaviais. No Mato Grosso do Sul a fazenda está em transformação, com investimentos pesados para a intensificação das áreas de pastagens e absorção do gado vindo de São Paulo. Na Bahia não é diferente, mas ainda estamos em processo de abertura e formação da fazenda para pecuária e, por isso, os investimentos estão voltados para formação de pastagens e estrutura para desenvolvimento da atividade de cria.

Na sua opinião, quais são as principais conquistas da pecuária brasileira nos últimos anos e quais são os maiores desafios do setor?

Entre as principais conquistas temos a presença global do Brasil como principal player do mercado de carnes e possibilidade de aumento de David Makin é presidente da Agro-Pecuária CFM produtividade na mesma área utilizada atualmente com investimentos em tecnologia e genética. Entre os desafios, está a concentração dos frigoríficos, já que à medida que eles ficaram gigantes, o produtor perde poder de negociação. Ao mesmo tempo, é menos provável que eles tenham problemas de pagamento ao fornecedor. Outro grande desafio é o Código Florestal e os índices de produtividade que não deixam explícito qual o caminho para que os produtores tenham um cenário claro para trabalhar, afetando a visão que os mercados interno e externo têm da pecuária.


Sem limites para o crescimento

Ao mesmo tempo em que investe na ampliação industrial, a Bom Gosto ajuda o produtor a aumentar sua rentabilidade

A Granja do Ano — A Bom Gosto iniciou sua história em 1993 e já se tornou a segunda maior empresa em captação de leite do país. Como essa conquista foi alcançada?

Wilson Zanatta — Com capacidade de produção de 4 milhões de litros/dia, que correspondem a 1,2 bilhão de litros/ano, a Laticínios Bom Gosto é hoje a segunda maior empresa em volume de captação de leite no país, e a primeira em processamento de leite Longa Vida. Esse crescimento é resultado de uma série de fatores, como a fusão de operações com a Líder Alimentos e as aquisições de fábricas de laticínios e de unidades industriais em Garanhuns/PE e Barra Mansa/RJ. Também podemos citar o fortalecimento das bacias leiteiras, a ampliação do quadro de funcionários e a participação da empresa em diversas regiões do país. Com 16 anos de atuação no mercado de laticínios, a Bom Gosto comercializa 12 diferentes linhas de produtos com diferentes marcas e tem 22 unidades industriais localizadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.

Quais são as principais metas e projetos da Bom Gosto até o final de 2010 e para os próximos meses?

Entre os projetos de 2010 podemos destacar a inauguração da unidade industrial de Barra Mansa/ RJ, uma fábrica com capacidade de processamento de 300 mil litros de leite/dia, adquirida em 2009 da Nestlé, para produção de leite UHT, fracionamento de leite em pó, creme de leite, achocolatado e bebida láctea. E, também, o início das operações da nova unidade de leite em pó, em Tapejara/RS, para processar 600 mil litros de leite/dia. Para o início do próximo ano, está programada a construção de uma fábrica em San José de Mayo, no Uruguai, com capacidade de processamento de 600 mil litros de leite/dia, destinados à exportação. Esta será a primeira indústria brasileira de laticínios a se instalar fora do país.

Como vai funcionar o Plano 300?

O Plano 300 foi elaborado para elevar a produtividade de fornecedores de leite da empresa, reduzindo a ociosidade das plantas industriais. O programa tem como objetivo aumentar a produção média de leite nas pequenas propriedades de no mínimo cinco mil produtores, de menos de 200 para 300 litros/dia num prazo de dois a três anos, com baixo custo, agregando qualidade e incrementando a renda da agricultura familiar. Atualmente, nessa escala, a empresa possui cerca de 16.500 produtores representando 81% do total, e o volume representa 33 milhões de litros de leite/mês. O programa prevê ainda a liberação de financiamentos para investimentos em correção de solo, melhoria das instalações e genética às propriedades que aderirem à iniciativa, com dois anos de carência e seis para pagamento.

Quais são os diferenciais da Bom Gosto junto aos seus produtores? Que tipo de trabalho é feito para deixar o produtor sempre próximo da empresa?

A empresa vem desenvolvendo um trabalho estruturado de apoio e fomento rural junto aos seus 28 mil produtores integrados. Na Região Sudeste, por exemplo, existe o programa Rio Genética, que permite ampliar e melhorar os plantéis de produção leiteira, oferecendo linhas de crédito para a aquisição de animais, embriões, sêmen, equipamentos e benfeitorias, com juros de 2% ao ano, e pagamento em até 60 meses. Assim como o apoio à produção leiteira, realizado por uma rede de assistência técnica, através da Emater/RJ.


Confiança na ovinocultura

Valdomiro Poliselli Júnior trabalha para difundir a raça Dorper no Brasil e para atender o mercado da carne de cordeiro

A Granja do Ano — Como está a evolução da raça Dorper no Brasil?

Valdomiro Poliselli Júnior — O que percebemos é o investimento de produtores e empresários que vêm acreditando na atividade. Nos últimos cinco anos, o registro da raça Dorper na Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) aumentou 880%, o que significa um plantel de 34 mil animais.

E como vem sendo a participação da VPJ no processo de crescimento da raça no país?

Iniciamos nossos projetos na raça em 2003, para atender mercados que exigem uma carne de qualidade. A opção pelos animais Dorper e White Dorper deve-se a características como eficiência produtiva, rusticidade, excelente conversão alimentar, boa habilidade materna, excepcional ganho de peso e rendimento de carcaça. Atualmente, o rebanho da VPJ conta com mil animais PO Dorper e White Dorper. Além da nossa produção própria, mantemos um esquema de integração com produtores parceiros em diferentes estados. Esse sistema de parceria envolve 30 fazendas de terceiros e é voltada para a produção produzimos 400 reprodutores por ano e contamos com um time de 11 melhoradores. Em 2010 recebemos o Supremo Grande Campeão da Austrália, o Maverick, que eu acredito que será um divisor de águas no Dorper nacional, porque toda a árvore genealógica dele é excepcional.

Qual é o alcance da carne produzida pela VPJ e quais são as expectativas para esse mercado?

No Brasil, estamos presentes praticamente em todas as capitais em restaurantes, empórios e supermercados. Queremos continuar aproveitando esse mercado, que tem um fôlego muito grande. Um cordeiro de qualidade tem diferenciais importantes, é uma carne que se propaga sozinha e que agrada demais qualquer tipo de consumidor. Sabemos, por exemplo, que 35% dos cordeiros cruzados da VPJ atingem peso de 35 quilos aos 90 dias. Essa extrema precocidade gera uma maciez enorme para a carne. Sabemos que os cortes ainda estão posicionados para um público de poder aquisitivo mais alto, porque a falta de produto eleva o preço. Mas para popularizarmos a carne, criamos uma linha formada por itens mais baratos, como hambúrgueres e linguiças. Também queremos que o consumidor saiba das propriedades dessa carne, que tem pouca gordura, baixíssimo colesterol e é um alimento rico em proteínas, ferro, cálcio e fósforo.

A ovinocultura é uma atividade promissora no país, mas que também tem muitos desafios a superar. Que tipo de medidas podem colaborar para uma maior evolução do setor?

Um programa de governo que reúna os interesses de toda a cadeia produtiva poderia ajudar a fortalecer a caprinovinocultura no Brasil. Dou meu testemunho como criador e como presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Dorper (ABCDorper). Acredito que todos os envolvidos, ou seja, produtor, pesquisa e indústria, precisam caminhar como um bloco. Sou a favor de um maior envolvimento dos órgãos públicos para capacitar os produtores. As iniciativas que envolvem instituições como a Embrapa e o Sebrae são bastante interessantes, mas precisamos de um investimento bem maior em extensão rural para levar o conhecimento até as propriedades. O Brasil tem várias regiões que não servem nem para a agricultura, nem para a criação de bovinos. Nesses casos, pode ser incorporada a criação de ovinos, que é um animal mais rústico e que tem um retorno de capital investido na metade do tempo que levaria um bovino. Já temos qualidade genética em todas as raças, e a atividade pode ser desenvolvida por pequenos produtores. No entanto, falta conhecimento dos sistemas de produção. Precisamos olhar para a atividade como um negócio e até pensar na exportação.


Sempre ao lado do criador

Tortuga desenvolve tecnologia e produtos para agregar qualidade ao trabalho do pecuarista

A Granja do Ano — Qual é a Faturamento em 2009: R$ 800 milhões relevância do trabalho da Tortuga para o desenvolvimento da pecuária nacional?

Juliano Sabella — A Tortuga investe, ano a ano, em projetos e pesquisas inovadores, sempre com o objetivo de atender às diversas necessidades dos agropecuaristas, com soluções com custo benefício positivo, e de qualidade. Pioneira no desenvolvimento de produtos para nutrição e saúde animal, a empresa tem como diferenciais a valorização do capital humano, o desenvolvimento de matérias-primas exclusivas e o atendimento eficaz e adequado. Com estas características, a empresa contribui para o crescimento constante do mercado agropecuário nacional e internacional.

Recentemente, a Tortuga lançou o Programa de Suplementação Estratégica para Bovinos. Quais são os objetivos da empresa com esta ferramenta?

O Programa de Suplementação Estratégica oferece suplementos minerais, proteicos e energéticos para bovinos. Desenvolvido em parceria com universidades, o projeto permite a antecipação do início da vida reprodutiva das fêmeas, além de propiciar maior ganho de peso com consequente redução da idade de abate, incrementando a produtividade e aumentando os lucros do pecuarista. Utilizando o programa, o produtor gerencia sua fazenda de uma maneira mais estratégica, consegue se adequar às datas do mercado e pode aproveitar a época favorável do valor da arroba para obter mais lucro. Essa suplementação completa e reforçada atende ao pecuarista que possui uma necessidade específica, ou seja, antecipar o abate, desmamar o bezerro precocemente e melhorar a produção das primíparas, oferecendo um resultado diferenciado.

Como estão os negócios envolvendo outros países e quais são as estratégias da Tortuga para ampliar sua participação no mercado internacional?

Antes de lançarmos produtos no Brasil ou no exterior, sempre realizamos testes para comprovar eficácia e garantir que os nossos produtos atendam às necessidades de nossos clientes. Nossa presença internacional está potencializada com a participação em eventos, desenvolvimento de estratégias baseadas em mercado local e adaptação de nossos produtos para as necessidades de cada um dos países. Exportamos para 17 países na Europa e na América Latina. São mercados conquistados nos últimos anos e onde agora estamos ampliando nossa atuação e consolidando posições.

O que os clientes da empresa podem esperar de novidades para os próximos meses? Quais são os principais projetos e metas da companhia?

Em 2010, a Tortuga está completando 56 anos de atuação. Nosso trabalho sempre esteve direcionado ao desenvolvimento de soluções para os produtores e ao trabalho de assistência técnica, com capacitação dos nossos colaboradores e clientes. Acreditamos que 2011 será um ano-chave para a Tortuga. Depois de um período marcado por instabilidades no mercado mundial, nossa expectativa é de que 2011 represente um ano de maior disposição, em que o mercado estará mais receptivo a novas tecnologias. Ao mesmo tempo, esse mesmo mercado estará mais exigente. Sabemos que a proteína animal, além da sua qualidade nutricional, deve ser produzida com responsabilidade social e ambiental. A Tortuga mantém um sólido plano de investimentos em experimentos e pesquisas de novas tecnologias para atender todos os requisitos do setor e ajudar a agregar qualidade ao trabalho do nosso cliente. Nosso objetivo é oferecer soluções que ajudem no crescimento dos nossos produtores.


Sanidade levada a sério

Merial investe em soluções personalizadas para atender às necessidades de cada rebanho

A Granja do Ano — Quais são as principais conquistas da Merial nos últimos meses e quais os projetos para a temporada 2010/2011?

Henry Berger — A área de Ruminantes da Merial no Brasil vem obtendo excepcionais resultados nos últimos anos, com crescimentos significativamente superiores aos do mercado. Estes resultados renderam à companhia, segundo a última pesquisa da empresa Kleffmann, o primeiro lugar, com 14,8% de participação, no segmento de pecuária. Estratégias bem definidas e precisão em sua implementação permitiram a entrega de soluções de alto valor aos seus clientes. Colaborar ativamente para que seus clientes aumentem a produtividade e rentabilidade de seus negócios está no centro deste trabalho e faz parte do dia a dia de cada funcionário da Merial. Assim, alguns produtos tornaram-se referência em seus segmentos. É o caso do ectoparasiticida Topline, que vem se mostrando indispensável nas fazendas de corte de todo o país e também do endectocida Ivomec Gold, que é inquestionavelmente o produto mais usado em todo o país para o controle estratégico e integrado de endo e ectoparasitas em bovinos de corte e também em determinadas categorias de gado de leite, como novilhas e vacas secas. Para a temporada 2010/2011, a Merial vem se estruturando na provisão de soluções de alto valor agregado para o setor leiteiro, com lançamentos de produtos específicos como Eprinex, o vermífugo de maior espectro de ação e o único do mercado que não deixa resíduos no leite, além de outras soluções. Também vale ressaltar a atuação cada vez mais próxima da empresa junto aos seus clientes do Programa Soma – formado por pecuaristas e revendas, trazendo a eles ações personalizadas e focadas na elevação da rentabilidade

Quais são os objetivos da empresa com os marcadores moleculares Igenity?

Qual a contribuição que essa ferramenta pode trazer ao pecuarista? Os marcadores moleculares Igenity consistem em inovação única da empresa, tornando-a pioneira no advento da tecnologia ao mercado brasileiro, tanto em gado taurino de corte e leite, como pioneira também na validação da tecnologia em gado Nelore. O primeiro painel validado para características economicamente relevantes na raça Nelore foi lançado pela Merial em 2008. Através do Igenity, pecuaristas de corte e leite de todo o país podem tomar decisões de seleção, manejo e marketing de forma mais acertada. Essa ferramenta traz antecipação de informações relativas à seleção de touros, doadoras e novilhas de reposição, além de permitir a eleição de grupos de animais de desempenho superior (ou inferior) para determinado objetivo econômico e assim manejá-los apropriadamente. Também é uma ferramenta única para a seleção de características normalmente não contempladas pelos métodos tradicionais de seleção, mas de elevada importância, como características de qualidade de carne (maciez e marmoreio).

De que forma a Merial trabalha para saber quais são as demandas mais relevantes dos pecuaristas brasileiros?

A Merial atua de forma muito próxima aos pecuaristas, através de uma equipe de altíssimo nível que promove visitas técnicas em todo o Brasil. Devido a essa proximidade, os técnicos da empresa conhecem profundamente as demandas dos pecuaristas de forma holística, e não com foco apenas em sanidade. Tanto na teoria, como na prática, sabemos que na pecuária há quatro pilares que sustentam a atividade de produção de bovinos: alimentação, genética, manejo e saúde dos animais. No pilar da saúde animal, a Merial vem trabalhando de forma diferenciada no Brasil nos últimos dez anos, oferecendo a seus clientes, não mais produtos, mas sim programas sanitários personalizados, com a intenção de promover a saúde através da prevenção e oferecer aos rebanhos as melhores condições possíveis para atingirem o máximo desempenho em termos de índices produtivos. Estes programas sanitários são elaborados pelos veterinários e corpo técnico da Merial a partir de visitas prévias para a coleta das informações e necessidades individuais de cada fazenda. Atualmente, o Programa Soma tem uma matriz de 400 pecuaristas, envolvendo em torno de 1.200 fazendas e aproximadamente 5 milhões de bovinos. A Merial, através do seu time de técnicos treinados, decididamente tem cuidado muito bem deste gado.


Evolução genética na lavoura

Elaborar sementes cada vez mais produtivas e resistentes é uma das metas da Pioneer

A Granja do Ano — O Brasil está comemorando mais um recorde na produção de grãos na safra 2009/ 2010. Como a Pioneer participou desse resultado?

Roberto Rissi — Na safra 2009/2010 tivemos a maior área plantada com soja na história, sendo muito semelhante a que tivemos na safra 2004/2005. Em compensação, a menor área plantada de milho verão dos últimos 40 anos, com uma redução de área de mais de 15%. Na safrinha, um incremento da área plantada de aproximadamente 4% em relação à safra anterior. A produtividade do milho verão teve um aumento muito próximo a 20% e, pelo que tudo indica, também haverá um aumento de produtividade no milho safrinha. Nas duas safras, verão e safrinha, deveremos ter uma produção da ordem de 54 milhões de toneladas, com aumento da produção de cerca de 5% em relação à safra 2008/2009, mesmo com uma queda de quase 10% na área total cultivada com milho. Esse espetacular aumento da produtividade foi devido a uma associação das boas condições climáticas com o uso de uma genética superior e a utilização da biotecnologia. Pela primeira vez, os produtores brasileiros fizeram uso do milho resistente a lagartas, chamado de milho Bt, com resultados espetaculares, provocando ganhos de produtividade da ordem de 10%. Neste aspecto, mais uma vez, a Pioneer mostrou sua liderança oferecendo aos agricultores brasileiros não só a melhor genética, mas também o melhor Bt, através da tecnologia Herculex I. Como esperado, o Herculex I demonstrou sua superioridade sobre os demais milhos Bts do mercado, oferecendo um efetivo espectro de controle das principais pragas.

A Pioneer apresentou um crescimento importante nos últimos anos. Quais são as recentes conquistas e próximos investimentos da empresa?

Em 2010 vamos comemorar mais um recorde de faturamento no Brasil, e o segundo melhor resultado operacional de toda a história da empresa. Nos últimos anos, a Pioneer Brasil passou a ser a maior operação da Pioneer fora dos Estados Unidos e com uma taxa de crescimento anual pouco vista na indústria agrícola. Passamos a ser a marca número 1 do mercado de sementes no verão e também na safrinha. Na soja também caminhamos a passos largos para conquistar uma posição de liderança. Como consequência, estamos fazendo novos investimentos para aumentar ainda mais nosso crescimento. Em 2010, inauguramos o Centro de Distribuição de Guarapuava/PR com investimentos de R$ 10 milhões. Estamos iniciando a construção de mais uma unidade de processamento de sementes de soja de mais de R$ 60 milhões, que deverá entrar em operação no início de 2012 na cidade de Catalão/GO. Também estamos investindo mais de R$ 15 milhões no centro de distribuição e tratamento de sementes na cidade de Primavera do Leste/MT. Ainda estamos modernizando todas as unidades de produção e de pesquisa na área de automação e novas tecnologias.

A biotecnologia e o melhoramento genético tiveram grande importância para o desenvolvimento da agricultura nos últimos anos, e essas são áreas de atuação da Pioneer. Como é possível continuar evoluindo para apresentar soluções cada vez mais eficientes para o produtor?

A contribuição do melhoramento genético e da biotecnologia trouxeram e continuarão trazendo enormes ganhos para a agricultura. A Pioneer continuará pesquisando, desenvolvendo e levando ao produtor rural soluções inovadoras através de seus seis centros de pesquisa instalados estrategicamente no Brasil, e mais de 100 centros de pesquisa distribuídos pelo mundo. O Sistema de Solução Completa desenvolvido pela Pioneer vai levar ao produtor as últimas inovações nas áreas do melhoramento genético, tratamento Divulgação industrial de sementes e da biotecnologia. Além de termos lançado o melhor milho Bt disponível no mercado através da tecnologia Herculex I, estaremos também fazendo o lançamento de associações de vários eventos transgênicos e de genes nativos. Assim, nós já estamos prontos para lançamento do milho com associação de vários eventos como o Herculex I, que confere ampla resistência às pragas do milho, a herbicidas e a importantes doenças.


Experiência e qualidade em mecanização

Tratores da Massey Ferguson oferecem ao produtor tecnologia e especificação para todo tipo de trabalho no campo

A Granja do Ano — Uma das características da Massey é oferecer tratores para os diferentes perfis de produtores rurais. Quais são as estratégias que a empresa mantém para estar sempre perto do homem do campo e entender as suas necessidades mais diversas?

Fábio Piltcher — Na Massey Ferguson, uma de nossas preocupações é oferecer aos nossos clientes tecnologia adequada às suas necessidades. Temos uma preocupação constante com a versatilidade que pode ser constatada na diversidade de modelos e especificações que atendem desde um agricultor familiar até uma grande empresa agrícola, exigente em tecnologia e especificação. A receita para este resultado é uma combinação do conhecimento de mercado, da vasta experiência no mercado brasileiro com a tecnologia global que a AGCO disponibiliza, como, por exemplo, as novas transmissões Dyna-6 que equipam alguns de nossos tratores. Estas características são acompanhadas pela maior rede de concessionárias do país. É a rede que nos conecta com o usuário de nossas máquinas, e é capacitando-a com treinamentos que levamos nossa tecnologia de ponta diretamente ao consumidor final. Os produtores que adquirem uma máquina da Massey Ferguson saem da concessionária confiantes de que a rede da marca está preparada para avançar junto com a tecnologia e de que terão um acompanhamento de pós-venda à altura da Massey Ferguson.

O agronegócio brasileiro vive um momento de retomada e, para as indústrias de máquinas, não é diferente. Qual é a expectativa para a comercialização de tratores até o final de 2010 nos mercados interno e externo?

O movimento nos mercados interno e externo nos deixa bastante otimistas e, por isso, trabalhamos com a manutenção dos ótimos resultados obtidos durante o primeiro semestre do ano para o restante de 2010. Nosso otimismo é reforçado pelos nossos resultados, que apontam que no primeiro semestre de 2010, as concessionárias Massey Ferguson, no Brasil, moveram 8.890 tratores, gerando um aumento de 57,5% em relação ao mesmo período no ano anterior e superior ao crescimento da indústria. Um aspecto importante é a disponibilidade de linhas de financiamento tais como o Finame PSI e o Programa Mais Alimentos, que têm atendido as necessidades de custo e prazo dos clientes. Com estas variáveis sinalizando positivamente, é possível estimar um crescimento de mercado entre 20% e 30%.

Em 2009 o Programa Mais Alimentos teve uma participação importante na venda de tratores no país. Como esse programa influencia as vendas da Massey Ferguson?

O Mais Alimentos nos trouxe a oportunidade de avançar em termos de liderança de mercado. Dentro dele temos uma participação de 40,5% do mercado, acima da participação geral de 31%.

Quais foram os lançamentos mais recentes da Massey e o que os produtores podem esperar de novidades para os próximos meses?

O ano de 2010 está sendo um período de muitas novidades. Entre os novos produtos que chegaram à nossa rede de concessionárias no primeiro semestre do ano, temos a nova série de tratores MF 4200. Ela substitui a antiga série MF 200, que era líder em vendas há mais de 30 anos. Entre as vantagens, estão um maior conforto operacional, economia de combustível, melhor performance e um novo design. Outra novidade entre os tratores é a série MF 7000 Dyna-6, que são seguramente os tratores mais modernos produzidos no Brasil. Também nos primeiros seis meses do ano, colocamos no mercado a colheitadeira axial MF 9690 ATR, que combina tecnologia de ponta com simplicidade de operação, ampliando a oferta de colheitadeiras axiais da Massey Ferguson. Nossa linha de implementos também ganhou uma plataforma de milho série 300 e o monitor de sementes PM 400. Além disso, foram ampliadas nossas soluções de agricultura de precisão com o Autoguide Powered by Topcon e System 150, ambos recursos para piloto automático e precisão na lavoura.


Pioneirismo no plantio direto

Equipamentos fabricados pela Semeato ajudam a promover o cultivo ambientalmente sustentável

A Granja do Ano — Há quase 30 anos, a Semeato projeta equipamentos voltados ao plantio direto na palha. De que maneira o trabalho da empresa colabora para a disseminação da agricultura conservacionista no nosso país?

Roberto Rossato — O pioneirismo da Semeato no desenvolvimento do plantio direto advém desde as primeiras pesquisas que se fez com esse sistema no Brasil, no estado do Paraná. Em Passo Fundo/RS, começou com técnicos da Embrapa e da antiga ICI (Imperial Chemical Industries). Nessa região, onde chegaram alguns engenheiros da ICI, foram feitos os primeiros testes. Depois, fomos para o Paraná, onde meu pai tinha uma fazenda, e, juntamente com a cooperativa Batavo, começamos a desenvolver o plantio direto. A Semeato, desde o começo, participou ativamente, com as adaptações nas primeiras máquinas. Depois, foi a hora de desenvolver as máquinas especialmente projetadas para fazer o plantio direto. No começo, tínhamos o problema do funcionamento do herbicida, as máquinas tiveram que sofrer modificações, projetos novos foram desenvolvidos, e isso levou um tempo. O desenvolvimento começou por volta de 1975. Esse pioneirismo no plantio direto nos orgulha, porque como esse sistema se caracteriza por proporcionar uma agricultura de conservação, sabemos que, ajudando a disseminar a técnica, ajudamos a conservar o solo e promover uma agricultura ambientalmente correta.

Que novidades a Semeato projeta para os seus clientes nos próximos meses?

A Semeato vai apresentar seus lançamentos na Expointer, além de todo o portfólio de produtos, que inclui a linha de semeadoras e implementos, linha para fenação e pastagem, cultivador de cana-deaçúcar, discos e peças de reposição. As inovações são a colheitadeira Multi Crop 4100, desenvolvida especialmente para atender às necessidades do pequeno e médio produtor, e o trator Power SIX - 280, produto inédito, de grande porte e sem similar no mercado. Na linha de semeadoras o destaque é a Sol Tower, mas teremos toda linha de semeadoras múltiplas, para grãos graúdos e para grãos finos, especiais para o sistema de plantio direto.

O cenário indica que o Brasil caminha para mais uma grande safra de grãos no ciclo 2010/2011. E para a indústria de máquinas e implementos agrícolas, quais são as expectativas?

É difícil estimar o que ainda não está plantado. Fala-se que teremos uma grande safra, uma supersafra, mas a perspectiva é de uma grande seca. Meteorologistas preveem que a partir de setembro de 2010 haverá uma mudança no clima, o que se deve ao fenômeno La Niña. Esse fator pode representar uma queda de produção para a indústria de máquinas agrícolas.

Quando pensam em máquinas agrícolas, quais são as novas exigências e demandas por parte dos produtores rurais?

Muitos agricultores praticamente estão descapitalizados e, então, querem máquinas de menor valor. Acredito que a indústria de máquinas agrícolas já atingiu um nível técnico muito bom, tanto que nós conseguimos exportar para todo o mundo os nossos equipamentos de plantio direto. Para qualquer região do mundo agrícola, o Brasil consegue exportar; isso mostra que atingimos um alto nível de capacitação técnica. Roberto Rossato é diretor-presidente da Semeato Um nível tão bom quanto dos países de primeiro mundo, mas a defasagem cambial nos traz muita dificuldade quanto à possibilidade de exportação. No Brasil, os produtores querem máquinas baratas, mas nos demais continentes não temos essas exigências, já que a agricultura de outros países é subsidiada pelos governos.


Com a inovação no DNA

Além de oferecer produtos de alta tecnologia e eficiência, a Jacto se preocupa com a segurança do operador e do meio ambiente

A Granja — Quais foram as principais lançamentos da Jacto nos últimos meses e o que estes repercutiram nos negócios da empresa? E quais são as metas, as ambições da empresa para os próximos meses?

Robson Zófoli — A Jacto é uma empresa que busca sempre a inovação. Isso faz parte do nosso DNA. Oferecemos ao mercado uma ampla linha de produtos e 2010 foi muito intenso em novidades. Na linha de pulverizadores autopropelidos, lançamos o Uniport 2000 Plus, que é uma evolução do tradicional modelo Uniport 2000, trazendo um novo padrão de conforto e facilidade de operação nesta categoria. No Uniport 2500 Star, que é o pulverizador mais vendido em todo o Brasil, introduzimos o novo motor Cummins, com maior reserva de torque, maior capacidade de superação de sobrecargas e homologado para trabalhar com biodiesel B20. Na linha de pulverizadores costais, lançamos a família Jacto SP, com capacidades de 12, 16 e 20 litros. Esses costais são produzidos em nossa unidade na Tailândia e foram desenvolvidos com foco em eficiência e melhor ergonomia. Introduzimos também um novo conceito para adubação da lavoura de café, com o lançamento da carreta adubadora FC 2000 NPK, com uma série de novidades tecnológicas que se traduzem em precisão, economia e alta performance. Além disso, inserimos em toda linha de produtos, uma série de itens de segurança para tornar mais seguro o diaa- dia do nosso cliente e das pessoas que circulam ao redor das máquinas. Não podemos deixar de destacar que em 2010 apresentamos nosso novo logotipo e a nova identificação visual em toda a linha de produtos. Na Expointer 2010 apresentamos uma nova marca e uma nova família de produtos. Trata-se da marca Otmis, que contempla produtos e soluções tecnológicas da Jacto para agricultura de precisão. O próprio nome Otmis remete ao seu objetivo que é a otimização e aumento da rentabilidade das operações dos nossos clientes. Nesse primeiro momento, estamos lançando a barra de luzes, o controlador automático de seções da barra e o piloto automático. Esses produtos vêm se somar a uma série de soluções tecnológicas que já equipam nossa linha de produtos, tais como sensores de controle automático de altura de barras, controladores para aplicação em taxas variáveis, controladores eletrônicos, entre outros.

O senhor está otimista em relação aos negócios da Jacto para a safra 2010/ 2011? Por quê?

Vemos a safra 2010/2011 com otimismo moderado. As perspectivas de preços internacionais são boas, porém o real valorizado acaba comprometendo a rentabilidade do agricultor brasileiro. No mercado externo, ainda temos alguns países em fase de recuperação da crise econômica, o que significa que o nível de oferta de crédito ainda não voltou ao normal. Nesse ambiente, a boa gestão dos custos e a busca incessante de melhoria na produtividade são fundamentais. A Jacto faz a sua parte, procurando oferecer ao agricultor as melhores soluções em mecanização, visando impactar positivamente no resultados de suas operações.

Ao desenvolver seus produtos, quais são as preocupações da Jacto com a segurança do operador e com a questão ambiental? Nestes aspectos, quais sãos os diferenciais dos produtos da empresa?

Temos uma grande preocupação com a segurança. Como já falado anteriormente, introduzimos nos nossos equipamentos uma série de itens de proteção, que atendem aos mais rigorosos requisitos de segurança. Isso para dar ao nosso cliente toda a tranquilidade que ele necessita para operar nossos equipamentos.Sentindo-se seguro e confortável, ele poderá se concentrar em aproveitar toda a capacidade produtiva da máquina. Outra preocupação é dotar a máquina com controles precisos e confiáveis. Isso é crítico em operações como pulverização e adubação, tanto pelos aspectos de custo e eficiência da operação bem como pelo aspecto ambiental. Podemos destacar soluções como a tecnologia Vortex, que permite uma aplicação mais eficiente mesmo em condições difíceis, como grande massa foliar e presença de vento e os controladores eletrônicos, que permitem uma alta precisão nas taxas de aplicação.


Lavoura bem nutrida

Há mais de 100 anos a Bunge tem a missão de ajudar o agricultor a aumentar a rentabilidade dos seus negócios

A Granja do Ano — A Bunge está engajada em uma série de atividades voltadas à sustentabilidade e à conscientização ambiental. Qual é a importância desses projetos?

Ariosto Riva Neto — A Bunge, presente no Brasil há mais de 100 anos, adota a política de sustentabilidade atrelada a todos os seus negócios. Desta forma, promovemos não apenas o desenvolvimento sustentável nas comunidades próximas ao entorno das nossas unidades, mas também protagonizamos essa gestão em nossa cadeia de valor, com ações destinadas ao público interno, aprimoramento da gestão e relacionamento com fornecedores, clientes e outros grupos relacionados. No campo, temos projetos com produtores rurais e uma abordagem em quatro etapas relacionada à sustentabilidade do sistema (sensibilização ao tema, capacitação, reconhecimento e restrições comerciais àqueles que não seguem as diretrizes de desenvolvimento sustentável). Além de fertilizantes que aumentam a produtividade no campo e apoio por meio de equipes capacitadas, temos cartilhas ambientais, eventos técnicos e outras publicações; reconhecemos destaques em vários cultivos e também suspendemos de nossa cadeia de suprimento aqueles produtores com problemas sérios relacionados ao meio ambiente e direitos humanos.

O Brasil acaba de registrar mais uma colheita recorde e os indícios apontam para uma nova safra de números positivos. Qual é a participação da indústria de fertilizantes nesse cenário?

No Brasil, a participação dos fertilizantes na produção de uma boa safra agrícola é fundamental. O país possui grande extensão de terra, muito sol e água, mas os solos brasileiros são relativamente pobres em nutrientes quando comparados com os solos da Argentina e dos Estados Unidos. Portanto, para colhermos uma boa safra, temos que prover, na qualidade e volumes que cada planta necessita, os nutrientes básicos, como fósforo, potássio, nitrogênio e enxofre e os chamados micronutrientes, como cálcio, zinco, cobre, etc. Assim, as plantas crescem com saúde, resistência e consequentemente alcançam boa produtividade. O papel da indústria é de fornecer, no momento certo, o produto adequado para cada tipo de solo e cultura. E esse é o grande desafio do setor, porque as compras normalmente são concentradas em um período relativamente curto do ano e a maior parte dos insumos vem de fora do país.

Nesse momento, quais são os maiores desafios da indústria nacional de fertilizantes?

O suprimento de matérias-primas é uma preocupação constante do setor. Em função da crescente demanda, o Brasil continuará fortemente dependente de importação, mesmo considerando os investimentos na produção nacional de fosfatos, potássicos e nitrogenados recentemente anunciados. As importações são originadas em diversos países, como Estados Unidos, Canadá, Marrocos, Rússia, Ucrânia, Alemanha, Israel, Tunísia, Argentina, China, e do Oriente Médio, etc. A esta multiplicidade de origens soma-se o longo tempo de viagem dos produtos, a volatilidade de preço do mercado internacional e do câmbio, a precariedade dos portos, ferrovias e estradas brasileiras. A resultante desta equação transforma a função básica da indústria, que é de combinar os nutrientes necessários para cada cultura e solo, no momento e locais corretos e no preço adequado, num grande e complexo sistema logístico.

A Bunge detém marcas tradicionais que estão sempre na lembrança do produtor rural. Ao longo de todos esses anos de trabalho, como a empresa se manteve sempre próxima dos produtores?

A Bunge realmente sempre esteve na lembrança do produtor e, prova disso são os prêmios que conquistamos ao longo dos anos na categoria de fertilizantes com nossas marcas. Este é um trabalho que construímos ao longo do tempo, em que a comunicação auxilia na lembrança, mas, com certeza, o segredo do sucesso das marcas se deve à forma como atendemos nossos clientes, como valorizamos a qualidade de nossos produtos, ou seja, como fazemos a “função básica”.


Inovação para colher mais e melhor

Atualização tecnológica da John Deere no Brasil gerou investimentos de US$ 2 bilhões nos últimos dez anos

A Granja do Ano — A John Deere fez este ano o lançamento de vários produtos nas suas diferentes áreas de atuação. Quais são os destaques desse pacote de investimentos?

Paulo Herrmann — No total foram lançados mais de 50 produtos, com novidades em todos os segmentos. Os equipamentos de colheita foram os principais destaques entre os lançamentos feitos pela John Deere em 2010. A Série 70 de colheitadeiras STS tornou-se a mais completa família de colheitadeiras do Brasil. Foram lançadas as colheitadeiras 9670 e 9770 para áreas extensas de plantio, com alta capacidade de produção, e a 9470, destinada a produtores com áreas menores. Para garantir produtividade e eficiência ainda maiores a estas colheitadeiras, a John Deere introduziu também no mercado novas plataformas de corte e de milho. Destacam-se pela inovação as plataformas de 35 e 40 pés com o sistema HydraFlex Draper, com recolhimento dos grãos e posterior condução ao canal de alimentação feito por esteiras. O setor canavieiro também mereceu destaque, com o lançamento da colhedora 3522, que permite a colheita de duas linhas de cana.

Qual é a sua expectativa para a comercialização de colheitadeiras em 2010, em comparação com 2009?

No mercado doméstico, em 2010 o volume de vendas deverá ser entre 50% e 60% superior ao de 2009, ultrapassando as 5 mil unidades vendidas. A disponibilidade de crédito, com taxas muito competitivas, certamente será o principal fator que irá impulsionar as vendas. Já no mercado externo, apesar de países importantes como a Argentina e Paraguai estarem de volta às compras, a valorização do real frente ao dólar tem dificultado as exportações principalmente para os mercados mais distantes do Brasil.

Quais são as principais demandas dos produtores na hora de decidir pela aquisição de uma nova colheitadeira?

Os produtores têm necessidade de contar com equipamentos que apresentem elevada capacidade de trabalho, alta qualidade dos grãos colhidos e baixo custo operacional. A diversificação da linha de produtos da John Deere, reforçada pelos novos lançamentos, contribui também para que o produtor tenha mais opções para escolher o equipamento mais adequado para atender às necessidades específicas de suas lavouras. A John Deere conta ainda com uma ampla rede de concessionários distribuída em todo o país e com uma estrutura bem montada de suporte ao produto, com equipe treinada nos diversos centros de treinamentos montados no país e equipamentos avançados para garantir um atendimento eficiente aos clientes.

E quais soluções e tecnologias estão incorporadas nas máquinas de colheita fabricadas pela John Deere?

A tecnologia de rotor dos modelos STS atende a todos os requisitos de capacidade de trabalho e qualidade de grãos com baixo custo operacional e tem tido uma aceitação cada vez mais ampla dos produtores no Brasil. Também por possuir a mais ampla família de produtos, a John Deere desenvolveu o conceito de sistema mecanizado, que possibilita aos agricultores optarem por uma marca apenas para todo o seu parque de máquinas agrícolas.

O que o mercado pode esperar em novidades da John Deere para os próximos meses?

O que o mercado pode esperar da John Deere é um profundo comprometimento com a sua atividade e a permanente atualização tecnológica dos produtos adquiridos da companhia. Com mais de 170 anos de história e sempre dedicada à produção de máquinas agrícolas, a John Deere investiu perto de US$ 2 bilhões em fábricas e produtos nos últimos 10 anos no Brasil, justamente para oferecer a mais avançada tecnologia aos agricultores nacionais.


Campo mais eficiente com a irrigação

A Valmont defende o uso racional da água para ampliar a produção de alimentos no planeta

A Granja do Ano — Quais são as contribuições do uso da irrigação para a agricultura mundial?

Marcelo Borges Lopes — A agricultura irrigada é uma grande produtora de alimentos. Cerca de 35% da produção agrícola mundial vem de áreas irrigadas que representam pouco mais de 15% da área cultivada. Além de possibilitar a intensificação do processo produtivo, a irrigação reduz o risco da atividade, resultando em uma oferta mais constante de alimentos ao longo do ano. Sob este aspecto, a agricultura irrigada contribui para a segurança alimentar. Por outro lado, a intensificação do uso do solo reduz a abertura de novas áreas, contribuindo para a preservação ambiental.

Qual é a realidade da área irrigada no Brasil e quais as perspectivas da Valmont para os próximos anos?

O Brasil é um dos países que menos irriga em todo o mundo. Cerca de 4 milhões de hectares são irrigados, e o potencial identificado nos anos 1980 aponta quase 30 milhões de hectares. O ritmo de crescimento é descendente, como mostram os dados do IBGE – a taxa de crescimento da área irrigada que era de 4,77% entre os anos 1985 e 1995, caiu para 3,3% entre 1995 e 2006. Os dados publicados pela Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSEI/Abimaq) mostram um mercado cíclico nos últimos dez anos, mas sem tendência de alta. Nesse período, a área irrigada cresceu a uma média de 120 mil hectares/ano. A legislação ambiental é um fator determinante desse baixo crescimento. A dificuldade de obtenção da outorga de uso de recursos hídricos gerada pela burocracia desanima os produtores. Apesar dessa situação, nossa empresa é otimista no médio e longo prazo. A demanda por alimentos é crescente e todas as previsões mostram a necessidade de aumentar substancialmente a produção agrícola.

Quais são os principais desafios da irrigação no Brasil?

Existem muitos gargalos. A pulverização institucional da agricultura irrigada é, a meu ver, o principal deles. No Governo Federal, existem diversos órgãos que atuam diretamente sobre a atividade: o Ministério da Integração tem formalmente a responsabilidade pelo tema no executivo federal, mas é o Ministério da Agricultura que define as linhas de crédito – que precisam ser aprovadas pelo Ministério da Fazenda. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Agrário é o responsável pela agricultura familiar irrigada. A Agência Nacional de Águas (ANA) regulamenta o uso da água, responsável pelas outorgas nos cursos d’água federais. A iniciativa privada também tem dificuldade em se organizar. Recentemente, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) decidiu reforçar sua presença no setor e espero que consigamos reunir os representantes dos irrigantes em uma única instituição representativa. Outros dois pontos que restringem o crescimento da atividade são a dificuldade para obtenção da outorga para o uso da água e a disponibilidade de energia elétrica.

Quais são as prioridades da Valmont na hora de projetar um novo equipamento?

A Valmont é líder mundial no desenvolvimento e produção de sistemas de irrigação mecanizada – os pivôs centrais e lineares, como chamamos. Uma história de sucesso com quase 60 anos não acontece por acaso. É fruto de muita dedicação, esforço e uma profunda parceria com nossos clientes para torná-los mais eficientes e produtivos. Nossos funcionários e revendedores têm o compromisso de cuidar da marca Valley, fazer com que ela seja cada vez mais reconhecida pela liderança em irrigação e confiabilidade. É isso que levamos em conta quando fazemos um projeto e também quando desenvolvemos novos produtos. Em 2010 lançamos o Base Station 2 – SM que é um sistema de automação para nossos equipamentos que permite aos clientes controlar seus equipamentos à distância. Isso resulta em melhor aproveitamento dos horários de tarifa reduzida de energia elétrica, maior precisão da lâmina de água aplicada, entre outros benefícios.


O desafio de defender a lavoura

Do plantio até a colheita, a Syngenta investe para oferecer soluções inovadoras e sustentáveis ao produtor

A Granja do Ano — A cada safra, as lavouras apresentam novas ocorrências de invasoras, pragas e doenças. Como a Syngenta trabalha diante de tantos desafios?

Laércio Giampani — Conhecemos profundamente o ciclo das plantas na natureza, seu potencial e suas fragilidades, e usamos esse conhecimento para desenvolver soluções inovadoras que ajudem os agricultores a trazer esse potencial à vida, aumentando a produtividade de suas colheitas e oferta de alimentos. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima, para 2050, uma população mundial de 9 bilhões de pessoas. O grande desafio é atender a toda essa demanda, produzindo alimentos em quantidades cada vez maiores, com mais qualidade e segurança. A Syngenta sabe que uma agricultura responsável e eficiente exige melhor aproveitamento dos recursos naturais e, por isso, a empresa investe mais de US$ 1 bilhão em pesquisa a cada ano. Cerca de quatro mil profissionais atuam em nossos centros de pesquisa. Assim, disponibilizamos ao agricultor uma oferta única de soluções, do plantio à colheita, garantindo maior rentabilidade, racionalização de gastos na lavoura e aplicação de uma tecnologia segura, limpa e amplamente testada e aprovada.

Recentemente, a Syngenta anunciou uma parceria com a Embrapa. Quais são os objetivos desta parceria?

Essa é uma parceria técnico-científica para fomentar a agricultura brasileira. Trata-se de um acordo amplo e abrangente, no qual foram inicialmente identificadas oportunidades de cooperação em três culturas diferentes: soja, milho e algodão. Por se tratar de uma cooperação de duas empresas líderes no setor, que investem em inovação e buscam soluções para o agronegócio, os benefícios vão desde a soma de seus expertises até as ofertas que estarão comercialmente disponíveis em breve para agricultores de todo o Brasil.

Como a Syngenta avalia a importância de projetos de sustentabilidade ambiental na agricultura?

A Syngenta é comprometida com a agricultura sustentável, contribuindo para o uso racional da terra para as futuras gerações. Dentro dos próximos 20 anos, a população mundial aumentará em cerca de dois bilhões de pessoas. Em muitos países, a agricultura é limitada por terras não produtivas e falta de água. Assim, no futuro, os agricultores terão que produzir muito mais alimentos e ração com os mesmos recursos naturais de hoje. Ao mesmo tempo, eles continuarão a produzir cultivos para suprir necessidades para vestuário, a exemplo de fibras de algodão e para combustível, a exemplo do etanol. A agricultura tem ainda o papel de proteger o meio ambiente ajudando, por exemplo, a reduzir a emissão de gases de efeito estufa e a preservar os habitats naturais dos desgastes do solo. Isto significa que os agricultores devem aumentar a produtividade verticalmente, ou seja, por meio da quantidade de produção por hectare com o menor impacto possível no meio ambiente. Assim, nossos produtos desempenham um papel fundamental para possibilitar este futuro. Paralelo ao uso sustentável e seguro de nossos produtos, desenvolvemos projetos ambientais em parceria com agricultores, organizações e governos em todo o mundo.

Em relação a 2009, qual é a expectativa para o comportamento do mercado de defensivos no Brasil para 2010? E qual é a perspectiva para a safra 2010/2011?

Os resultados obtidos no primeiro semestre de 2010 nos dão motivos para otimismo. Somos a única empresa de agronegócios capaz de integrar proteção de cultivos e sementes e, o que nos posiciona de maneira diferenciada, oferecendo uma solução efetivamente integrada ao agricultor. Neste ano, completamos dez anos, e poderemos comemorar com excelentes resultados, além da consolidação de nossa posição como líderes de mercado em proteção de cultivos e nossa crescente participação no mercado de sementes.


Liderança na armazenagem da safra

A Kepler Weber trabalha para mostrar aos produtores que a proteção dos grãos deve continuar depois da colheita

A Granja do Ano — A Kepler completou 85 anos em maio de 2010. Quais são as principais razões que a empresa tem para comemorar nesta data tão importante?

Anastácio Fernandes Filho — Completar 85 anos já seria motivo suficiente para muita comemoração, afinal de contas, poucas empresas chegam a esta marca, principalmente no Hemisfério Sul, mas temos outros bons motivos para comemorar. A companhia é hoje líder de mercado no Brasil e na América Latina, e somos um dos cinco maiores fabricantes de sistemas de armazenagem no mundo, capitalizados e produzindo em duas unidades fabris (Panambi/RS e Campo Grande/MS). Temos uma equipe de engenharia capacitada e investimos constantemente em avanços tecnológicos, o que reforça o posicionamento da marca KW como referência de qualidade e evolução no setor. Nossos colaboradores têm orgulho de trabalhar na Kepler e estão comprometidos com a missão da empresa de surpreender positivamente nossos clientes.

Quais são os projetos da empresa para os próximos anos? Qual a expectativa de crescimento para os negócios?

Crescer! Temos metas ambiciosas para a próxima década. Enxergamos um mercado crescente em nosso segmento, pois o déficit de capacidade de armazenagem está presente em quatro dos cinco continentes. Com foco neste potencial, alcançaremos nossos objetivos.

Qual é a sua avaliação sobre o comportamento do mercado de armazenagem de grãos no Brasil nesse momento e quais são as suas expectativas em relação ao que pode acontecer no período 2010/2011?

O ano de 2010 está sendo muito bom para o mercado de armazenagem, com um volume de negócios superior ao realizado em 2009. Notamos claramente que muitos clientes “represaram” seus investimentos em razão da crise financeira internacional iniciada no final de 2008. Em relação ao ano de 2011, estamos trabalhando com perspectiva de crescimento para nosso segmento em todo o mundo.

Na sua opinião, quais são os maiores limitantes para a expansão dos índices de armazenag