A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Batata

Carente de mais consumidores

Redução da disponibilidade de terras para o plantio e retração do consumo são entraves para a expansão da cultura
Gilson R. da Rosa

A batata, tamb ém conhecida como batatinha ou batata-inglesa, é considerada a principal hortaliça no país, tanto em área cultivada como em preferência alimentar. Estimativas do setor, no entanto, apontam para um consumo per capita em torno de 14 quilos ao ano, enquanto a média de europeus e americanos é cinco vezes maior. Este dado evidencia o grande potencial de aumento de consumo do produto no mercado interno, que por sinal vem apresentando uma retração com o passar dos anos.

De acordo com o IBGE o consumo per capita de batata in natura, que era de 13,04 quilos por habitante ao ano em 1987, caiu para 9,22 quilos em 1996 e chegou a 5,27 quilos em 2003, um decréscimo de mais de 40% de 1987 a 2003. A recuperação ocorreu em 2006, quando subiu para 14,23 quilos por habitante. "Isso mostra que não há no Brasil uma cultura de consumo da batata e nem de sua importância nutricional", observa o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e presidente da Associação Brasileira de Horticultura (ABH), Paulo Cesar Tavares de Melo.

A cultura no Brasil ocupa uma área plantada de 100 mil hectares e responde pela produção de 2 milhões a 2,5 milhões de toneladas ao ano, segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira da Batata (ABBA). As Regiões Sul e Sudeste (PR, SC, RS, MG e SP) são as principais produtoras, contribuindo com aproximadamente 98% da área plantada com batata no país. Minas Gerais, maior produtor nacional de batata, respondeu no ano passado por 1,1 milhão de toneladas do produto, ou quase 33% do volume total colhido.

Entre as cultivares mais plantadas estão as importadas Ágata (líder de mercado), Asterix, Atlantic, Cupido, Monalisa e Mondial. De acordo com a pesquisadora da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Sally Ferreira Blat, como são poucas as cultivares brasileiras competitivas, a instituição vem desenvolvendo em parceria com a ABBA um programa de melhoramento genético (convencional) para a produção sustentável de batata no Brasil. "Um dos objetivos do projeto é disponibilizar cultivares de menor impacto ambiental e que sejam adequadas para o cultivo em diferentes condições edafoclimáticas paulistas e brasileiras visando à redução do custo de produção e ao aumento no consumo per capita, bem como à sustentabilidade da atividade no país",
informa. Blat, que também ressalta a necessidade de se criar nichos de mercado no Brasil, ou seja, variedades para cada mercado. "Batata para fritura e para cozimento são diferentes", lembra.

Entraves
Na análise do gerente geral da ABBA, Natalino Shimoyama, os maiores entraves para a expansão da cultura no país estão relacionados à disponibilidade de áreas para o plantio, variedades mais competitivas, batata-semente de qualidade, fornecimento de água para as plantas e problemas fitossanitários. Ele ainda acrescenta à lista a falta de pesquisas, a retração do consumo, a comercialização e as legislações trabalhistas, ambientais e tributárias. O atual momento econômico da batata, conforme o dirigente, já diz muito sobre a situação da cultura. "Em 2010, os preços foram excelentes até junho, mas começaram a declinar a partir de julho. Resumindo: faltou batata no primeiro semestre do ano. No entanto, a oferta tende a aumentar bastante a partir de julho e deve seguir até outubro ou novembro", estima.

Shimoyama explica que a oferta do produto tem sido regulada basicamente pelo clima. "Fatores como calor, excesso de chuvas e veranicos contribuem com mais de 80% na redução da oferta. Mas há outros aspectos relevantes. O uso de sementes de baixa qualidade reduz a produção pela metade. Terras cansadas devido a plantios sucessivos aumentam a incidência de bactérias. O custo de produção, que varia de R$ 20 mil a R$ 25 mil por hectare têm obrigado muitos produtores a reduzir a área plantada", observa.