A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

DESTAQUES A GRANJA DO ANO 2009 (II)

QUEM EMPREENDE FAZ ACONTECER

Uma história de trabalho duro

Erni Orlando Roos é diretorpresidente da empresa E. Orlando Roos & Cia. Ltda.

E. Orlando Roos começou com a insatisfação de um jovem que queria se modernizar com um trator

A Granja do Ano — Como foi o seu começo na vida agrícola?

Erni Orlando Roos — Quando retornei para a propriedade da família após ter servido o exército, em Santa Maria/RS, fui categórico: somente voltaria a trabalhar com o pai, Theobaldo Roos, e irmãos se comprassem um trator para começar a modernizar o processo de cultivo na lavoura. Com a resposta negativa do pai, pelo menos naquele instante, decidi ser caminhoneiro por uns tempos, profissão que aprendi durante o curso interno no serviço militar. Um ano após, recebi a correspondência do pai que contava a intenção de adquirir um trator. Foi assim que, alguns meses depois, voltei para casa e ajudei o pai e um irmão na compra do trator. Sem muita consciência do fato, abri novos horizontes para a família, a qual desempenharia um papel importante no setor agrícola brasileiro.

E como foi o início da E. Orlando Roos?

A empresa está com 46 anos, isso significa um testemunho de trabalho dedicado, sério e compromissado. Em todos estes anos presidindo a E. Orlando Roos, para chegar entre as dez maiores produtoras de sementes do Brasil e a maior do Rio Grande do Sul, foi necessário vencer muitos obstáculos. Nos primeiros 21 anos, a empresa contou com diversas composições societárias, mas a partir de 1983, com ingresso da segunda geração, investimos rumo ao reconhecimento do setor de sementes. A empresa iniciou com a Granja Unida Ltda., com o trigo como única safra do ano. Mas era muito tempo ocioso e um risco muito grande em caso de frustração de safra. Assim, rumamos para a área da madeira, onde nasceu a fábrica de esquadrias, compra e beneficiamento de madeira. Mas em março de 1965 mudamos de atividade, mostrando ter encontrado a verdadeira vocação: recebimento, armazenamento, comercialização de grãos e produção de sementes de soja e trigo.

Quais são as suas dicas para outros empreendedores, sobre trabalho, negócios...?

Em primeiro lugar, é necessário trabalho, muito trabalho; em segundo lugar: saber ser humilde; em terceiro lugar: ser honesto; e em quarto lugar: ter persistência. Porque sem persistência ninguém chega a lugar nenhum. Não é de um ano para o outro que as pessoas enriquecem. Ainda hoje acordo às 6h30 e trabalho geralmente até as 18h. Caminho muito, trabalho bastante... Eu só sei fazer isto, não sei fazer outra coisa! Tenho uma saúde perfeita e o que me mantém assim é o trabalho.

Quais são os diferenciais da E. Orlando Roos?

Atualmente, a empresa detém a maior área irrigada de soja do Rio Grande do Sul, sendo este um diferencial de produtividade em seu plantio em Não-Me-Toque, Santa Bárbara do Sul e Chapada (municípios gaúchos). Buscando inovar na área de sementes de soja, em 2008, no ano que a empresa completou 45 anos de fundação, foi feito investimento em genética e tecnologia e lançada a Roos Camino, a primeira cultivar de soja da empresa recomendada para a macrorregião sojícola 1 (zonas mais frias), que na última safra alcançou números extraordinários de produtividade. Já em 2009 foi lançada a Roos Avance, a cultivar adaptada para a região sojícola 2 (zonas mais quentes). Em 2000 a empresa foi a primeira da América Latina a receber o certificado ISO- 9001 no ramo de sementes, certificação que atesta não somente a qualidade do produto, mas toda a estrutura que a produz, beneficia e comercializa.

O Brasil deve muito aos seus triticultores

Alfredo Lang é presidente da C. Vale

Cooperativa C. Vale integra 600 produtores de trigo que geram um milhão e meio de sacas

A Granja — Quais as perspectivas do triticultor associado da C.Vale quanto à produção, produtividade e rentabilidade da safra de trigo 2009?

Alfredo Lang — As lavouras estão em boas condições, mesmo enfrentando chuvas um pouco acima do necessário em junho e julho. O resultado final vai depender do comportamento do clima em setembro. Existe previsão de bastante chuva no período da colheita e isso pode atrapalhar bastante o rendimento e a qualidade do grão. A rentabilidade vai estar diretamente ligada ao desempenho das lavouras, mas a gente já sabe que não será das melhores porque os preços estão baixos mesmo antes da colheita.

Que avaliação o senhor faz do atual momento da triticultura brasileira?

Os preços não são atrativos e isso desestimula o produtor. Veja, por exemplo, que em julho, em plena entressafra, nem preço havia. Os moinhos estão dando preferência ao trigo do Uruguai e do Paraguai. Então, sem garantia de preço e sem segurança de que o investimento dará retorno não há como querer que o produtor brasileiro invista na cultura.

Os recentes governos têm encarado a triticultura brasileira com a importância que a atividade merece?

O Governo precisa ser mais enérgico na defesa da triticultura. Os argentinos têm clima e solo melhor para produzir trigo que o Brasil. Como eles têm custo menor, conseguem colocar trigo aqui por valores inferiores aos do trigo nacional. Então deveríamos fazer como os outros países: medidas para proteger o setor produtivo. A Europa taxa o frango que exportamos, os Estados Unidos cobram tarifas sobre o nosso etanol e a própria Argentina está limitando as importações de vários produtos do Brasil. O Governo deveria permitir a entrada de trigo argentino somente depois que toda a produção nacional estivesse comercializada. Assim, o preço não cairia tanto e o produtor teria mais estímulo para plantar.

O que o senhor destacaria como principais conquistas da C.Vale no último ano?

O ano de 2008 foi um dos melhores anos da história da C.Vale. Recebemos o volume recorde de 1,84 milhão de toneladas de produtos, o que significou 8,45% mais que em 2007. Foram 15,2 milhões de sacas de soja, 12,7 milhões de sacas de milho e 120 mil toneladas de mandioca. Ampliamos a produção de frangos em 23%, alcançando uma média diária de 273 mil aves. A produção de leite e carne suína também cresceu. Com isso, nosso faturamento aumentou 38% e chegou a R$ 1,94 bilhão. A rentabilidade não foi aquilo que esperávamos, mas mesmo assim distribuímos sobras aos associados. Também iniciamos um plano de investimentos de R$ 148 milhões de reais para melhorar a estrutura de recebimento de grãos nas nossas unidades.

E quais são as metas, os planos e as perspectivas para os próximos 12 meses, principalmente em relação à triticultura?

Estamos concluindo a construção de uma central de armazenagem para 1,44 milhão de sacas que serão usadas para a produção de rações para frangos. Aliás, vamos continuar apostando na avicultura e também na suinocultura e na produção de leite e mandioca porque são atividades que geram renda extra e ajudam a manter o produtor no campo. Acreditamos que essa é uma das funções mais importantes de uma cooperativa: diversificar atividades para que o produtor tenha outra fonte de renda além dos grãos. Isso porque, quando o clima atrapalha, a renda do produtor cai bastante e a situação da família se complica muito. Com relação ao trigo, entendemos que é uma cultura que faz parte de um sistema de produção que pode melhorar a sustentabilidade da propriedade. O trigo ajuda a manter o solo no limpo, deixa adubo para a soja e serve como rotação de culturas. Então, vamos continuar incentivando o plantio.

Aposta de peso na pluma

Walter Horita é sócio-proprietário do grupo Horita

Grupo Horita mantém seus 19 mil hectares de algodão safra, apesar da redução da área da cultura no país

A Granja do Ano — Quais são as metas e perspectivas do Grupo Horita para a safra de algodão 2009/ 2010? Aumento ou diminuição de área? E qual a perspectiva em relação à produtividade e à rentabilidade?

Walter Horita — O Grupo Horita vai manter a área de algodão de 19 mil hectares, e nossa expectativa de produtividade é de 320 arrobas por hectare, em regime de normalidade de clima. Já temos uma estrutura de produção de algodão montada na fazenda, que não pode ficar ociosa. Eu acredito que a rentabilidade será crescente nas próximas safras, por causa da redução do custo de produção e da alta nos preços de mercado de algodão na Bolsa de Nova York. Essa reação dos preços para melhor se deve à redução das áreas de plantio de algodão em todo o mundo, provocada por diversos fatores, entre eles altos estoques mundiais e migração de produtores para soja e milho, principalmente nos EUA.

E qual a sua expectativa em relação à cotonicultura brasileira, sobretudo visto a atual conjuntura internacional?

Os cotonicultores brasileiros precisam permanecer no negócio, pois hoje o Brasil é o quinto maior produtor do mundo, um grande exportador, tem qualidade para atender aos mercados mais exigentes, como a Ásia. Temos tecnologias competitivas e, apesar da diminuição da área, estamos consolidados. À medida que a crise se dissipar e a economia der sinais de recuperação, com preços melhores, voltamos a aumentar a área. A economia deu sinais de recuperação, ainda que tênue. Isso deverá puxar o preço do algodão no mundo. A crise achatou os preços do algodão, com a diminuição do consumo. A queda nos custos de produção a que me refiro é da ordem de 10% e está ligada aos preços de fertilizantes, que caíram. Assim, estamos gastando menos para produzir, sem cortar tecnologia.

O algodão impõe altos gastos para ser produzido. Como o Grupo Horita reduz os custos de produção sem comprometer a produtividade?

O segredo é encontrar o equilíbrio. Qual o menor custo que vai conferir a melhor produtividade? Trata-se do menor custo de produção por unidade produzida, no caso, a arroba. Não acredito puramente na redução de custo absoluta. Não se pode reduzir tecnologia, ao contrário. É preciso aplicá-la racionalmente, para que retorne com benefícios. Também é necessário definir seu sistema de produção, o balanço de nutrientes, escolher corretamente os agroquímicos.

E quais as suas preocupações nas lavouras com as questões socioambientais? Treinamento, cumprimento das leis, embalagens...

A primeira preocupação de todas é atender item por item às leis que regem tanto o trabalho quanto o manejo dos recursos ambientais. O que já não é pouco, visto a complexidade de nossas leis. No caso específico da trabalhista e da NR31 (segurança e saúde no trabalho no campo), há uma grande disparidade entre as exigências e a realidade do campo. Também não me conformo com uma visão enviesada que impera tanto nos órgãos ambientais e do trabalho, como na opinião pública, que coloca o produtor na condição de vilão. Ora, não existe produção sem algum nível de impacto ambiental, e o que tentamos fazer é reduzi-lo ao mínimo. Procuramos dar a nossos empregados as melhores condições de vida e de trabalho possíveis, com benefícios que se estendem às suas famílias. A função social do produtor é nobre. É a de alimentar e vestir a humanidade e garantir a sua sobrevivência. As pessoas da cidade precisam visitar o campo, conhecer um complexo produtivo moderno, como as fazendas do Grupo Horita e as demais fazendas do Oeste da Bahia, para entender que estamos falando de uma agricultura tão tecnificada e eficiente como a mais moderna fábrica que se possa imaginar, com a diferença de que produzimos plantas, que, além da sua função principal, ainda sequestram carbono.

Degustado também pelo mundo

Darcy Miolo é diretorpresidente da Vinícola Miolo

Vinhos da Miolo, dona de 25% do mercado nacional entre as empresas brasileiras, está em 18 países

A Granja do Ano — Quais foram os lançamentos da Vinícola Miolo nos últimos 12 meses e quais são os previstos?

Darcy Miolo — A Miolo lança anualmente as safras de praticamente todos os seus vinhos, com exceção dos super premium que só são elaborados em safras excepcionais, tais como Lote 43 e Merlot Terroir. A empresa lançará em agosto (de 2009) a terceira geração da sua linha Seleção com novo corte de vinhos e nova identidade visual. O Seleção Tinto passa a ser elaborado com as uvas cabernet sauvignon e merlot, valorizando o aroma de frutas vermelhas, como cereja, morango, frutas secas e especiarias. A mudança visou a adequar o produto ao mercado internacional, que busca vinhos mais frutados e fáceis de tomar. Aproximadamente 15% do vinho envelhece em barricas de carvalho americano e a outra parcela nos tanques de aço inox. Após passar pelo corte, o Seleção Tinto é engarrafado após um ano de envelhecimento. O novo Seleção Branco é elaborado com corte de uvas chardonnay e riesling. Lançado em 2006, o Seleção Rosé também ganha nova rotulagem, mas permanece com suas mesmas características, elaborado com corte de cabernet sauvignon e merlot leve e jovem. Outro grande destaque foi a apresentação do Sesmarias, vinho que chega ao mercado em 2010, para se tornar o ícone do projeto Fortaleza do Seival, na Campanha Gaúcha. É o primeiro vinho elaborado no Brasil com fermentação integral em barrica nova de carvalho, as duas fermentações espontâneas (do álcool e do ácido málico) acontecem na madeira e em contato com as cascas. A sua elaboração é extremamente minimalista, o acompanhamento é minucioso, as uvas desengaçadas não são esmagadas, a remontagem é feita com o rolamento da própria barrica, o vinho não é colado nem filtrado. Este processo potencializa a uva, através de uma vinificação delicada essencial para a elaboração de grandes vinhos.

Em que o consumidor de vinhos da Miolo é mais exigente? E quais são os diferenciais da Miolo?

O consumidor Miolo busca um vinho de qualidade com características que se identifiquem com sua personalidade e poder de consumo. A empresa possui mais de 70 produtos de oito projetos, todos com a qualidade de uma empresa conhecida por ser referência na produção de vinhos finos. Essa diversidade atrai muitos clientes. O grupo já possui oito projetos: Vinícola Miolo (Vale dos Vinhedos, RS), Fortaleza do Seival Vineyards (Campanha, RS), Fazenda Ouro Verde (Vale do São Francisco, BA), Lovara Vinhos Finos (Serra Gaúcha, RS), RAR (Campos de Cima da Serra, RS), Viasul, Osborne e Bodega Septima.

Como se dá o processo de desenvolvimento de um novo produto na Miolo? Como se chega a um novo vinho ou espumante?

Trata-se de um processo bastante complexo. Tudo inicia com o estudo de solos de diferentes regiões brasileiras. Identificada a região, caracterizamos o tipo de solo e suas aptidões. O vinhedo é implantado com base no vinho que pretendemos lançar, em função da demanda de mercado. O tempo médio de lançar o vinho desde o início do processo nunca é inferior a cinco anos. A empresa investiu nos últimos dez anos R$ 120 milhões na aquisição de novas áreas, na importação de mudas, em pesquisa de novas variedades e em tecnologia para garantir vinhos de melhor qualidade e vinhos de categorias superiores (os super premium Merlot Terroir e o ícone Lote 43). O resultado foi a melhora em toda a sua base de produção.

O transatlântico do conhecimento

Pedro Antônio Arraes Pereira é diretor-presidente da Embrapa

Embrapa não só desenvolve pesquisas para a agricultura brasileira, como mantém laboratórios em outros países

A Granja do Ano — Quais serão as prioridades da Embrapa na nova gestão?

Pedro Arraes — A Embrapa é uma empresa imensa, um grande transatlântico. Tem um portfólio de projetos de pesquisas amplo. Mas obviamente existem algumas prioridades, que são os grandes problemas nacionais, como a ferrugem da soja, para a qual há vários projetos, e temos que fazer uma análise para saber onde podemos atacar mais para resolver o problema. No caso da integração lavoura-pecuária, realizamos uma ligação mais próxima com o setor produtivo, as cooperativas e as organizações dos produtores. Começamos a preparar os programas de melhoramento da Embrapa que são a grande força da empresa hoje no sentido de usar efetivamente as tecnologias de SNPs (melhoramento genético). Isso tudo agregado com o melhoramento tradicional. Assim vamos manter a nossa competitividade para o futuro. E tem toda esta questão do Código Florestal que está agora batendo na porta e existe uma carência muito grande de pesquisa nesta área. Há um grupo fazendo levantamento sobre onde podemos gerar dados para oferecer um subsídio aos fazedores de políticas públicas a fim de que estas sejam embasadas pela ciência.

Quais são os planos da Embrapa mais especificamente para a pesquisa e desenvolvimento de transgênicos? O que deverá ser desenvolvido em breve, médio e longo prazos?

Em breve teremos um feijão transgênico com resistência ao vírus do mosaico dourado. Este tem um componente muito interessante porque é um produto nosso. Na verdade é um transgênico que vai ter um impacto imenso na agricultura familiar, pois em algumas áreas o chamado feijão da época seca não é plantado por causa da doença. É um feijão brasileiro, não está envolvida nenhuma multinacional. É um transgênico que vai evitar a aplicação de fungicida. Os resultados até agora são bastante promissores. Recentemente foi feito um acordo com o Japão disponibilizando alguns genes resistentes à seca. Este trabalho está mais avançado em soja e vai também começar com feijão e milho. Estas são possibilidades de resultados um pouco mais para a frente, a médio e longo prazos. Mas aí, tendo como objetivo outra linha de transgenia, indo ao encontro das mudanças climáticas – proporcionar às plantas a maior tolerância à seca em função do cenário de ter aumentos de temperaturas e de instabilidade climática. Estes são os projetos que estamos focando mais.

E como a Embrapa vai trabalhar as parcerias internacionais?

Na questão internacional a Embrapa tem dois pilares. O primeiro são os Laboratórios Virtuais da Embrapa (Labex). Temos um nos Estados Unidos, onde há um coordenador e quatro pesquisadores em áreas estratégicas. Outro na França, o chamado Labex Europa, cujo coordenador fica em Montpellier (França), mas tem um braço na Holanda e outro na Inglaterra, em Rothamsted, a estação experimental mais antiga do mundo. Em setembro, estará indo um colega nosso para a Coreia do Sul, o que seria o Labex da Ásia. Este é o pilar do conhecimento, uma maneira de estarmos inseridos nos grupos de alta tecnologia, de ciência avançada, fazendo cooperação para estarmos sempre acompanhando os avanços. Por outro lado, a Embrapa também é um player nesta questão. É uma parceria ganhaganha. O segundo ponto são os escritórios (em outros países).

Amparo gigante a milhares de associados

Aroldo Galassini é diretor-presidente da Coamo

Coamo, a maior cooperativa da América Latina, ficou ainda maior com a incorporação da Coagel

A Granja do Ano — Como foi a safra 2008/2009 para o associado da Coamo?

Aroldo Galassini — O ano de 2009 foi mais complicado do ponto de vista de produção agrícola. Tivemos uma quebra na produção de verão, de soja e milho. Os produtores foram mais prejudicados porque há regiões em que as lavouras foram bastante atingidas pelo clima, e houve quebras de 10% a 80%. Foi mais ao norte, oeste e noroeste do Paraná, na região de milho safrinha. Aconteceram duas secas, no início e final do ciclo. E os produtores estão com problemas de liquidez. Os preços também não andaram muito bem. A soja teve várias oscilações: foi para cima, para baixo, para cima e para baixo de novo. E segue em baixa. O milho ficou com um preço muito baixo. A exportação não é viável por causa do dólar baixo e os preços internacionais também estão com os preços ruins. A lavoura de verão foi mal para o produtor, assim como a de inverno (milho safrinha). O trigo ainda não foi atingido, a não ser por chuvas e algumas doenças, mas agora o tempo melhorou e os produtores estão tratando as lavouras. Pode ser que haja algumas perdas, mas não graves. A geada ainda não atingiu a cultura. O milho safrinha teve todas as intempéries possíveis: seca, geada e chuva na colheita, que prejudicou muito a qualidade. O produtor está meio azarado neste ano. Mas alguns têm seguro e outros, o Proagro.

E qual a perspectiva do produtor para a safra 2009/2010?

Já fizemos o planejamento para 2010. No milho, a tendência – pela própria aquisição de sementes – na área de ação da Coamo será de queda de 26% na área. Foram comprados 48% de sementes a menos, por causa do preço ruim do produto. A redução do milho significa um acréscimo na área de soja. Mas entramos numa área nova, na região de Goioerê/PR (com o arrendamento da cooperativa Coagel), e o aumento da área de soja será de 12,5%. O produtor já fez o planejamento para 2010 e trocou o milho, com preço ruim, pela soja, cujo custo ficou bem menor que no ano passado. O custo está inferior, principalmente no adubo, que, dependendo da fórmula, caiu de 35% a 40%. Houve queda em alguns herbicidas, mas os fungicidas aumentaram. Mesmo assim, o custo de produção ficou abaixo do ano anterior.

O produtor da Coamo espera uma safra 2009/2010 com rentabilidade diante de todas estas realidades?

Agora é questão de esperar. O milho, por exemplo, com esta queda, se o Governo conseguir tirar mais ou menos 7 milhões de toneladas pela exportação – ou se o mercado melhorar –, então poderemos ter um estoque de passagem de 4 milhões de toneladas para 2009. Com mais 49 milhões de toneladas (a previsão de safra do Brasil) e com um consumo de 45 milhões de toneladas, ficaríamos com um volume de 53 milhões de toneladas. O estoque de passagem é normal, e a safra ainda precisa se confirmar, mas assim, teríamos tendência de um bom preço do milho a partir do final de 2009. Mas se este excedente de 7 milhões de toneladas ficar no mercado interno e confirmar uma produção normal de milho, os preços podem ficar prejudicados.

O guarda-chuva necessário até para o sol

Gláucio Toyama, diretor de Negócios Financeiros e Agrícolas da Mapfre Seguros

Mapfre Seguros propicia proteção a mais de 60 cultivos agrícolas e florestais em 10 mil apólices

A Granja — O que a Mapfre Seguros planeja, projeta, ambiciona, para os próximos 12 meses em relação ao seguro agrícola? E quais foram as principais conquistas nos últimos 12 meses neste segmento?

Gláucio Toyama – O nosso planejamento de curto prazo é muito claro, focamos na demanda de nossos clientes com o aperfeiçoamento e a consolidação dos nossos produtos (atendemos mais de 60 cultivos agrícolas e florestais) e na busca do aumento de participação no mercado. Não tiramos do alvo o crescimento orgânico e a consolidação dos serviços, pois o que oferecemos tem de ser entregue e com qualidade. Para esta safra, nossa projeção de crescimento é de 30% em relação a 2008. Temos em mente desenvolver um relacionamento customizado para os nossos clientes, de forma a conhecer suas particularidades e com isso apresentar soluções em seguros agrícolas mais aderentes e diferenciadas do mercado. Na última safra, nosso portfólio teve um crescimento de 28% em relação à safra anterior. Ampliamos nosso market share em produtos em que tínhamos pequena participação, como exemplo, os produtos para hortaliças e frutas e estamos nos consolidando no segmento florestal, todos com muita carência e, consequentemente, grande potencial de exploração. Entretanto, não deixamos de dar atenção ao carrochefe da área, que são os produtos para grãos, principalmente soja e milho.

Qual a importância da agropecuária brasileira nos negócios da Mapfre no mercado de seguros?

O agronegócio responde por uma participação muito significativa no PIB brasileiro. O setor não demanda apenas soluções de proteção de cultivos e de produção. Definitivamente, existe uma gama de possibilidades inseridas no setor para seguros patrimoniais, financeiros e relativos às pessoas. Temos ciência do agro para nossa companhia e passo a passo cresceremos nossa oferta de produtos e nossa participação no segmento.

Quais as atividades da agropecuária mais usufruem do seguro? E dos setores mais relevantes, quais são os menos representativos?

Considerando os negócios de seguros agropecuários, o mercado segurador teve uma importância segurada de mais de 60% para grãos (soja, milho verão, milho safrinha e trigo) na última safra. Isto se deve ao programa de subvenção e aos canais de distribuição tradicionais (bancos e cooperativas). Neste último caso, considere que são cultivos com forte demanda de crédito e a liberação de linhas condiciona a contratação de seguros agrícolas. O setor agropecuário brasileiro tem relevância em diversas cadeias. Além do complexo soja, temos potencial de crescimento nas cadeias de carnes, de café e de açúcar e álcool, das quais o mercado tem produtos de seguro e a contratação permanece com valores insignificantes. Em nossa opinião, esta pequena demanda é resultado da falta de compreensão de ambas as partes, consumidores e seguradoras, e do pequeno interesse dos canais de distribuição e do pequeno desenvolvimento.

O que poderia ser feito para que o produtor brasileiro adquira a “cultura do seguro agrícola”, ou seja, encare o seguro como um verdadeiro insumo da produção?

Este é um trabalho de médio e longo prazo, com ações constantes do Governo e da iniciativa privada. Neste momento, o ideal seria que o mercado ofertasse capacidade total e que todas as operações financeiras condicionassem a liberação do crédito com a contratação de seguros agrícolas.

Excelência na genética Dorper

Valdomiro Poliselli Júnior é proprietário da VPJ Pecuária

Ajudar no crescimento da ovinocultura de corte no Brasil é um dos objetivos do criador Valdomiro Poliselli Júnior

A Granja do Ano — Na sua opinião, qual é a importância da raça Dorper para o desenvolvimento da ovinocultura no Brasil?

Valdomiro Poliselli Júnior — O Brasil importa hoje 60% da carne de cordeiro consumida no país, portanto a demanda por cordeiros de qualidade é enorme. A origem e o objetivo pelos quais as raças Dorper e White Dorper foram criadas resultaram em qualidades que aliam a eficiência produtiva às exigências atuais da ovinocultura, por serem raças eficientes, produtivas, rústicas e com excelente conversão alimentar. Características estas que as fazem um fenômeno da ovinocultura de corte, capazes de produzir uma carne de sabor e maciez incomparáveis, atendendo às necessidades do mercado consumidor, principalmente restaurantes especializados em servir carne de qualidade. São raças que proporcionam a criadores maiores índices de produtividade a um baixo custo, incentivando o desenvolvimento quantitativo e qualitativo da ovinocultura nacional.

Quais são as colaborações da VPJ para a evolução da ovinocultura nacional?

Pensando nesta demanda por carne com qualidade, selecionamos há mais de sete anos animais Dorper e White Dorper capazes de transmitir genética de ponta para produção de reprodutores rústicos. Ao mesmo tempo, esses exemplares devem transmitir aos seus filhos no cruzamento com outras raças características como crescimento rápido, alto peso ao desmame, excelente volume muscular, rusticidade, precocidade, alto rendimento e qualidades superiores na carcaça. Quais são os caminhos que devem ser percorridos para que o setor cresça com sustentabilidade e rentabilidade no país? O principal caminho é produzir um cordeiro precoce, com alta qualidade de carne e rendimento de carcaça, com o menor custo possível, aumentando a lucratividade do produtor.

Quais são as principais metas da VPJ para os negócios com ovinos em 2009?

Nossa meta em 2009 é aprimorar geneticamente nosso plantel. Para isso, adquirimos em 2008 o “Supremo Grande Campeão” da Austrália – Maverick –, que chegará ao Brasil em setembro de 2009, após cumprir durante cinco meses contratos de venda de embriões para os Estados Unidos. Além desse reforço genético, importamos em janeiro de 2009 mais de três mil embriões da África do Sul e da Austrália, visando sempre à produção de reprodutores melhoradores de carcaça e de qualidade da carne.

Quantos reprodutores formam o “time” da VPJ atualmente?

Contamos hoje com 200 doadoras das raças Dorper e White Dorper no Brasil e na Austrália, gerando uma produção anual de mais ou menos 1.000 nascimentos, sendo que metade deles são provenientes de embriões importados. Além das doadoras, mantemos um time de ovelhas jovens para exposições e machos reprodutores selecionados para venda para cruzamento. Também contamos com um seleto time de reprodutores elite, como o VPJ Spot 432 (recordista de preço da raça, em mais de R$ 1 milhão), o VPJ Bradock 010, o VPJ Rock 215, o VPJ 050 e o VPJ Ice 315, além dos reprodutores importados Maverick e Dowuana 1181.

Uma aliada do pecuarista

Max Fabiani é presidente da Tortuga

O comprometimento com os resultados dos criadores faz a Tortuga investir de forma constante na evolução de seus produtos

A Granja do Ano — De que forma a Tortuga trabalha para saber quais são as demandas dos pecuaristas brasileiros?

Max Fabiani — Desde a fundação da empresa trabalhamos para entender as necessidades dos pecuaristas, e isso é a base da nossa filosofia, que diz que a empresa somente progredirá se os criadores evoluírem utilizando os nossos produtos. Dessa forma, todos os nossos funcionários e representantes da Tortuga estão atentos e trabalhando para satisfazer os nossos clientes. A nossa relação com eles é bem próxima, vai além da questão comercial, é uma relação de comprometimento com os resultados. Isso só é possível com uma equipe alinhada nesse mesmo propósito e são esses aspectos que diferenciam a Tortuga no mercado.

Quais novos produtos ou tecnologias a Tortuga lançou ou pretende lançar?

O nosso investimento em pesquisa e desenvolvimento é constante, temos quatro centros experimentais e uma grande equipe que trabalha a demanda específica de cada segmento em que a empresa atua. Lançamos o Fosbovi Proteico- Energético 40, o primeiro suplemento da Tortuga no segmento. Lançamos também a Nac para bovinos de leite, e ampliaremos a nossa linha de equinos e ovinos, além de aumentarmos a nossa linha de produtos de saúde animal com a compra dos produtos da Minerthal, e ingressarmos no mercado Pet com a compra da marca Amici.

O que mudou com a aquisição da marca Mitsuisal? Quais são as características dos produtos dessa marca e quais os benefícios desse negócio para a Tortuga?

Com a aquisição da Mitsuisal ampliamos em 15% a nossa participação de mercado. Trata-se de uma nova opção para pecuaristas que não abrem mão da qualidade, mas buscam um produto com um custo menor. A diferença está na tecnologia das matériasprimas utilizadas nas duas marcas: nos produtos Tortuga utilizamos o fosfato bicálcico com mais de 98% de solubilidade, e os microminerais estão na forma orgânica, com biodisponibilidade de cerca de 90%, enquanto que na Mitsuisal utilizamos o fosfato bicálcico microgranulado, que tem de 92% a 95% de solubilidade e sulfatos como fonte de microminerais, com cerca de 30% de biodisponibilidade.

Como está o processo de participação no mercado externo? Que países são importadores dos produtos Tortuga e em quais mercados a empresa pretende chegar ou crescer ainda mais?

A Tortuga está ampliando a participação no mercado externo. Hoje exportamos para mais de 17 países, na América Latina e Europa. Começamos há mais de 15 anos, quando abrimos a nossa sucursal no Paraguai e daí fomos expandindo por todos os outros países da América do Sul e Central. Chegamos na Europa com a nossa tecnologia de Carbo-Amino-Fosfo-Quelatos, os minerais em forma orgânica. Os investimentos nas exportações não param, e a fábrica que foi inaugurada em abril de 2009 em Pecém, no Ceará, vem também atender esse aumento de demanda da América Central e Europa.

Créditos abertos a todos os tamanhos

Luís Carlos Guedes Pinto é vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil

Banco do Brasil vai irrigar a agricultura empresarial e familiar na safra 2009/2010 com quase R$ 40 bilhões

A Granja do Ano — Qual a sua perspectiva quanto à aplicação do Plano Agrícola e Pecuário 2009/ 2010? Os recursos deverão chegar em sua totalidade ao produtor?

Luís Carlos Guedes Pinto — A perspectiva é muito boa. Houve um incremento significativo de recursos para o financiamento tanto da agricultura familiar quanto da empresarial. O Banco do Brasil vai destinar cerca de R$ 39,5 bilhões para operações de crédito rural na safra 2009/2010, volume 30% superior se comparado à safra anterior. Desse total, R$ 9,4 bilhões vão financiar a agricultura familiar e R$ 30,1 bilhões vão atender os demais produtores e suas cooperativas. Os recursos estão disponíveis. As agências do Banco do Brasil já estão operando a contratação de todas as linhas de crédito rural e Pronaf do Plano Safra 2009/2010. A exemplo do ano anterior, o Banco do Brasil deverá aplicar 100% dos recursos previstos. A efetivação dos desembolsos vai depender da demanda apresentada pelo setor, da análise de crédito, do retorno dos recursos emprestados em anos anteriores e do comportamento dos depósitos à vista e da poupança rural ao longo do ano-safra.

No Plano Agrícola e Pecuário 2009/2010 quais são as novidades do Banco do Brasil em relação a linhas de financiamento do plano anterior?

A partir desta safra, os produtores rurais do segmento empresarial que operam com o Banco do Brasil e cultivam soja e milho têm a opção de contratar a proteção contra queda acentuada de preços por meio de opções de venda. Nesse novo modelo de oferta privada de proteção de preço, o BB lançará no mercado opções de venda a custos acessíveis, de modo a garantir o preço de suporte ao produtor na época da colheita, com prêmio compatível com os custos de produção. A previsão é de que cerca de 20% do valor das operações de custeio de soja e milho possam estar atreladas às opções de venda gerenciadas pelo BB, já neste primeiro semestre do ano-safra 2009/ 2010. Este seguro de preço será ofertado em todas as agências do BB.

Além de financiar custeios e investimentos, que outros apoios uma instituição como o Banco do Brasil oferece ao produtor?

Como maior financiador da agropecuária brasileira, o Banco do Brasil atua em todos os segmentos e etapas da cadeia produtiva, do pequeno produtor às grandes empresas agroindustriais e oferece um amplo e moderno conjunto de produtos, serviços e soluções para toda a cadeia produtiva agropecuária. Os clientes do banco podem contar com os programas especiais como o BB Fruticultura, BB Pecuária, BB Florestal e BB Armazenagem, seguro de preços e produção, além do financiamento à comercialização e do cartão Ourocard Agronegócio, que permite o uso na função financiamento para aquisição de bens e produtos agropecuários, utilizando recursos do crédito rural. O banco tem constantemente aprimorado e desenvolvido instrumentos para o setor, seja na oferta de novas formas de financiamento da produção agropecuária ou de instrumentos facilitadores da contratação do crédito e de mecanismos de proteção de preços e seguro de produção. A utilização desses mecanismos busca reduzir a oscilação de renda do produtor e protegê-lo de intempéries climáticas.