A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

DESTAQUES A GRANJA DO ANO 2009 (I)

QUEM EMPREENDE FAZ ACONTECER

Esta edição d’A Granja do Ano foi elaborada enquanto o mundo dava os primeiros sinais concretos de que está deixando na poeira o que se convencionou chamar de “crise financeira internacional”. Depois de meses de inúmeras notícias negativas e diárias sobre a economia do planeta, a esperança apontou seus raios no horizonte. Mas não é pelo otimismo da hora que os entrevistados a seguir mantêm um discurso pra cima, positivo e propositivo, com anúncios de bons resultados no passado recente e de planos ambiciosos para o futuro. Eles e as instituições que dirigem são assim mesmo sempre, agem alheios aos índices sobe-e-desce de bolsas mundo afora. São independentes das circunstâncias que os cercam.

Por isso mesmo e por muitas e justificadas outras razões, foram eleitos pelos leitores d’A Granja para receber o mais tradicional e mais desejado prêmio do agronegócio brasileiro, o Destaque A Granja do Ano, em 2009 na sua 24ª edição. Note ao ler as entrevistas: as categorias em que foram eleitos podem não ter nenhuma similaridade, mas suas trajetórias e ensinamentos são muito parecidos. E observe: são raras as menções à “crise mundial”. Nada de choro, nada de lamento. Mas sim muitas revelações de bons negócios. Alguns, inclusive, anunciam lançamentos de produtos ou confidenciam projetos ambiciosos. Não, eles nem lembram da “crise” passada; eles se articulam – e trabalham – pela prosperidade vindoura.

Os eleitos

Pecuária de corte - CFM

Leite - Bom Gosto

Ovinos - VPJ Pecuária

Nutrição animal - Tortuga

Saúde animal - Merial

Sementes - Pioneer

Tratores - Massey Ferguson

Implementos agrícolas - Semeato

Pulverizadores - Jacto

Adubos - Bunge

Máquinas de colheita - John Deere

Irrigação - Valmont

Defensivos agrícolas - Syngenta

Silos - Kepler Weber

Caminhões - Volks

Pick – Ups - Ford

Arroz - Pilecco Nobre

Milho - SLC

Soja - E. Orlando Roos

Trigo - C.Vale

Algodão - Walter Horita

Vinho - Vinícola Miolo

Pesquisa agropecuária - Embrapa

Cooperativismo - Coamo

Seguros - Mapfre Seguros

Bancos - Banco do Brasil

Seleção em busca da melhor performance

David Makin é presidente da Agro-Pecuária CFM

Trabalho genético da CFM tem o objetivo de aprimorar o rebanho bovino brasileiro

A Granja do Ano — Quais são os principais destaques e projetos da CFM para 2009?

David Makin — O grande destaque da CFM para 2009 é que completamos 30 anos de programa de seleção e melhoramento do Nelore CFM. Ainda hoje, mesmo depois de todo esse tempo, as tendências genéticas do rebanho CFM mostram que o potencial produtivo dos animais apresenta melhoria a cada ano. Nosso programa de seleção é fundamentado no ganho de peso a pasto, musculosidade de carcaça e precocidade sexual. Contudo, internamente, há alguns anos iniciamos o estudo de novas características de produção ligadas à efetiva melhoria das carcaças no frigorífico e, tão logo tenhamos concluído os estudos, poderemos levar ao mercado novas ferramentas de seleção. Essa é nossa visão, manter o foco nos principais pilares de melhoria da performance econômica dos animais na fazenda, mas sempre de olho em novas ferramentas que possam incrementar o lucro da CFM e de nossos clientes, com a produção de carne a pasto, com qualidade e respeito ao meio ambiente.

Qual é a importância do trabalho genético realizado pela CFM para a evolução da pecuária no Brasil?

Podemos medir a importância do programa de seleção da CFM pelo sucessivo resultado positivo que os touros apresentam, não só na CFM, onde se produzem animais jovens com carcaças valorizadas e com pagamento de bônus, mas também pelos demais programas de seleção desenvolvidos no Brasil, nos quais os touros CFM sempre estão classificados entre os líderes desses projetos. Mas, com certeza, o melhor termômetro é o sucesso que os clientes CFM obtêm com o uso dos nossos touros, medido através dos altos índices de retorno, e o sucesso comercial da CFM, oferecendo a melhor genética para produção a pasto, juntamente com o melhor pacote de benefícios comerciais e com orientação técnica aos pecuaristas de mais de 18 estados brasileiros.

A carne brasileira é reconhecida e elogiada no mundo todo. Na sua opinião, o que o setor pecuário ainda precisa fazer para alcançar mais mercados e se tornar ainda mais importante no exterior?

O Brasil tem papel de destaque no mercado global de carnes, mas ainda somos vistos como o maior produtor de commodity, com alguma valorização para atributos, como produção natural e padrão mínimo de qualidade de produção. Contudo, se o Brasil quer realmente agregar divisas no mercado internacional de carnes, é preciso atingir os mercados de carnes mais valorizadas, saindo do mercado comum de commodity, onde a carne é vendida apenas como carne, e passar a vender carne como marca. Para isso, precisamos fazer a lição de casa para acessar mercados que ainda não foram atingidos atualmente, destacando uma melhor padronização e melhoria das carcaças dos animais enviados ao abate, chegando a um trabalho de formação de marca e marketing do produto brasileiro desde a indústria, e com apoio do Governo. É claro, e nem é preciso destacar, que barreiras sanitárias ainda são um empecilho para alguns mercados, e outros temas como proteção ao meio ambiente e impacto social serão o novo foco nas barreiras não tarifárias.

E no mercado interno, quais são os principais desafios para a nossa pecuária?

O consumidor interno não é muito diferente daquele do mercado externo. Ele também busca um animal que irá produzir uma carne macia, natural e produzida dentro de padrões corretos. Os pecuaristas que têm condições de produzir animais jovens, que forneçam carcaças de melhor qualidade para esses mercados mais exigentes, certamente terão melhores remunerações e garantias de mercado.

Um sonho que virou realidade

Wilson Zanatta é diretorpresidente da Laticínios Bom Gosto

A Laticínios Bom Gosto iniciou suas atividades em 1993 e hoje é a quarta maior empresa leiteira do país

A Granja do Ano — Como iniciou a história da Laticínios Bom Gosto?

Wilson Zanatta — Meu pai era produtor de leite e eu cresci vivendo a realidade do setor. A Bom Gosto foi a concretização de um sonho da época em que eu era estudante de Veterinária. Minha pretensão era construir uma empresa inovadora e que contasse com famílias de produtores felizes, trabalhando com dignidade. A Bom Gosto iniciou suas atividades de beneficiamento de leite em 1993, em Tapejara/RS. No começo, com quatro funcionários e 22 produtores de leite integrados, a empresa obtinha uma produção diária de 2 mil litros de leite. Na época, a bacia leiteira da região era insignificante e praticada de forma artesanal, com pouca tecnologia e sem qualquer melhoramento genético, o que levou a empresa a importar mais de 4 mil exemplares de gado leiteiro do Uruguai. Essa iniciativa, aliada a uma completa assistência veterinária, permitiu uma rápida evolução da atividade. A partir do ano 2000, a empresa iniciou o processo de ampliação de sua linha de produtos, com a instalação de uma moderna planta industrial.

Recentemente, a Bom Gosto anunciou a fusão com a Líder Alimentos e assumiu a unidade industrial da Parmalat em Garanhuns/PE. O que significam esses negócios para as atividades da empresa?

Essas negociações ajudaram a fazer da Bom Gosto a quarta maior empresa em volume de captação de leite no país, com 1,1 bilhão de litros/ano. O investimento em Pernambuco soma R$ 31 milhões e inclui uma fábrica com capacidade de processamento de 500 mil litros/dia. A fusão das operações com a Líder Alimentos, do Paraná, contempla um modelo de gestão compartilhada. Esta parceria estratégica busca o fortalecimento das bacias leiteiras, com a criação de programas de incentivo ao produtor, a ampliação do quadro de funcionários, além de acelerar a capacidade de produção e ampliar a participação do grupo em diversas regiões do país.

Quais mercados são atingidos hoje e quais são os planos de expansão para a atuação da empresa?

Hoje comercializamos uma linha de 180 produtos em todos os estados do Brasil, com destaque para o Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. A operação em Pernambuco, por exemplo, vai ajudar a ampliar de forma definitiva a participação da empresa nos mercados do Norte e do Nordeste. Entre os investimentos previstos para os próximos meses está a construção de uma fábrica no Uruguai, com capacidade inicial de processamento de 400 mil litros/dia. Com esse negócio, a Bom Gosto será a primeira indústria brasileira de laticínios a se instalar fora do país.

Como o senhor avalia o momento do mercado leiteiro e os desafios desse setor no Brasil?

O leite já foi uma atividade marginalizada e hoje é o negócio do futuro. O Brasil tem condições de abastecer o mercado interno, mas também pode fornecer leite para o mundo todo. A evolução genética dos animais e das forrageiras é constante, mas a nossa produtividade ainda é uma das menores do mundo. No Rio Grande do Sul, por exemplo, os índices são de 2 mil litros/vaca/ano, enquanto nos vizinhos Uruguai e Argentina, os números são de 4 mil litros/vaca/ano e 5 mil litros/vaca/ano, respectivamente. Precisamos investir ainda mais em qualidade e tecnologia, inclusive nas indústrias, para o processamento em larga escala. No âmbito da cadeia, é preciso haver um esforço conjunto para que seja diminuído o atrito entre produtores e indústrias. Também acredito que o Governo deve fortalecer os acordos internacionais para facilitar as exportações.

Atendimento personalizado ao criador

Henry Berger é gerente de Marketing para Ruminantes da Merial

Aliar a eficiência produtiva à sanidade animal é um dos focos do trabalho da Merial

A Granja do Ano — Em 2008 a Merial realizou investimentos importantes para atender às demandas da pecuária nacional. E quais são os principais projetos da empresa até o final de 2009?

Henry Berger — No que se refere à área de ruminantes, nossos grandes projetos estão focados em cada vez mais apresentar soluções que mantenham nossa marca a preferida de pecuaristas e influenciadores. Como exemplos desse trabalho, estão novos produtos que atendam às demandas e necessidades dos produtores de gado de corte e de leite, novos serviços, como os marcadores moleculares Igenity, e a expansão de nosso atendimento a clientes especiais dentro do atual programa de relacionamento.

Como está o andamento do Programa Soma, desenvolvido pela Merial?

O Programa Soma é parte integrante deste contexto, sendo um dos elementos responsáveis pelo ótimo crescimento da área de Ruminantes da Merial ao longo dos últimos anos. Através dele podemos identificar melhor as necessidades dos pecuaristas e oferecer-lhes soluções alinhadas com o mercado. Atualmente fazem parte deste programa mais de 400 pecuaristas em todo o país e, muito mais que expandir em número de clientes, nos parece lógico que nos dediquemos ainda mais aos atuais para consolidação da relação ganha-ganha que temos com eles. Idealizado como ferramenta de relacionamento, o Soma envolve um plano de negócios anual sob medida para pecuaristas, onde estão previstos compromissos e atividades, como visitas de assistência técnica do veterinário Merial; um programa sanitário personalizado e estratégico (Personal Vet); e auxílio ao produtor para atender ao GlobalGAP. Além disso, a Merial assume o compromisso pelo aprimoramento da mão de obra das fazendas, com treinamentos teóricos e práticos para peões e capatazes versando sobre diferentes temas, como bem-estar animal e aplicação de medicamentos, por exemplo.

Na sua opinião, quais são os principais desafios do Brasil na área de sanidade animal?

Todos os estudos mundiais demonstram claramente a tendência de aumento populacional mundial, com o correspondente aumento de consumo alimentar e de proteína animal. Entretanto, também é inegável a necessidade de equalização entre áreas destinadas à agricultura, pecuária e preservação. Assim, nesta equação, há que se atentar à questão da eficiência produtiva através da adoção de tecnologia e também da sanidade animal que suportem este crescimento esperado. Especificamente no que tange à sanidade animal, os principais pontos de atenção para o setor pecuário são a adoção de programas sanitários estratégicos e táticos que levem em conta dados epidemiológicos locais e a preservação dos princípios ativos, o entendimento de que os protocolos sanitários representam muito pouco do custo total de produção (em geral, aproximadamente 3% do custo variável total), a auditagem e certificação de protocolos sanitários nas fazendas, a notificação e fiscalização de ocorrências sanitárias, o controle do tráfego de animais desde seu nascimento até o abate e a rastreabilidade do pasto ao prato.

Qual a importância do investimento em sanidade para ampliar os níveis de produtividade na fazenda?

A manutenção de uma boa sanidade é de extrema importância para garantir os resultados técnicos de uma empresa pecuária. Em operações pecuárias de cria, por exemplo, o prejuízo vem basicamente por conta da baixa eficiência produtiva e da baixa eficiência sobre o estoque na venda dos animais. Programas sanitários bem planejados e implementados permitem uma grande melhoria de índices produtivos. É evidente também que os resultados são dependentes da aplicação correta de outras técnicas de produção.

Tudo começa na semente

Roberto Rissi é diretorexecutivo da Pioneer Sementes no Brasil

Pioneer conta com a parceria do produtor para elaborar sementes que vão resultar em uma safra de qualidade

A Granja do Ano — Como a Pioneer trabalha para mostrar ao agricultor que uma semente de qualidade é fundamental para uma lavoura sadia e rentável?

Roberto Rissi — A Pioneer tem na qualidade o seu maior valor. A qualidade da semente inicia na pesquisa e termina quando o produtor comercializa seu produto. Durante todas essas fases, nós procuramos fornecer os melhores produtos, serviços e informações aos nossos clientes para que eles tenham sucesso em suas operações. Em muitas dessas fases o agricultor participa e ajuda a desenvolver um produto de maior qualidade. A Pioneer não é uma simples empresa de sementes, mas sim uma empresa que leva soluções e ajuda os produtores a terem sucesso em suas atividades. Dessa forma, a qualidade da semente deve ser vista sob um ângulo mais amplo e não somente no seu aspecto físico, fisiológico e genético. Todas as etapas de sua criação, produção e comercialização são tratadas com máximo cuidado e nos seus detalhes.

A Pioneer teve um crescimento importante nos últimos anos, com investimentos significativos. Na sua avaliação, quais são as razões para esse resultado positivo?

A Pioneer teve um crescimento impressionante nos últimos anos. O faturamento da empresa quase triplicou, com uma taxa de crescimento nas vendas acima de 30% ao ano. Agressivamente ganhamos participação de mercado tanto na soja como no milho e em todos os segmentos de mercado. Nesse período passamos a ser a maior operação da Pioneer fora dos Estados Unidos e uma das maiores unidades de negócio da empresa. Nossa taxa de crescimento surpreendeu até mesmo os mais otimistas. Todo esse crescimento foi fruto dos investimentos que a empresa vem fazendo nesses 37 anos de presença no Brasil e de sua capacidade inovadora de desenvolver, produzir e comercializar seus produtos. Temos seis estações de pesquisa estrategicamente distribuídas pelo Brasil que nos permitem desenvolver produtos altamente competitivos nos principais mercados do Brasil e países vizinhos. Temos quatro unidades de produção que nos permitem atender nossos clientes em volume, qualidade e prazo. Também temos uma logística diferenciada que nos permite entregar volumes de 30 sacas em qualquer parte do país no prazo estabelecido pelo cliente. Os investimentos não param. Em 2009 estamos inaugurando um Centro de Distribuição em Guarapuava/PR e construindo outro em Mato Grosso. Além disso, continuamos investindo na expansão, automação e modernização das unidades de Itumbiara/GO, Formosa/ GO, Planaltina/DF e Santa Rosa/RS. Outro investimento fundamental que tem permitido e sustentado esse nosso crescimento é a formação e capacitação da nossa força de trabalho, sistemas de gerenciamento e gestão de negócios. Tudo isso aliado às nossas ações inovadoras de marketing e serviços na área agrícola explica a razão desse crescimento.

Qual é a importância da pesquisa agrícola para o trabalho da Pioneer?

A pesquisa agrícola é a base da sustentação do nosso crescimento. É através da pesquisa que conseguimos desenvolver produtos que levam valor aos nossos clientes e ajudam nossos produtores a terem mais sucesso em suas atividades. Para isso, contamos com seis estações de pesquisa e ainda nosso mais novo Centro de Tecnologia em Palmas/TO. Todos esses centros de pesquisa contam com os mais modernos equipamentos de pesquisa na área de genética e melhoramento de plantas. Além disso, nosso Centro de Tecnologia em Palmas faz uso das mais modernas técnicas de biologia molecular, que nos permite acelerar nossos processos de introgressão de características transgênicas e outras nativas da própria espécie.

Tratores para todo perfil de produtor

André Carioba é vice-presidente sênior da AGCO América do Sul

Fazer da máquina uma ferramenta de trabalho confiável para o produtor é o objetivo da Massey Ferguson

A Granja do Ano — O que o produtor rural moderno espera de um trator eficiente e como a Massey trabalha para atender essas demandas?

André Carioba — Nosso cliente busca um produto altamente confiável, porque será a sua ferramenta de trabalho. Entendemos que essa confiança tem que ser transmitida em todas as etapas do processo de fabricação, venda e pós-venda da máquina. Por isso, valorizamos o trabalho conjunto entre o cliente, o fabricante e a concessionária, e sabemos que podemos estreitar ainda mais essa relação. Um equipamento agrícola tem que nascer dessa cooperação e da voz que vem do campo. Também sabemos que nosso público é variado, formado tanto por agricultores familiares quanto por produtores que têm frotas imensas de tratores em suas propriedades. Nossa missão é atender e satisfazer todos os perfis de produtores, para que eles possam utilizar os benefícios da tecnologia em cada centímetro da sua terra.

Assim como outros segmentos da economia, o setor de máquinas agrícolas sentiu os efeitos do momento de turbulências no mercado financeiro internacional. Passado esse período conturbado, quais são as expectativas para o mercado de tratores para os próximos meses?

Apesar da crise ter iniciado no final do ano, 2008 foi muito positivo para a indústria. Claro que nos últimos dois meses sentimos mais os impactos das turbulências do mercado, mas mesmo assim, os resultados do ano todo foram muito bons. O primeiro semestre de 2009 foi complicado especialmente para o segmento de colheitadeiras. Para os tratores, a principal diferença está no desempenho financeiro, já que em 2008 a comercialização envolveu tratores mais pesados. Em 2009, no entanto, a venda ficou concentrada nos equipamentos mais leves. Os números de toda a indústria mostram uma redução em torno de 6% na venda de tratores no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 2008. As exportações, no entanto, sofreram uma redução bem maior, principalmente devido à retração econômica na Argentina. Para os próximos meses, a tendência é que as vendas externas ainda sintam os impactos da crise. No mercado interno, a estimativa é de um recuo entre 5% e 10% em comparação com as vendas feitas em 2008. E a nossa expectativa é de que o programa Mais Alimentos ajude a manter esses índices. De qualquer forma, tudo vai depender do cenário internacional, porque a crise afetou a massa financeira, dificultando o acesso ao crédito. Os bancos passaram a operar com mais cautela e os processos de liberação de recursos estão mais demorados.

Como o senhor avalia a importância do Programa Mais Alimentos, do Governo Federal?

O Mais Alimentos ajudou a indústria a não sofrer quedas ainda maiores na comercialização de tratores no primeiro semestre de 2009. Em dez meses de programa foram vendidos 11 mil tratores e a Massey lidera os negócios, com participação de 36%. O programa é bastante interessante porque é a chance de muitos agricultores conquistarem o seu primeiro trator, podendo aumentar seus índices de produtividade entre 20% e 30% com o uso da mecanização. E isso significa um incremento produtivo para as famílias que vivem no campo, uma evolução social desses agricultores e, consequentemente, um estímulo à economia do país, de uma forma geral. Programas estaduais com modelos similares também trouxeram benefícios. É o caso do Trator Solidário, no Paraná, e do Pró-Trator, em São Paulo. O Mais Alimentos trouxe resultados excelentes especialmente nas regiões Sul e Sudeste, mas acreditamos que ainda possa evoluir muito nos estados do Centro-Oeste e do Nordeste, por exemplo.

Tecnologia na hora do plantio

Roberto Rossato é diretor-presidente da Semeato

Semeato tem como objetivo a rentabilidade do produtor rural ao projetar as máquinas que irão para a lavoura

A Granja do Ano — A Semeato é referência em máquinas voltadas ao plantio direto. Na sua opinião, quais são os diferenciais da empresa para estar sempre na lembrança do produtor rural?

Roberto Rossato — A Semeato se destaca pelo alto desempenho de seus produtos, resultado do investimento em qualidade e tecnologia, além do excelente atendimento de nossa equipe, especialmente no pós-venda. Quais são as maiores preocupações da Semeato ao projetar um novo equipamento? A Semeato se preocupa sempre em aumentar a produtividade e a rentabilidade por hectare para o produtor, oferecendo soluções conforme as necessidades, de forma ágil, segura e com a melhor relação custo-benefício.

Quais são os principais projetos da empresa em 2009? E o que os clientes podem esperar de novidades e lançamentos?

Para 2009 a Semeato renova a linha de semeadoras múltiplas, para os modelos Personale Drill e SSM, com o lançamento de caixas de adubo e sementes em rotomoldado e, para o verão, a empresa inova com o modelo Sol Tower, plantadeira pantográfica de 7, 9, 11, 13 e 15 linhas, com inúmeras novidades. Temos ainda a colheitadeira Multi Crop 4100 e o trator Power Six – 280, que vêm para mostrar ao mercado um novo conceito dentro da Semeato, que além de líder em plantadeiras e semeadoras, também pode fabricar colheitadeiras e tratores, aliás, a única colheitadeira de produção e tecnologia 100% brasileira. A Multi Crop 4100 é uma máquina de baixo custo, simplificada, mecânica, mais prática e fácil de operar, que requer uma manutenção menor e mais barata, especial para o pequeno e médio produtor. Este é um nicho de mercado que vem sendo esquecido pelas tradicionais empresas de colheitadeira, que estão cada vez mais focadas em grandes máquinas, de alto investimento. Em contrapartida, o foco da Semeato é possibilitar ao pequeno agricultor a compra de uma colheitadeira nova e não somente a compra de máquinas usadas, de alta manutenção. Já o trator Power Six é um produto inédito, sem similar no mercado mundial. É um modelo de grande porte, de 280hp, tração 6 x 6, ideal para médias e grandes propriedades. É capaz de tracionar qualquer sistema, além de plantadeiras e semeadoras, como pulverizador e sistema de distribuição de adubo e fertilizante, inovando com o conceito de trator multiuso. Mas esses produtos – a colheitadeira Multi Crop 4100 e o trator Power Six - 280 – ainda estão sendo apresentados como conceitos e a comercialização está prevista para 2010. Até lá, vamos ouvir a opinião dos nossos clientes sobre essas máquinas e fazer os ajustes que eles julgarem necessários, além de ajustes internos, de fábrica, que viabilizem a produção desses produtos em grande escala.

Quais são as suas expectativas para a safra 2009/ 2010, levando em consideração aspectos como os preços dos grãos e a disponibilidade de crédito para o agricultor?

Quanto aos preços dos grãos, a expectativa é positiva, pois estes devem se manter acima das médias históricas, oriundos de demanda não especulativa. Quanto à disponibilidade de crédito, a perspectiva é boa, mas ainda há coisas por definir. Em princípio, programas como o Pronaf Mais Alimentos e o Finame possuem bom desenvolvimento e estão ficando cada vez mais estruturados, mas envolvem uma ação conjunta de Governo e agências financeiras que exige uma boa sinergia para dar certo.

Tradição em cuidar das plantas

Martin Mundstock é diretor-presidente da Máquinas Agrícolas Jacto

Jacto é líder do mercado de pulverizadores e comemora 30 anos do lançamento da primeira colhedora de café

A Granja do Ano – Quais foram as principais realizações e lançamentos da Jacto nos últimos 12 meses?

Martin Mundstock – Os últimos meses foram de intensas realizações. Em 2009 comemoramos os 30 anos da colheita mecanizada do café no Brasil. A Jacto foi pioneira no lançamento da Jacto K3 colhedora de café, hoje um equipamento imprescindível na competitividade do café brasileiro. Lançamos também o pulverizador tratorizado Jacto BK3024 Vortex, para o médio e grande produtor, com até 2 mil hectares, que desejam realizar uma aplicação de defensivos mais técnica. O equipamento foi desenvolvido pela mais alta tecnologia em pulverização com a finalidade de proporcionar um aumento de produtividade melhorando a qualidade de aplicação e prolongando os períodos diários disponíveis para a aplicação de defensivos. Com reservatório de 3 mil litros, o Jacto BK3024 Vortex disponibiliza o sistema de assistência de ar para a barra de 24 metros, o que proporciona um maior rendimento e menor perda com amassamentos. A família Uniport 3000 da Jacto evoluiu. Agora passa a se chamar Uniport 3000/24 Plus, Uniport 3000/28 Plus e Uniport 3000 Vortex Plus. Várias novidades foram incorporadas a estes modelos da família 4x4 da Jacto visando a trazer mais conforto, precisão e durabilidade aos pulverizadores de maior porte. E apoiamos o Programa Mais Alimentos, do Governo Federal, que incentiva na divulgação das facilidades em se adquirir produtos de qualidade e tecnologia de ponta para a produção de muito mais alimento. A empresa reforça mais uma vez a sua crença no valor do pequeno agricultor, relembrando sua história e se esforçando para garantir que os sonhos desses brasileiros valorosos tornem-se realidade como o sonho de um jovem imigrante japonês que chegou no Brasil com pouco e sonhou e trabalhou muito.

E quais são as metas, as ambições para os próximos 12 meses?

Deveremos lançar um novo pulverizador costal manual, o Jacto SP. Seu formato “limpo” e orgânico nos remete à caixa torácica do ser humano, por ser um produto que é uma “extensão do corpo humano”. A ergonomia foi explorada em sua totalidade, o formato foi pensado para que o homem e a máquina se integrassem, questões como peso e conforto tiveram grande importância, logo o produto é todo produzido em plástico. Sua montagem é extremamente simples e não necessita da utilização de ferramentas. Para os três volumes de pulverizador Jacto SP a única peça que sofre alteração é o tanque. Os outros elementos que compõem o conjunto são intercambiáveis, ou seja, houve ganho econômico no processo produtivo e na linha de montagem fabril.

Quais são os diferenciais da Jacto no segmento de pulverizadores?

Os principais componentes dos pulverizadores Jacto são desenvolvidos e fabricados pela própria empresa. Contamos com um centro de pesquisa e desenvolvimento sempre em sintonia com os novos rumos e exigências da agricultura desenvolvendo tecnologia própria específica para pulverização. A empresa se caracteriza pelos constantes investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento e pela proximidade ao homem do campo, onde quer que ele esteja.

Nutrição para as plantas

Mario Barbosa é presidente da Bunge Fertilizantes

Trabalhar pela fertilidade e sustentabilidade das lavouras brasileiras faz parte da missão da Bunge

A Granja do Ano — Em 2008, a Bunge deu início a investimentos para ampliar o abastecimento interno de fertilizantes fosfatados no Brasil. Como está o andamento desses projetos e qual será o impacto deles sobre a produção nacional de fertilizantes?

Mario Barbosa — Os projetos caminham de acordo com o planejado. O objetivo desse investimento de R$ 3,2 bilhões foi o de aumentar a produção de fósforo e, em consequência, a oferta do nutriente para diversas culturas. Com isso, devemos acrescentar 3,5 milhões de toneladas de rocha fosfática ao mercado nacional.

A Bunge firmou um acordo com a Embrapa para disseminar o sistema de integração lavourapecuária- floresta. Como está o andamento dessa parceria e quais são os objetivos do projeto?

Estamos certos de que os programas em sustentabilidade associados aos objetivos de negócios são a melhor forma de manter investimentos, inovar e criar oportunidades que reforcem o nosso posicionamento no cenário nacional. O acordo com a Embrapa está inserido neste contexto. Investimos R$ 2,3 milhões, por um período de três anos, para a difusão do programa de integração lavoura-pecuária-floresta. A tecnologia do projeto está perfeitamente adequada dentro do conceito de agricultura sustentável. A integração é definida como o planejamento, a execução e o controle da diversificação, da consorciação e da sucessão de atividades agropecuárias e agrossilvipastoris dentro da propriedade, com sustentabilidade social, econômica e ambiental. Defendida por pesquisadores e produtores que comprovaram na prática as vantagens da sinergia entre a consorciação de culturas agrícolas, seja para a produção de grãos, fibras ou energia e pastagens, os sistemas mistos de exploração que incluem espécies florestais permitem que o solo seja explorado de forma vantajosa, com retorno econômico mais eficiente. O sistema de integração lavoura-pecuáriafloresta melhora a fertilidade do solo por meio do processo de rotação lavoura-pastagem. Parte das receitas obtidas com as lavouras é utilizada para custear a recuperação ou a reforma das pastagens com a introdução de árvores no sistema. Na área da pastagem degradada, são cultivados grãos ou fibras por um ou mais anos, período em que as árvores se estabelecem aproveitando o ambiente agrícola favorável ao seu crescimento. Depois, volta-se com a pastagem, aproveitando os nutrientes residuais das lavouras na produção de forragem.

De que maneira a Bunge trabalha para conquistar uma interação cada vez maior com os produtores rurais?

A Bunge tem buscado essa interação por meio da produção agrícola sustentável, entre outras ações. Para garantir uma produção mais responsável no campo, a empresa desenvolve uma abordagem em quatro etapas – conscientização para o cumprimento da legislação ambiental e trabalhista, além dos benefícios da agricultura sustentável; capacitação para utilização das melhores práticas; reconhecimento e premiação pelo uso de boas soluções e inovações; e sanções previstas em contrato para coibir desrespeitos à legislação. Algumas ações de destaque são os bons resultados da Moratória da Soja na Amazônia, prêmio Destaque Bunge Agricultor Brasileiro, cartilha educativa em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, programas de recuperação do Cerrado e ações de preservação da Mata Atlântica, além de relacionamento direto com cerca de 60 mil produtores rurais. A Bunge presta ainda uma consistente assistência técnica ao produtor rural. Entre os serviços podemos destacar a agricultura de precisão, implantada pela Bunge no Brasil de forma pioneira em 1997.

Colheita de bons resultados

Paulo Herrmann é diretor comercial da John Deere para a América Latina

Na hora de projetar suas colheitadeiras, a John Deere mantém o foco em durabilidade, produtividade e qualidade dos grãos

A Granja do Ano — O que a 35% em colheitadeiras John Deere projeta de novidades em 2009 para os seus clientes?

Paulo Herrmann — A John Deere investe cerca de US$ 1,5 milhão diários em pesquisa e desenvolvimento, o que resulta na contínua evolução tecnológica de seus produtos, contribuindo para elevar a produtividade da agricultura mundial. Na Expointer a empresa apresentará lançamentos que trazem importantes inovações. Entre eles, estão: uma nova colheitadeira com tecnologia STS, de alta produtividade, adaptada às severas condições da colheita do arroz; uma nova plataforma de milho 600C; e uma nova série de colheitadeiras convencionais, com os modelos 1470 e 1570. A assinatura, em julho, de uma joint venture com a Auteq Telemática S.A., empresa de softwares e computadores de bordo, é outra novidade. Ela tem o objetivo de trazer ao mercado tecnologias e soluções inovadoras para produção de açúcar e etanol. Líder de mercado no segmento de colhedoras de cana-de-açúcar, com mais de 50% de participação, a John Deere lançou, em março de 2009, a nova colhedora 3520, que aumenta a eficiência e reduz os custos na colheita. Além disso, apresentou novos opcionais tecnológicos para os tratores 7715 e 7815. Ainda com relação à cana, em parceria com a Syngenta, a empresa está desenvolvendo máquinas que irão revolucionar o plantio da cana no Brasil.

De que forma a empresa trabalha para superar os efeitos da crise financeira internacional iniciada no final de 2008?

A crise econômica mundial caracterizou-se inicialmente como uma crise de crédito e evoluiu para uma situação de incerteza que fez com que muitos agricultores adiassem os seus investimentos. Por conta da baixa demanda, a John Deere teve de redimensionar a produção de suas fábricas. No Brasil, em especial, houve iniciativas dos governos federal e alguns estaduais para tentar atenuar o impacto da crise. O Programa Mais Alimentos, do Ministério de Desenvolvimento Agrário, que já financiou mais de 12 mil tratores em 2009, motivou a John Deere a nacionalizar dois modelos de tratores, o 5303 e 5403, que, assim como o 5603, podem ser adquiridos por meio do programa.

O que o produtor espera de uma colheitadeira eficiente e como a John Deere trabalha para atender às necessidades do seu público?

A John Deere mantém altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para garantir uma evolução tecnológica constante, buscando oferecer sempre produtos com maior capacidade de trabalho, com nível de perdas muito baixo e alta qualidade dos grãos colhidos. Outra característica buscada pelo agricultor e pela empresa é o custo operacional reduzido, com a melhor relação custobenefício. Já as máquinas de colheita de cana precisam enfrentar condições muito duras de trabalho e uma safra que se prolonga por mais de oito meses por ano. Por isso, a resistência e durabilidade são qualidades muito valorizadas, ao lado da alta produtividade.

A John Deere mantém um investimento importante em programas voltados ao treinamento e capacitação de concessionários e operadores. Qual é a importância desse tipo de trabalho?

A John Deere vem aumentando a cada ano seus investimentos em formação de pessoal e conta para isso com cerca de dez unidades de treinamento em várias regiões do país, onde são realizados cursos para os clientes e funcionários da rede de concessionários. Além disso, a empresa implementou este ano um programa de treinamento a distância, por meio da internet.

Mais água, mais produção

Marcelo Borges Lopes é diretor-presidente da Valmont

Fabricante de equipamentos para irrigação, a Valmont estimula o uso da água de forma sustentável

A Granja do Ano — Como está a evolução da área irrigada no Brasil?

Marcelo Borges Lopes — A evolução da área irrigada no Brasil segue a passos muito lentos. Nos últimos dez anos foram incorporados, em média, entre 120 mil e 150 mil hectares por ano. O estudo mais recente publicado pela Agência Nacional de Águas mostra que a área total irrigada até 2008 era de 4,6 milhões de hectares, enquanto o Plano Nacional de Recursos Hídricos estimou a área potencial para irrigação em 30 milhões de hectares. Se continuarmos nesse ritmo de crescimento, levaremos quase dois séculos para atingirmos o potencial identificado 20 anos atrás. Os sistemas de pivô central e linear, também chamados de irrigação mecanizada, irrigam hoje 1,4 milhão de hectares no Brasil. Essa área está dividida em todas as regiões, mas concentra-se em MG, GO, SP e RS. A área irrigada equivale a pouco mais de 5% da área plantada, no entanto produz mais de 15% do alimento, e o valor da produção é de 35% do total.

Como a irrigação pode colaborar para incrementar ainda mais a produção de alimentos no Brasil?

Além do ganho de produtividade, a irrigação também contribui para a segurança alimentar, estabilizando a produção e diversificando-a. A questão da diversificação da produção é muito importante, basta entrar em um supermercado hoje para verificar que nos balcões de hortaliças e frutas praticamente tudo que lá está foi produzido em áreas irrigadas. Culturas de alto valor agregado como batata, cenoura e folhosas não são viáveis sem irrigação. O mesmo acontece com culturas muito sensíveis à seca, como o feijão. Recentemente, incluímos os pivôs centrais no Programa Mais Alimentos do Governo Federal exatamente para incrementar e diversificar a produção de alimentos vindos da agricultura familiar.

Como a Valmont procura transmitir para os produtores a importância do uso da água de forma racional?

É preciso entender que a agricultura irrigada é solução para a escassez de água e não problema. Apesar de ser a maior usuária de água, a irrigação, quando feita de forma eficiente, contribui para a conservação da água com uma grande produção de alimentos, que de outra forma consumiria ainda mais água para ser alcançada. Não existe escolha entre água para uso pessoal e comida ou energia, precisamos de todos. Os pivôs centrais hoje têm uma eficiência muito maior que há 10, 20 anos. Incentivamos nossos clientes a usarem a mais moderna tecnologia minimizando o uso de água e energia e seguimos desenvolvendo produtos cada vez melhores. Disponibilizaremos sistemas de automação e monitoramento (Base Station e Tracker SP) que permitem aos irrigantes maximizar a eficiência de seus equipamentos aplicando apenas a lâmina necessária, no momento exato.

Na sua opinião, como o poder público pode trabalhar para ampliar a área irrigada e o acesso dos produtores a equipamentos de irrigação?

A primeira situação que precisa ser resolvida é institucional, a agricultura irrigada não tem o espaço proporcional à sua importância econômica, social e ambiental. No passado houve um Ministério da Irrigação e agora existem movimentos tentando retomar esse espaço, como a implantação do Fórum Permanente da Agricultura Irrigada pelo Ministério da Integração Nacional. Outra ação importante é a aprovação do Projeto de Lei instituindo o Plano Nacional da Irrigação. Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB/SP), se comprometeu a apressar a votação do mesmo, mas esse é um assunto pendente há mais de 15 anos. Além disso, precisamos de ações práticas, como a oferta de crédito direcionado à agricultura irrigada e a simplificação do processo de obtenção da outorga da água.

Inovação em defesa da lavoura

Laércio Giampani é diretor-geral da Syngenta Proteção de Cultivos

Até 2012, a Syngenta pretende auxiliar os agricultores brasileiros com 15 novos produtos

A Granja do Ano — Quais são os principais projetos da empresa previstos para 2009 e para os próximos meses?

Laércio Giampani — Investimos, globalmente, US$ 2 milhões por dia em Pesquisa e Desenvolvimento, e temos mais de quatro mil profissionais atuando nesta área, em todo o mundo. O Brasil faz parte deste montante global. A Syngenta investirá US$ 400 milhões no mercado brasileiro até 2012, período em que pretende introduzir 15 novos produtos no mercado, a exemplo do Amistar Top, um fungicida de amplo espectro para hortaliças e frutas, que será lançado em 2010. Traremos, também, grandes inovações para culturas fortemente estabelecidas no Brasil, como a cana-de-açúcar. Em outubro de 2008 anunciamos ao mercado brasileiro a tecnologia Plene, que simplifica o plantio ao oferecer gemas tratadas contra doenças e pragas, garantindo sanidade, pureza varietal, tratamento e rastreabilidade. A inovação poderá reduzir os custos de plantio por hectare em cerca de 15%, ao modernizar os métodos atualmente utilizados nos canaviais.

Quais são as maiores preocupações da Syngenta na hora de desenvolver um novo produto para ser usado na lavoura?

A empresa está sempre atenta às necessidades dos clientes, antecipandose ao oferecer soluções completas. Por isso, o aumento da produtividade está entre as principais metas no desenvolvimento de um novo produto. Nos anos 1960, por exemplo, um hectare era capaz de alimentar duas pessoas. Em 2005, esse mesmo hectare passou a alimentar quatro pessoas e ainda temos o desafio de alimentar cinco pessoas em 2030, a partir da mesma área. Superar desafios globais como este faz parte da nossa ambição como empresa global. Além da produtividade, outro elemento que já está imbutido no desenvolvimento do produto é a sustentabilidade. Trabalhamos para entregar produtos com menor toxicidade, bem como em novas tecnologias que viabilizem um manuseio cada vez mais seguro.

Na sua opinião, qual é a importância do setor de defesa vegetal para o desenvolvimento da agricultura brasileira?

Sem os defensivos agrícolas, os cultivos não poderiam expressar todo o seu potencial produtivo. Dados de um estudo científico apontaram que esse total chegaria a 40% da produção agrícola. Para alimentar o mundo, precisamos aprender a cultivar mais alimentos em menos terra, de forma a não invadir áreas preservadas por razões ambientais, florestas tropicais ou outras terras atualmente não cultivadas. A única maneira de fazer isso de forma sustentável é usar tecnologias e produtos modernos, tais como defensivos agrícolas, para maximizar a colheita. Para exemplificar com um case da Syngenta, em 2004, lançamos o fungicida Priori Xtra, contra a ferrugemda- soja. O produto foi desenvolvido e registrado em tempo recorde e significou uma resposta inovadora para o mercado, pois antes oferecíamos duas soluções para a aplicação contra a ferrugem.

Como a Syngenta trabalha no projeto Lucas do Rio Verde Legal?

O município de Lucas do Rio Verde, que está localizado na região central de Mato Grosso, é grande produtor de soja, algodão, arroz e milho, mas, historicamente, desenvolveu um déficit de áreas de proteção permanente e de reservas legais. Uma dívida com o meio ambiente que o município pretende quitar por meio do Projeto Lucas do Rio Verde Legal, uma iniciativa na qual a Syngenta atua em parceria com outras instituições e empresas. O projeto visa a tornar o município o primeiro a ter todas as propriedades rurais regularizadas do ponto de vista do Código Florestal, sem passivos socioambientais ou trabalhistas e fazendo uso correto e seguro dos agroquímicos.

A proteção da safra como prioridade

Anastácio Fernandes Filho é presidente da Kepler Weber

A Kepler Weber estimula a armazenagem na fazenda para que o produtor tenha melhores resultados no pós-colheita

A Granja do Ano — Qual é a realidade da armazenagem na fazenda no Brasil e que tipo de medidas podem colaborar para ampliar esses índices?

Anastácio Fernandes Filho — No Brasil, a armazenagem na fazenda alcança índice de 15% da safra, enquanto nos Estados Unidos, na Argentina e no Canadá, os volumes chegam a 55%, 25% e 85%, respectivamente. Para ampliar os números no Brasil, acreditamos que são necessárias medidas que facilitem o acesso ao crédito. O dinheiro existe nos bancos, mas o endividamento do produtor é um fator limitante para a tomada dos recursos. Ainda achamos necessário que as agências ambientais reduzam os níveis de exigência para obras de armazenagem, porque as normas atuais acabam dificultando a obtenção dos financiamentos. Ao produtor, faltam informações como o cálculo do retorno sobre o investimento, e cabe ao fornecedor esclarecer esses dados no momento da negociação. Muitas vezes, o agricultor tem a ilusão de que o equipamento é muito caro. E aí está mais uma missão para o fornecedor, que é desmistificar essa percepção. Também é comum o produtor se preocupar muito com o plantio e com a colheita e deixar o pós-colheita como última prioridade. Precisamos lembrar de esclarecer o produtor sobre as perdas no pós-colheita e dos ganhos com a comercialização do produto nos momentos mais adequados.

Como funciona a Linha KW Fazenda, lançada em 2009 pela Kepler?

A Linha KW Fazenda foi desenvolvida para atender as necessidades específicas dos pequenos e médios produtores, com um baixo custo de instalação e manutenção e uma instalação simplificada. A intenção é estimular aqueles que ainda não contam com uma estrutura própria de armazenagem na sua propriedade. No Rio Grande do Sul, a Kepler fechou uma parceria com a Casa Rural, da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e, nos demais estados, serão desenvolvidas novas parcerias para o desenvolvimento do projeto. Para divulgar o produto, estamos investindo em ações como a realização de workshops nos sindicatos rurais, divulgação de anúncios na mídia e distribuição de catálogos e malas diretas. Também vamos participar da Expointer e apresentar o produto na feira diretamente para os agricultores. A demanda por produtos padronizados, com porte para pequenos e médios produtores, veio do próprio campo. A Kepler Weber, sem perder o seu padrão de qualidade, foi em busca de uma solução simples para atender um nicho até então não explorado pela empresa. Trata-se de um sistema já existente em diversos países de primeiro mundo e que, pelas dificuldades logísticas no Brasil, deve reduzir sensivelmente as perdas na safra e no transporte, gerando maior renda para o agricultor.

Quais foram os principais destaques ou conquistas da empresa em 2008 e quais as metas para 2009?

Retomamos a liderança do mercado brasileiro em 2008 e preparamos a Kepler para o seu ciclo de crescimento. Trabalhamos na execução do projeto de especialização das plantas industriais de Campo Grande/MS (linha de secadores) e de Panambi/RS (silos, máquinas de limpeza e transportadores) que representa a melhoria da produtividade das duas unidades. O fortalecimento da marca Kepler Weber devido à qualidade dos equipamentos e o cumprimento dos prazos de entrega no ano de 2008 foram sem dúvida importantes na reconquista e consolidação da liderança do mercado. O foco no segmento de armazenagem direcionou a empresa rumo às conquistas de mercado e imagem. Ainda em 2009, vamos explorar novas oportunidades no exterior visando à cobertura da sazonalidade do mercado interno e da América Latina.

Transportando os recordes do campo

Antonio Roberto Cortes é presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus

Volkswagen tem na linha de caminhões destinados à agricultura uma de suas especialidades

A Granja do Ano — Que efeitos a crise financeira mundial provocou no ramo de caminhões da empresa destinados ao agronegócio brasileiro?

Antonio Roberto Cortes — Tivemos que rever nossa previsão de volumes para 2009. Será um grande desafio repetir os resultados em vendas de 2008, mas o primeiro semestre de 2009 já mostrou sinais animadores. Os volumes foram um pouco melhores que o mesmo período de 2007, o segundo melhor ano de nossa história. Mas os recentes anúncios do Governo Federal para fomentar as vendas de caminhões são um incentivo a mais para toda a indústria.

Quais são as perspectivas da empresa no segmento de caminhões para a safra 2009/2010, a primeira a ser planejada e plantada pós-crise mundial?

Como dito anteriormente, os recentes anúncios do Governo Federal trazem benefícios a clientes de todos os segmentos da economia. São medidas que estendem a isenção do IPI, facilitam o acesso ao crédito e tornam atraente como nunca a oportunidade de compra de um caminhão. Agora, é nossa tarefa ajudar a levar as novidades aos consumidores e ajudálos na concretização de sua compra.

Que relevância tem o agronegócio brasileiro no segmento de caminhões da Volks? Qual é a participação do agro nas vendas de caminhões?

Como é sabido por todos, o agronegócio tem impulsionado fortemente as vendas de caminhões no Brasil, assim como também é responsável pelo crescimento da economia do país. No caso da Volkswagen não é diferente. O agrobusiness tem grande efeito nas vendas de caminhões no interior do país, principalmente nas grandes regiões produtoras. Este fato é facilmente identificado pelos resultados de vendas nestas regiões. Nossa participação de vendas neste segmento de mercado é de aproximadamente 20% do total de vendas da empresa.

Quais foram os principais lançamentos da Volks nos últimos 12 meses, sobretudo para o segmento agrícola? E quais as novidades para os próximos 12 meses?

A marca oferece uma ampla linha de produtos, de 5 a 45 toneladas de peso bruto total. Atendemos a todos os segmentos do agronegócio, com as linhas de caminhões Delivery, Worker e Constellation. Os mais recentes lançamentos são os modelos VW 17.320 e VW 24.320, capazes de transportar cargas frigorificadas, líquidas (tanque), gado e grãos, além de diversas opções para baú fechado.

O que a Volks oferece de diferencial num setor tão competitivo como o de caminhões?

Soluções de transporte sob medida, o melhor atendimento pós-vendas do mercado, inovações como o contrato de manutenção Volkstotal e uma rede de 145 concessionárias distribuídas por todo o País.

No agronegócio, o que a Volks considera como mais relevantes tendências em caminhões?

O Brasil é o maior mercado de caminhões para a Volkswagen. Considerando este fato e tendo nosso Centro de Desenvolvimento Tecnológico de novos produtos localizado na fábrica de Resende, temos a facilidade de identificarmos todas as demandas e as novas tendências do segmento de transporte de cargas e consequentemente procuramos desenvolver nossos novos produtos considerando estes fatores, para que os mesmos facilitem e aprimorem os sistemas de transporte de cargas. No caso específico do agronegócio, identificamos que a tendência para este segmento será a procura por caminhões que possuam maiores capacidades de carga, assim como maiores potências para compensar as grandes distâncias a serem percorridas, aliada à necessidade de vencê-las em tempos cada vez menores.

Robustez e classe a serviço do campo

Wilson Vasconcellos é gerente de Produto Picapes Ford

A Ford, a primeira montadora no mundo a produzir uma picape, está há 90 anos no Brasil e oferece hoje 30 opções

A Granja do Ano — Quais são as perspectivas da empresa para os negócios de picapes junto à clientela do campo em razão da crise financeira mundial?

Wilson Vasconcellos — A perspectiva da Ford é de crescimento. Entendendo as dificuldades enfrentadas pelo setor do agronegócio e buscando atender as necessidades dos nossos consumidores, a Ford reduziu significativamente os preços da sua linha de picapes, passando a oferecer produtos com um pacote de conteúdo maior a preços mais baixos, tornando assim o desejo e necessidade de aquisição do veículo novo uma relação custo-benefício muito mais vantajosa para os nossos consumidores.

Qual é a relevância do campo no segmento de picapes para a Ford?

É de extrema relevância para a Ford, considerando o potencial e a representatividade deste setor para a economia do país, além de estar diretamente ligado à venda de picapes e caminhões. Hoje a Ford mantém um forte investimento neste segmento participando das principais feiras nacionais com investimentos próprios, além de participar junto com a sua rede de distribuidores de mais de 60 feiras regionais por ano.

O que faz da Ford uma empresa diferenciada no mercado competitivo de picapes?

A Ford foi a primeira montadora no mundo a produzir uma picape. Já produziu mais de 40 milhões de picapes no mundo e este ano está comemorando 90 anos no Brasil, sendo, portanto, a primeira montadora a se instalar no nosso país. A a Ford está há mais de 50 anos produzindo picapes no Brasil, tendo comercializado mais de 150 mil unidades somente de sua picape média Ranger. E quem está há tanto tempo nesse segmento conhece bem as necessidades dos seus clientes. Além de possuirmos a linha mais completa e versátil de picapes, oferecemos muita tecnologia. Estamos entre os melhores motores da categoria tanto a diesel como a gasolina, temos uma suspensão desenvolvida exclusivamente para o mercado brasileiro, o que proporciona conforto, segurança e robustez. A Ford possui uma imensa rede com mais de 380 distribuidores, oferecendo assim uma ampla assistência a todos os nossos clientes.

Diante das diversas alternativas, o que o consumidor leva em consideração para definir qual a picape a adquirir? Em que ele é mais exigente?

O consumidor busca um veículo forte, robusto e que tenha um excelente custo-benefício e hoje somente a Ford possui uma linha tão versátil capaz de atender as mais diversas necessidades. Temos a maior linha de picapes desde a picape pequena, Courier, em suas versões pick-up e van, passando pela picape média, a Ranger, disponível nas versões cabine simples e dupla, 4x2 e 4x4, gasolina e diesel, até a picape grande, a F250. Somos a única empresa a produzir a picape grande no Brasil. São mais de 30 opções para clientes que buscam custo-benefício, conforto, tecnologia, força e robustez.

Quais são hoje as principais tendências do segmento de picapes?

Dada a grandeza do nosso país e a nossa vocação para o agronegócio, fica claro que o nosso cliente de picapes busca, além de conforto e design, veículos confiáveis e versáteis, pois as utilizam tanto para lazer como para o trabalho. Segurança é outro item que vem crescendo em todos os segmentos de picape, principalmente em relação aos freios ABS e airbags, tanto para empresas como para uso pessoal.

Mais que saboroso, sustentável

Onélio Pilecco é presidente do Grupo Pilecco Nobre

Pilecco Nobre prioriza a produção ambientalmente correta, inclusive de seus fornecedores, e por isso ganha prêmios

A Granja do Ano — Quais são os planos, as metas e as novidades da Pilecco Nobre Alimentos em relação ao arroz para os próximos 12 meses?

Onélio Pilecco — O principal objetivo é a fidelização da marca Pilecco Nobre junto aos consumidores que primam pelo atributo qualidade nutricional da população e produtos ambientalmente corretos. Visamos com isso a atingir um crescimento de 10% ao ano, para os próximos cinco anos.

E quais foram as principais conquistas do último ano?

As principais conquistas são os prêmios. De Responsabilidade Ambiental pela utilização de técnicas e processos de produção ecologicamente responsáveis, prêmio que a empresa recebeu da Secretaria do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul. Outro foi o prêmio Qualidade Brasil, que representa a liderança na preferência do consumidor e a qualidade superior do arroz, conferida pelo International Exporter’s Service. O prêmio Leader Quality, também da International Exporter’s Service, premiou a Pilecco Nobre pelo empenho da empresa em melhorar a qualidade de vida dos consumidores.

Quais são os principais mercados dos produtos da Pilecco Nobre? E quais os que estão em vista?

Os principais mercados são os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e os mercados em desenvolvimento são Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Brasília, Goiás e Espírito Santo.

Quais são os diferenciais dos produtos da Pilecco Nobre?

São os projetos de sustentabilidade com geração de energia renovável à base da casca de arroz, utilizando processos que não geram desperdícios nas atividades industriais, dado que por estes desperdícios, quem paga é a sociedade.

O que o senhor destaca como diferencial da Pilecco Nobre?

A Pilecco Nobre Alimentos Ltda. é uma empresa altamente inovadora, haja vista seus projetos aprovados e recebendo créditos de carbono por reduzir a emissão de aproximadamente 40 mil toneladas/ano de CO2 que seriam jogadas na atmosfera nos próximos dez anos. Os projetos podem ser renovados por serem economicamente viáveis e ecologicamente corretos.

Quais são as exigências da Pilecco Nobre em relação aos seus fornecedores, os produtores de arroz?

Eles devem preservar a propriedade de produção utilizando mecanismos que mantenham os recursos naturais para que as próximas gerações possam produzir, no mínimo, nas mesmas condições de igualdade da geração atual, possibilitando a produção para atender o consumidor consciente denominado nobre.

Por que a preocupação socioambiental da Pilecco Nobre Alimentos? E quais as principais realizações nestas áreas?

Para a Pilecco Nobre, respeitar o planeta é muito mais que uma obrigação legal, é um compromisso ético com o futuro da humanidade. E a empresa já encontrou o seu jeito de proteger o meio ambiente pelo projeto Um Futuro do Seu Jeito. Por meio dele, a empresa realiza vários projetos de grande relevância como a Geradora de Energia Elétrica Alegrete, que utiliza a casca de arroz, até então considerada um resíduo industrial, para produzir energia renovável. Assim, a Pilecco Nobre se autossustenta em energia, e o excedente é repassado para a comunidade.

Rentabilidade em qualquer terreno

Arlindo Moura é diretor-presidente da SLC Agrícola

SLC Agrícola é um exemplo da agricultura benfeita do solo da lavoura ao carpete da Bolsa

A Granja do Ano — Qual o planejamento da SLC Agrícola para o milho na safra 2009/2010? Haverá ampliação de área? E qual a expectativa quanto à produção e à produtividade?

Arlindo Moura — Estimamos uma área plantada, para a safra 2009/10, por volta de 38 mil hectares, dos quais aproximadamente 80% serão de segunda safra. O milho de segunda safra é importante, pois maximiza a eficiência de utilização de terras e reduz o custo de produção tanto do milho quanto da soja (uma vez que o milho é plantado logo após a colheita da soja). Projetamos produtividade superior a 9.600 quilos por hectare para o milho safra, e superior a 6.000 quilos por hectare para o milho safrinha.

E quais as perspectivas para o cereal quanto a preços, custos, demandas internacionais, etc.? Em síntese, vai ser vantajoso produzir milho em 2009/2010?

No mundo, vimos o setor de carnes atravessar dificuldades com redução direta do consumo em função da crise econômica, com isso a demanda de milho para esse setor também teve redução. Estoques de passagem mais altos em 2008/09 e aumento de área em 2009/10 nos Estados Unidos, o maior produtor e exportador de milho, estão pressionando os preços internacionais a níveis mais baixos no segundo semestre de 2009. Com os preços internacionais mais baixos o Brasil tem dificuldades para exportar e, consequentemente, mantém seus estoques em